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Cultura

Vai ao show do BTS? Como evitar golpes, filas erradas e outros perrengues

Estadão Conteúdo

30 de outubro de 2026 às 12:18

A primeira noite de apresentação do BTS em São Paulo nesta quarta-feira, 28, causou comoção nos fãs brasileiros do grupo de K-pop e reuniu um público de 81 mil pessoas no Morumbis, de acordo com a organização. As outras duas datas da passagem da turnê Arirang pelo País, nesta sexta-feira e sábado, 30 e 31, já estão com ingressos esgotados e vão levar novamente uma multidão ao estádio para assistir ao grupo sul-coreano de K-pop, que não se apresentava no Brasil havia sete anos.

Apesar do sucesso do show, diversos problemas relacionados a filas, fluxo de pessoas e transporte público foram apontados pelo público - a reportagem do Estadão também presenciou vários percalços enfrentados pelos fãs antes e depois do show.

Não havia informação, por exemplo, sobre em qual fila entrar para conseguir acessar os diferentes setores do show. A volta para quem optou pelo metrô também foi difícil. Faltou organização para o fluxo de entrada na Estação Morumbi, o que causou empurra-empurra entre o público. Do lado de dentro, diante da grande fila para a compra de ingressos, "cambistas" agiam livremente vendendo o tíquete por até quatro vezes o valor oficial.

A seguir, você acompanha as principais dificuldades de quem foi ao primeiro dia de apresentação do BTS no Morumbis, a resposta dos responsáveis por cada área e ao que você deve estar atento para ter uma experiência mais tranquila nesta sexta, 30, e sábado, 31.

Primeiro acesso com ingresso e depois as várias filas

Os fãs da banda BTS chegaram cedo na primeira data de apresentação do grupo para disputar os melhores lugares dentro do Morumbis. Isso causou longas filas logo pela manhã no entorno do estádio. Há uma primeira barreira pela qual todos que têm ingresso devem passar, independentemente do setor. O fluxo de passagem por essa barreira é controlado pela Polícia Militar e os ingressos são conferidos pela organização do evento.

Passada essa primeira etapa, é preciso procurar por qual portão entrar - isso está indicado no ingresso, de acordo com o setor escolhido. A grande questão é saber em qual fila entrar. As informações não são muito claras e a solução é perguntar para quem já está na fila se aquela é a correta para o seu portão ou procurar alguém da orientação de público. Na quarta-feira, 28, com a chuva, esses orientadores estavam usando capa de chuva, o que dificultava a identificação.

Havia também quem quisesse furar a fila, sem que essa prática fosse coibida pela organização. Outra reclamação foi a interrupção do fluxo para entrar no estádio - o que gerou ansiedade no público. Os fãs também reclamaram nas redes sociais sobre uma possível superlotação no setor de arquibancada.

Procurada pelo Estadão, a Live Nation respondeu que, durante a entrada do público na quarta-feira, 28, foram registradas "situações pontuais" no portão 17, "devidamente solucionadas". A empresa também reforçou que todas as pessoas com ingressos oficiais puderam acessar o evento. Por fim, apontou que o show ocorreu "rigorosamente dentro da capacidade de público autorizada".

A Live Nation não respondeu se pretende alterar algo na organização dos dois próximos shows.

A dica é: A primeira barreira é para todos, independentemente do setor. Ao passar por ela e se aproximar do estádio, oriente-se pelas placas com os números do portão, peça ajuda aos orientadores de público e procure pelo final da fila, onde sempre há um orientador para fazer uma nova confirmação de que você está na fila correta.

Cambistas até no acesso restrito

A reportagem presenciou uma grande quantidade de cambistas oferecendo compra e venda de ingressos ainda antes da primeira barreira de identificação de público. Muitos agiam perto de policiais militares presentes no local.

Outros estavam atuando já bem próximo ao estádio, após a barreira. A promessa era de que o possível comprador só pagasse pelo ingresso quando já estivesse dentro do show, via PIX ou transferência bancária.

A Secretaria de Segurança Público do Estado de São Paulo afirmou ao Estadão, por meio de nota, que "atua na prevenção de crimes, na preservação da ordem pública e na intervenção diante de infrações penais e situações de risco". Diz também que, no dia do show, prestou apoio à operação no entorno do estádio, com efetivo de policiamento de trânsito.

Já a Prefeitura de São Paulo esclareceu que a Subprefeitura Butantã fiscaliza o comércio irregular durante os dias de show no estádio de forma integrada com a Guarda Civil Metropolitana (GCM), com 120 agentes no total. Informou ainda que dois indivíduos foram detidos e conduzidos ao 89º Distrito Policial por Estelionato/Fraude.

