Uma menina que sonha em escrever literatura de cordel encontra um universo onde sereias, duendes, reis e personagens dos contos de fadas dividem o mesmo palco. É a partir desse encontro entre a cultura popular nordestina e a fantasia de Hans Christian Andersen que “Sonho Encantado de Cordel, o Musical” chega a Belém neste sábado (17), às 20h, e domingo (18), às 16h e às 19h, no Theatro da Paz. A montagem reúne 14 atores, cantores e multi-instrumentistas, dez canções inéditas compostas especialmente para o espetáculo e uma homenagem à carnavalesca Rosa Magalhães, que faleceu em 2024, aos 77 anos.
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Antes de chegar à capital paraense, a peça passou por Manaus, Boa Vista e Macapá, na atual etapa de circulação. Para a diretora Thereza Falcão, a expectativa é estabelecer em Belém a mesma conexão com o público das cidades anteriores.

“Esperamos emocioná-los como nas primeiras cidades dessa terceira turnê. Que se vejam na história de Rosa Cordelista e na busca pela realização do seu sonho. Que os adultos lembrem dos contos de Andersen que conheceram na infância e possam trocar impressões com suas crianças”, declara. A turnê também tem apresentações confirmadas em Rio Branco, São Luís, Maceió e Vitória.
Entre o cordel e os contos de fadas
O musical é livremente inspirado no enredo “Uma Delirante Confusão Fabulística”, desenvolvido por Rosa para o desfile da Imperatriz Leopoldinense no carnaval de 2005, em homenagem ao escritor dinamarquês Hans Christian Andersen. A montagem, no entanto, apresenta uma nova abordagem para esse universo.
“Criei então a Rosa Cordelista, uma menina filha de mãe solo, que, apesar da vida dura e sem recursos, sonha em ser cordelista. Como o cordel é um estilo que mistura épocas, personagens reais e fantasia, Rosa se encontra com o jovem Andersen que, assim como ela, lutava para realizar seu sonho de escritor”, explica Thereza.
Juntos, os dois atravessam aventuras com figuras de histórias como “A Pequena Sereia”, “A Rainha da Neve”, “O Soldadinho de Chumbo” e “O Rouxinol e o Imperador”. Nesse mundo, diferentes monarcas disputam o título de Maior Monarca de Todos os Tempos, enquanto a protagonista descobre novas possibilidades para sua trajetória.
Para Thereza, a combinação entre essas narrativas e a tradição do cordel permite aproximar personagens de épocas e origens distintas, sem perder o vínculo com os temas que atravessam as histórias. “Então, fazemos nevar no palco e levamos a plateia para o fundo do mar, por exemplo, procurando trazer cenicamente o encanto que essas histórias carregam”, afirma.
Trilha sonora
A música é parte central dessa construção. As dez composições inéditas são assinadas por Paulinho Moska, Chico César e Zeca Baleiro, enquanto Marcelo Alonso Neves responde pela direção musical, pelos arranjos e pela trilha incidental.
“Do momento em que o pano abre, procuramos envolver e surpreender a plateia a cada minuto”, diz Thereza.
A encenação reúne mais de dez cenários e 50 figurinos, concebidos por Rosa Magalhães e executados sob a condução de Mauro Leite, parceiro de criação da artista. “Para nós, e para mim que a conheci e tanto trabalhei com ela, é uma honra e uma oportunidade como criadora. Falar de Rosa sempre me emociona”, diz a diretora do espetáculo.
Thereza acrescenta que a equipe procura preservar, a cada apresentação, características que marcaram a trajetória da carnavalesca. “Seu trabalho se destacou pela beleza, pela criatividade e pela comunicação com o público. Nos esmeramos a cada apresentação para que o espetáculo tenha essas propriedades dela”, acrescenta.
Amizade, justiça e esperança
A atriz Carol Romano, que interpreta o duende Dedé, vê na relação entre os personagens uma das chaves para compreender a história. Para ela, a narrativa ultrapassa o universo dos contos de fadas ao abordar vínculos afetivos e a luta por justiça. “O que mais me encanta é que o Cordel é, sobretudo, uma história sobre amor. Não o romântico, mas a amizade”, afirma.
Dedé integra o grupo de duendes da Rainha da Neve e divide a trajetória com Dudu. Embora ocupem uma posição subordinada no reino, os dois não aceitam passivamente as regras que lhes são impostas. “Eles são rebeldes e lutam por justiça deles e dos que estão ao seu redor”, explica Carol.
A atriz também destaca a participação das crianças durante as sessões. Segundo ela, a reação da plateia costuma ser calorosa, com os pequenos acompanhando a narrativa e interagindo com o que acontece no palco.
“Apesar de ser classificado como infantil, o Cordel é um espetáculo para toda família. Da criança ao idoso: podem esperar um espetáculo alegre, colorido, divertido, cheio de música e encanto; capaz de despertar esperança mesmo num dia difícil! A arte nos salva todos os dias; esta é a mensagem na peça”, afirma.
No elenco, Elizandra Souza interpreta Rosa Cordelista, enquanto Guilherme Carvalho dá vida a Hans Christian Andersen. Adriana Lessa interpreta a mãe da protagonista e a Rainha da Neve; Agnes Brichta é a sereia Ariel; Carlo Porto assume os papéis do Rei Vaidoso e do Soldadinho; e João Attuy interpreta o Imperador Sábio e Netuno.
Também participam Ananda K, Danni Marinho, Emily Oliveira, Fábio D’Lélis, Fernanda Misailidis, Lívia Feltre, Marcela Coelho e Julia Nogueira, que interpreta o Rouxinol em Belém e São Luís. Sara Chaves viveu Rosa nas apresentações em Manaus, Boa Vista e Macapá.
Serviço:
- Local: Theatro da Paz - Avenida da Paz, Praça da República, S/N, Campina, Belém – PA
- Sessões: 17 e 18 de outubro, sábado, às 20h, e domingo, às 16h e 19h
- Ingressos: de R$ 25 a R$ 120, vendas no site https://www.ticketfacil.com.br/tp-sonho-encantado-de-cordel-o-musical.html
- Classificação etária: livre

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