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CULTURA

Theatro da Paz referenda a Amazônia como Patrimônio Mundial da Unesco

Em noite histórica em Belém, a cerimônia da entrega desse título traz um novo olhar para essa centenária casa de espetáculos no contexto amazônico

Eduardo Rocha

6 de novembro de 2026 às 22:55

Aos 148 anos de história e cultura na Amazônia, o Theatro da Paz recebeu o título oficial de Patrimônio Mundial da Unesco

Aos 148 anos de história e cultura na Amazônia, o Theatro da Paz recebeu o título oficial de Patrimônio Mundial da Unesco ( Foto: Cristino Martins / O Liberal )

Ao sediar ela própria a cerimônia, na noite desta sexta-feira (6), em que dirigentes federais, estaduais e municipais, além de uma plateia numerosa, se reuniram com representantes da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para a entrega do título de Patrimônio Mundial ao Theatro da Paz, essa casa centenária de espetáculos confirmou o seu papel histórico e cultural como referência da Amazônia. A cerimônia contou com pronunciamentos e apresentações musicais, para marcar o momento simbólico na trajetória  desse espaço cultural e histórico, inaugurado em 15 de fevereiro de 1878, ou seja, há 148 anos de história.

Em 27 de julho deste ano, o Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco aprovou a candidatura conjunta do Theatro da Paz e do Teatro Amazonas (MA). Essa candidatura havia sido formalizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em parceria com o Ministério da Cultura  e o Ministério das Relações Exteriores, mediante a colaboração das Secretarias de Cultura do Pará e do Amazonas. 

A coordenadora do Setor de Cultura da Unesco, Isabel de Paula, destacou que o reconhecimento dos “Teatros da Amazônia” como Patrimônio Mundial pela Unesco ultrapassa fronteiras. “Significa que não é só um bem importante para Manaus, para Belém, mas também para o Brasil e para o mundo, porque ele agora adquire o status internacional de patrimônio mundial, ou seja, é um bem que tem importância para o mundo todo”.

Momento em que o título de Patrimônio Mundial da Unesco é entregue ao Theatro da Paz, no centro de Belém
Momento em que o título de Patrimônio Mundial da Unesco é entregue ao Theatro da Paz, no centro de Belém (Cristino Martins / O Liberal)

Para a conquista desse título, como frisou Isabel, contou a beleza da arquitetura dos dois teatros, “mas também a relação histórica com um ciclo importante da Amazônia, que foi o Ciclo da Borracha”. “Além disso, por serem teatros que mantêm, que perpetuam uma diversidade cultural da Amazônia, a força criativa da Amazônia. São teatros vivos em que também o patrimônio imaterial, as manifestações artísticas estão presentes”, pontuou Isabel de Paula. Ela disse que o título serve para trazer, visibilidade e atrair investimentos, e que é um dever das esferas do poder público zelar pela manutenção das características únicas desse bem. “O Theatro da Paz é magnífico”, enfatizou a dirigente da Unesco.

O secretário de Estado de Cultura, Bruno Chagas, ressaltou ser o recebimento do título a “consolidação daquilo que todos nós já sabemos que é a contribuição da nossa cultura para todo o mundo”. “O Theatro da Paz não recebe esse certificado apenas por seus aspectos arquitetônicos, mas por ser realmente uma culminação de todas as expressões culturais do nosso estado, da região amazônica, conjuntamente com o Teatro Amazonas. Eles representam, acima de tudo, a nossa mais pura expressão cultural, artística, identidade da Amazônia”.

Theatro da Paz Título de Patrimônio da Unesco / Fotos: Cristino Martins / O Liberal
Fotos: Cristino Martins / O Liberal
Fotos: Cristino Martins / O Liberal

“Nós temos cultura”

Para o presidente do Iphan, Deyvesson Gusmão, este momento mostra a atuação de se trazer o reconhecimento daquilo que representa a diversidade cultural do Brasil. “Quando se tem esse reconhecimento dos ‘Teatros da Amazônia’, a gente está dizendo também para o mundo que a história da Amazônia importa, que esses lugares são importantes não só para compreender a Amazônia e o Brasil, mas para compreender a diversidade cultural no mundo todo”.

 O Iphan coordenou o processo de candidatura dos dois teatros junto à Unesco, em parceria com diversas instâncias governamentais  e a sociedade civil.

Gusmão pontuou que esses teatros contam muito sobre a história da urbanização, das artes e da sociedade da Amazônia, sobre qual era o projeto de civilização, qual era o projeto de Brasil que se tinha. “A gente tem que utilizar esses dois espaços para dizer qual é o nosso projeto de Brasil hoje. Que eles sejam também ícones para a cultura dos ribeirinhos, dos povos indígenas, dos

povos de matriz africana, ícone de culturas periféricas. Como a gente traz essas culturas e as várias identidades que a gente tem na Amazônia para dentro desses teatros, para que elas também alcancem o grande palco. Esse é um caminho importante para gente conseguir, de fato, socializar o patrimônio”, arrematou Deyvessom Gusmão.

O diretor do Theatro da Paz, escritor e dramaturgo Edyr Augusto Proença, celebrou o momento histórico, destacando que "de hoje em diante o Theatro da Paz e o Amazonas têm uma visualização mundial da importância delas. "É a primeira vez na Amazônia que nós temos um título desta importância. Nós teremos ajuda da Unesco no que diz respeito à programação, a obras e ao entorno deste teatro", disse. "Nós temos cultura, nós temos o que apresentar e estamos agora como patrimônio histórico cultural do mundo", acrescentou Edyr.

O prefeito de Belém, Igor Normando, destacou que a entrega do título ao Theatro da Paz significa “reconhecimento, orgulho e a certeza de que Belém, o Teatro da Paz celebram não só essa beleza que nós enxergamos à vista, mas principalmente toda a história que conta por trás e por dentro desse teatro fantástico”. A cerimônia contou com shows da Amazônia Jazz Band, Warilou, Sayonara, Gigi Furtado e Grupo Parafolclórico Flor da Amazônia. Participaram da programação a superintendente do Iphan  no Pará, Cristina Vasconcelos, e a arquiteta e escritora Jussara Derenji, ela que atuou nos estudos referentes à candidatura do Theatro da Paz a Patrimônio Mundial da Unesco.