A Live Nation não comentou a presença de cambistas entorno do estádio.

O cambismo, a prática de vender ingressos por preço superior ao valor original, é um ato ilegal, considerado crime contra a economia popular pela Lei nº 1.521, de 1951, e pela Lei nº 10.671, de 2003 (que estabelece o Estatuto de Defesa do Torcedor).

A dica é: Nunca compre ingressos de cambistas. Você não terá a garantia de que se trata de um bilhete verdadeiro.

Cinco barreiras e revista dentro do Morumbis

Para acessar o estádio, o fã passa por cinco barreiras: três para mostrar o ingresso, uma para a revista e a última para colocar uma pulseira que indica o setor do qual faz parte. O Estadão presenciou um grupo de mulheres, já na saída do show, relatando que a revista foi falha. Uma delas afirmou que a segurança sequer pediu para que ela abrisse a bolsa. Ela se mostrou preocupada que a falha pudesse acarretar insegurança dentro do estádio.

Procurada, a Live Nation não se manifestou sobre esse tema em específico.

A dica é: Fique atento ao que pode e não pode ser levado para o show e sempre colabore com a revista feita pela equipe de segurança.

O caminho até a estação de metrô na saída do show

Era esperado que um grande número de pessoas fosse caminhando em direção à estação de metrô São Paulo-Morumbi, a mais próxima do estádio. O trajeto tem cerca de 1 km em linha reta, pela Avenida João Jorge Saad. A duração a pé, em dias sem jogos ou shows, é de 15 a 20 minutos. Com o grande fluxo, o tempo chega a 30-35 minutos.

Na quarta-feira, 28, parte do trajeto estava às escuras. A Prefeitura de São Paulo não explicou o motivo da falta de iluminação no local.

Outro problema enfrentado pelos pedestres foi ter que disputar o espaço da via com carros e ônibus de transporte particular. Apenas três quarteirões da avenida estavam interditados. As demais ruas até a estação estavam liberadas para os carros. A reportagem do Estadão não viu nenhum agente da CET no local para organizar o fluxo de carros e outros veículos.

A Prefeitura afirma que a CET está monitorando o trânsito no entorno do Morumbis nos dias dos shows da banda e afirma que, além do público dentro do estádio, está havendo uma concentração de pessoas no seu entorno acima do habitual. Afirmou ainda que 118 agentes de trânsito foram destacados para atuar na quarta-feira e que 127 trabalharão no local nesta sexta-feira e 82 no sábado. A Prefeitura não explicou por que carros e pedestres tiveram que disputar espaço na via, mas afirma que nenhum incidente foi registrado.

No trajeto havia a presença de agenciadores de carros de aplicativo e de táxis, que ofereciam viagens por preços fechados, sem o uso da tarifa estipulada pelos aplicativos ou pelo taxímetro. Também havia oferta de transporte coletivo não oficial. A prática é ilegal, mas estava ocorrendo perto de policiais militares.

A Prefeitura disse ao Estadão que age, por meio do Departamento de Transportes Públicos (DTP), para coibir a prática do transporte clandestino na cidade e que, de janeiro a setembro, 2.356 veículos foram autuados por apresentar algum tipo de irregularidade e 84 foram apreendidos por realizar transporte de passageiros de forma clandestina.

A reportagem também presenciou uma menina, menor de idade, acompanhada pela mãe e por amigas, que se deu conta de que havia tido o celular furtado de dentro de sua bolsa em meio à multidão que caminhava para a estação de metrô. A Polícia Militar de São Paulo não respondeu se foram registradas ocorrências de furtos na região.

Na quinta-feira, 29, durante a inauguração de um mural no Autódromo de Interlagos, o Prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, falou brevemente sobre a questão do grande fluxo de pessoas no na região do Morumbis em função do show do BTS. Disse que os problemas ocorreram em virtude da grande quantidade de pessoas e que "nunca tinha ouvido falar de BTS".

A dica é: Mantenha a calma ao caminhar na multidão e, se possível, esteja acompanhado. Tome conta de seus pertences. Evite aceitar ofertas de táxi e carros de aplicativo por preço fechado e evite o transporte clandestino.

A dificuldade de acessar a Estação São Paulo-Morumbi

Depois do trajeto, a dificuldade era entrar na estação de metrô. O espaço afunila e, em alguns momentos, houve empurra-empurra. Não havia funcionários da Motiva, policiais militares ou agentes da Prefeitura ou do Governo do Estado para orientar a entrada na estação. Também não foram instaladas grades de contenção para organização de filas.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo afirmou que a orientação dos passageiros, a organização das filas e o controle de acesso à estação São Paulo-Morumbi são responsabilidades da concessionária da Linha 4-Amarela.

