Um dos principais cartões-postais de Belém, o Theatro da Paz chega aos 148 anos como a primeira casa de espetáculos construída na Amazônia e o maior teatro da região Norte. Com cerca de 744 lugares, acústica reconhecida por artistas, lustres de cristal, obras de arte e detalhes revestidos com folhas de ouro, o edifício também guarda parte da memória afetiva dos paraenses. Nesta sexta-feira (6), essa trajetória ganha um novo capítulo: o teatro recebe oficialmente o título de Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em cerimônia aberta ao público, a partir das 19h.
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A programação terá apresentação da Amazônia Jazz Band, com participação das bandas Warilou e Sayonara e da cantora Gigi Furtado. O Grupo Parafolclórico Flor da Amazônia também se apresenta no hall de entrada. A entrada é gratuita, com retirada de ingressos na bilheteria a partir das 16h, limitada a duas unidades por pessoa. Haverá ainda visitas guiadas gratuitas, das 9h às 12h e das 14h às 17h, mediante retirada prévia de ingresso.
O reconhecimento foi concedido em candidatura conjunta com o Teatro Amazonas, em Manaus (AM), sob o título “Teatros da Amazônia”. A decisão foi anunciada durante a 48ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, em Busan, na Coreia do Sul. Os dois edifícios, construídos durante o Ciclo da Borracha, foram reconhecidos por sua relevância histórica e arquitetônica e pela combinação entre referências neoclássicas e elementos da identidade amazônica.
Para o diretor do Theatro, Edyr Proença, o título amplia o alcance de uma história que começou no século XIX. “Em 1878, ele representava o anseio da sociedade na época do ‘boom’ da borracha e mostrava a riqueza e o fausto, com companhias de ópera que vinham e passavam meses se apresentando. Ao longo do tempo, tornou-se um equipamento cultural de grande importância, símbolo das artes locais e orgulho dos paraenses”, afirma.

Segundo ele, o reconhecimento coloca o teatro e a Amazônia em evidência internacional, aproximando a região de novos circuitos de turismo e arte. “Sendo a primeira vez que a região chega a um destaque como esse”, destaca.
Da história da borracha ao patrimônio mundial
O Theatro da Paz foi inaugurado em 15 de fevereiro de 1878, durante o auge da expansão da atividade seringalista na Amazônia. Projetado pelo engenheiro militar José Tibúrcio de Magalhães, teve como referência o Teatro alla Scala, de Milão, na Itália, e incorporou elementos da arquitetura neoclássica.
O nome inicialmente escolhido seria Theatro Nossa Senhora da Paz, em referência ao término da Guerra do Paraguai, contemporânea à construção. A denominação foi questionada por um bispo local, que considerava inadequado utilizar o nome de uma santa em um espaço sem finalidade religiosa.
A influência europeia aparece nos materiais e na decoração do prédio. O hall reúne arcos e elementos decorativos importados, enquanto a escadaria é de mármore italiano. O lustre veio da França e o espaço também abriga bustos de mármore de Carrara dos escritores José de Alencar e Gonçalves Dias. Entre os artistas que passaram pelo palco estão o compositor Carlos Gomes, com a ópera “O Guarani”, e a bailarina russa Anna Pavlova.
Para Nilo Nunes, coordenador-geral da Gestão do Theatro da Paz, o título também deve ampliar a compreensão sobre o patrimônio para além do edifício. Em Belém, o componente reconhecido inclui o teatro e a Praça da República, com o Parque João Coelho e a Praça da Sereia. “A experiência do patrimônio não começa apenas quando entramos no Theatro. A chegada, a paisagem, as perspectivas do edifício e sua relação com os espaços públicos ao redor também fazem parte dessa leitura”, explica.

Nunes ressalta que a história do monumento precisa ser relacionada aos processos sociais e econômicos que marcaram a região. “Quem entra no Theatro da Paz normalmente é impactado primeiro pela beleza. Mas a visita não pode terminar nela. O Theatro está ligado a um período profundamente marcado pela economia da borracha, e essa história começa muito antes dos salões. Ela passa pela floresta, pelos rios, pelo trabalho dos seringueiros, dos trabalhadores da construção, dos artesãos e de muitas outras pessoas que fizeram parte das transformações vividas pela Amazônia naquele período”, afirma.
O coordenador também destaca a importância de incluir a história dos povos indígenas nessa interpretação, considerando suas contribuições e os impactos daquele processo. Para ele, o reconhecimento internacional abre espaço para apresentar uma narrativa mais ampla, que contemple não apenas os monumentos, mas também as pessoas que tornaram sua existência possível.
“Acho que esse é um dos pontos mais importantes desse reconhecimento: mostrar que a Amazônia também pode ser compreendida pela arte, pela arquitetura, pela cidade e pela cultura”, enfatiza.
SERVIÇO
Celebração do título de Patrimônio Mundial do Theatro da Paz
- Data: Sexta-feira (6)
- Horário: 19h
- Local: Theatro da Paz, em Belém
- Entrada: Gratuita
- Ingressos: Retirada na bilheteria a partir das 16h, com limite de dois por pessoa.
- Visitas guiadas: Das 9h às 12h e das 14h às 17h, com retirada prévia de ingressos na bilheteria.
- Atrações: Amazônia Jazz Band, Warilou, Sayonara, Gigi Furtado e Grupo Parafolclórico Flor da Amazônia.
