As visagens, assombrações e criaturas sobrenaturais de Belém e da Amazônia ganharão vida e tomarão as ruas do bairro do Guamá nesta quinta-feira, dia 31. Além de fantasmas, Matinta Pereira e sacis são esperados todos os tipos de criaturas e fantasias no II Cortejo Visagento, que terá concentração a partir das 18h30, em frente ao Cemitério Santa Izabel, na Avenida José Bonifácio.
O grande homenageado deste ano será um dos maiores escritores de literatura sobrenatural da Amazônia, Walcyr Monteiro, autor de “Visagens e Assombrações de Belém”. Um concurso de melhor fantasia premiará um dos participantes com R$ 200.
A expectativa é que o evento reúna aproximadamente 300 pessoas desde a concentração na frente do cemitério até a Escola Estadual Barão de Igarapé Miri. O cortejo deve durar de 1h30 a 2h passando pela Avenida José Bonifácio, Rua Silva Castro, Travessa Liberato de Castro, Passagem Sururina, Travessa Barão de Igarapé Miri e Barão de Mamoré. O cortejo está sendo organizado pelo Espaço Cultural Nossa Biblioteca em parceria com a escola pública Barão de Igarapé Miri.
“Cortejo surgiu com a ideia dos cemitérios como local de saber. Eu dava aula no cemitério e também tinha a coisa do Dia das Bruxas ser comemorado, que não é cultura nossa, nós resolvemos fazer um trabalho junto com a leitura das histórias de assombração e discutir essa literatura fantástica trazendo um pertencimento ao bairro e ao nosso folclore. Falar das coisas do nosso bairro e da nossa cultura”, explica o professor de história e membro do Espaço Cultural Nossa Biblioteca, Raimundo José de Oliveira.
O primeiro cortejo realizado no ano passado teve a participação especial do escritor Walcyr Monteiro. O escritor foi convidado para contar suas histórias e a falar sobre as suas publicações. Segundo o filho do autor, o advogado Átila Monteiro, o escritor, que faleceu neste ano em decorrência de uma pneumonia, ficou maravilhado com o evento ao transformar a data de uma festa estrangeira em uma resistência da cultura regional.
“Ele comentou que as bibliotecas estavam fazendo o evento. A motivação quando ele escreveu ‘Visagens e Assombrações’ foi que as nossas lendas não ficassem perdidas, que não caíssem no esquecimento na internet, justamente o folclore da Amazônia, que é tão rico e encantador. Ele ficou muito animado. Falou que a escola estava promovendo o circuito, e que se mais escolas fizessem isso o nosso folclore estaria assegurado”, lembra o filho de Walcyr.
A ideia do cortejo é fazer com que os jovens conheçam o próprio folclore e a história do bairro. Durante o trajeto no ano passado, os organizadores paravam nas esquinas para contar uma história de assombração, ou a história daquela rua do bairro do Guamá. A prática deve se repetir novamente. A ideia é unir o conhecimento da sala de aula e dos livros à prática lúdica no meio da rua. Raimundo planeja que nos próximos anos os jovens de ensino médio realizem pesquisa sobre a origem e as histórias das ruas do Guamá que serão divulgadas para a população durante o trajeto do Cortejo Visagento.
Outro atrativo do cortejo será o concurso de fantasias, que premiará com R$ 200 a melhor roupa, avaliadas por jurados. Além da vestimenta, os concorrentes precisam também ter a melhor interpretação para conquistar os jurados. “O concurso é aberto para todos os fantasiados, mas tem que fazer as interpretações durante o trajeto. Os jurados vão avaliar todos”, explica Raimundo. “É uma construção cultural que estamos trabalhando para ir para áreas diferenciadas do bairro com programações conjuntamente com outras escolas. Esse ano vamos realizar com a Escola Barão de Igarapé Miri, e ano que vem estamos esperamos ter mais escolas participando”, adiantou.
O desejo do herdeiro de Walcyr – Atila Monteiro – é que eventos como do cortejo se multipliquem. “É uma iniciativa cultural fantástica, e precisa ter mais destes eventos para que mais pessoas conheçam o imaginário amazônico, ninguém gosta do que não conhece. Espero que iniciativas desta natureza cheguem a um público maior e, que com isso, elas fiquem conhecendo, passem a gostar e divulguem. Assim a gente não passa a divulgar as coisas de fora, como o Hallowen, aqui devemos comemorar o dia do Matinta Pereira, o dia do Jurupari, o dia do Boto, as nossas lendas amazônicas que são muito mais ricas que as importadas”, garante.
Homenagem ao legado de Walcyr Monteiro
O Cortejo Visagento acertou ao escolher o escritor Walcyr Monteiro como o homenageado deste ano. O autor de 79 anos, que faleceu em maio deste ano, deixou um legado de conhecimento sobre as histórias fantásticas e sobrenaturais da Amazônia, com dezenas de livros publicados. O jornalista fascinado pela pesquisa criteriosa escreveu o clássico “Visagens e Assombrações de Belém”, “Amazônia, histórias e lendas”, 14 edições da revista “Visagens, assombrações e encantamentos da Amazônia”, e “Incríveis Histórias de Caboclo do Pará”.
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O filho Atila Monteiro conta que a publicação das obras de Walcyr continua com algumas novas edições e são vendidas a preços de custo com o objetivo propagar cada vez mais o trabalho. “Todas as vezes que o papai é lembrado ficamos muito honrados. A semente que ele plantou está gerando frutos, como este passeio sobrenatural, assim como outas homenagens que estão tendo, uma delas foi na Biblioteca Central da UFPA [Universidade Federal do Pará]. São vários eventos em homenagem a obra e ao legado que ele deixou, que estou tentando continuar”, afirmou.
Os interessados podem adquirir os diferentes livros de Walcyr Monteiro encomendando pela página do Facebook ‘Histórias de Visagens, Assombrações e Lendas da Amazônia’, administrada por Atila.
Agende-se:
II Cortejo Visagento - Homenagem à Walcyr Monteiro
Data: quinta-feira, 31, às 18h30
Concentração: em frente ao cemitério Santa Izabel, na avenida José Bonifácio
Participação gratuita