A Equipe Tática da Linha 4-Amarela, munida de escudos e cassetetes, fazia uma linha na porta de entrada, liberando ou restringindo o acesso de acordo com a lotação da estação.

Em nota, a Motiva, concessionária que administra a Linha 4-Amarela (da qual a estação São Paulo-Morumbi faz parte), afirmou que, na quarta-feira, 28, transportou 816.815 clientes - o maior movimento diário desde o início da pandemia, superando o recorde anterior, de 788.616 clientes, registrado em 4 de março de 2026. Por isso, como faz em jogos e grandes eventos, estruturou uma operação diferenciada e planejada com antecedência, com a intensificação de agentes e a presença de sua Equipe Tática para garantir a segurança dos usuários.

A nota diz que a Linha 4-Amarela "lamenta os transtornos decorrentes do tempo adicional de espera". Diz ainda que o controle gradual de acesso é uma medida preventiva para evitar aglomerações excessivas, sobretudo na área de embarque.

A Linha 4-Amarela, no entanto, não respondeu se fará alguma mudança em sua estratégia para os shows do BTS marcados para esta sexta-feira e sábado.

A dica é: Fique atento ao entrar na estação. Há uma escada (que estava molhada e com muito lixo) e mais escadas para descer até a área de embarque.

Não há pagamento por aproximação, presença de cambistas de tickets de metrô e excesso de pessoas

Dentro da Estação São Paulo-Morumbi, devido ao grande número de pessoas, formaram-se grandes filas para passar pela catraca. Dois funcionários, um deles munido de um megafone, tentavam orientar os passageiros. Não era possível fazer o pagamento do bilhete diretamente na catraca via aproximação com cartões de débito, crédito ou carteiras digitais. Era preciso ter um bilhete impresso ou digital, ou o Bilhete Único. A concessionária Motiva afirmou ao Estadão que a Linha 4-Amarela não dispõe de pagamento por aproximação.

A reportagem também presenciou a ação de dois "cambistas" oferecendo bilhetes de metrô dentro da estação, no túnel que dá acesso ao embarque. Eles agiam livremente - não havia seguranças ou funcionários da Motiva por perto. O preço cobrado por eles variava de R$ 15 a R$ 20, quase quatro vezes o valor da passagem, que custa R$ 5,40. Questionado pela reportagem sobre o valor cobrado, o cambista afirmou que tinha um "chefe" que estipulava quanto devia ser cobrado. Ele tinha uma grande quantidade de bilhetes nas mãos.

Enquanto esperava na fila que durou cerca de uma hora para comprar o bilhete - duas bilheterias estavam disponíveis -, a reportagem presenciou esse mesmo homem passar por três vezes em direção à área próxima à bilheteria e ao embarque para retornar e continuar as vendas. Não foi possível ver para onde exatamente ele ia ou se abastecia seu estoque de bilhetes.

A reportagem questionou de maneira informal o único segurança que estava do lado de fora do embarque, de costas para a bilheteria e de frente para a catraca. Ele disse que desconhecia a ação do cambista e que não sabia se ele ia buscar bilhetes com alguém. Pediu a descrição do homem e, diante da insistência da reportagem ao afirmar que havia algo irregular, disse que a bilheteria era "do governo". Questionado, então, se não seria de responsabilidade da concessionária o que ocorre dentro da estação, o segurança respondeu: "Boa viagem, senhor", apontando para a área das catracas.

A reportagem também questionou outro funcionário, do lado de dentro do embarque. Ele afirmou que a concessionária já havia identificado e coibido a venda de bilhetes por um cambista em outra ocasião e disse não saber onde ele conseguia tantos bilhetes.

Em nota enviada ao Estadão, a Motiva afirmou que o comércio informal de passagens não é permitido e que orienta sua equipe de segurança a coibir a prática. Fora da estação - onde também havia venda ilegal -, segundo a empresa, a responsabilidade é do poder público. A reportagem questionou a Polícia Militar e o Governo de São Paulo sobre o tema, mas não obteve resposta.

A dica é: Compre antecipadamente seu bilhete de metrô, seja impresso ou por aplicativo. Tenha paciência na espera e cuidado nas escadas. Evite comprar bilhetes vendidos fora da bilheteria. O embarque, nos dias de show, é permitido até 0h30.