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ESTREIA

'Dom de Iludir' da Netflix tem Marieta Severo, Alice Wegmann e Nanda Costa

Nova produção brasileira retrata dramas da elite carioca, segredos familiares e redes de manipulação sob a direção-geral de Mauro Mendonça Filho

Bruna Dias Merabet

28 de outubro de 2026 às 08:00

Marieta Severo, Alice Wegmann e Nanda Costa vivem Lúcia, Maíra e Irina em nova série da Netflix

Marieta Severo, Alice Wegmann e Nanda Costa vivem Lúcia, Maíra e Irina em nova série da Netflix ( Foto: Divulgação / Netflix )

Com estreia marcada para esta quarta-feira (28), a série Dom de Iludir é a nova aposta brasileira da Netflix. A obra é estrelada por Marieta Severo no papel de Lúcia Rossetti, Alice Wegmann como Maíra e Nanda Costa como Irina, e tem direção-geral de Mauro Mendonça Filho.

A trama acompanha uma colecionadora de arte de alto poder aquisitivo da elite carioca, que enfrenta conflitos de relacionamento com a filha, Maíra, entre dramas e mentiras familiares.

“Eu trouxe um pouco essa mística do Rio de Janeiro, uma cidade que é deslumbrante e linda, mas cheia de paradoxos. Completamente, é um paradoxo completo, do começo ao fim. E essa é a nossa vida, a gente vive esse paradoxo constantemente. Quis colocar isso na série também, que tem o máximo do glamour e o máximo também da bandidagem. As duas coisas juntas, ética e bandidagem ao mesmo tempo”, conta Mauro Mendonça Filho.

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Diante do surgimento de uma doença misteriosa na jovem, Lúcia recorre à terapeuta espiritual Irina para fazer um tratamento. Nesse momento começam os desdobramentos que ameaçam as relações familiares e expõem as estruturas sobre as quais o estilo de vida da família foi construído.

“Fala-se muito em família e às vezes como um escudo, um amor, como orgulho. Mas família envolve muita coisa, às vezes, opressão, valores incríveis e bastante questionáveis”, pontua Mauro.

Nesse contexto familiar, de acordo com a Netflix, nenhum dos personagens é exatamente o que aparenta em um primeiro momento. Assim, a própria Maíra pode não ser a jovem indefesa que aparenta, além de não desempenhar um papel totalmente passivo em sua relação com Lúcia.

“São conexões tóxicas. São muitas conexões, realmente; são famílias que se amam tanto uma quanto a outra, você vê que tem uma conexão amorosa ali muito forte, uma consciência do valor da vida familiar, seja ela encarada como for, mas com muitas dificuldades, quer dizer, com muitos terrenos muito nebulosos, muito estranhos, muito duvidosos. Então é muito bom você abordar essas duas vidas familiares de maneiras tão ricas, tão complexas. Tem uma complexidade ali nas duas famílias de atitude, de postura de vida, de maneira de exercer o afeto. É um terreno muito vasto, que acho que é muito bem abordado”, explica Marieta Severo.

“Tem uma rigidez, eu acho, nessa família, como se fosse tanto nos Rossetti quanto nos Petrov, que tem essa coisa da idealização da família, de como tem que ser, do meu jeito, tem que seguir, tem que fazer. O pai tem muito isso, ele é um grande manipulador da família, ele fala: amo a família e a família tem que ser assim. Ele tem um jeito ali muito controlador, muito aprisionador, muito tóxico. E a família funciona dessa forma, mas é muito bonito ver a relação também da Irina com a irmã. Elas tiveram a mesma educação, elas sofreram uma perda e chega em algum momento que a sensação que dá é que o amor vence”, acrescenta Nanda Costa.

Lúcia Rossetti (Marieta Severo) é uma colecionadora de arte que mantém controle obsessivo sobre a vida da filha, Maíra (Alice Wegmann), acamada por uma doença misteriosa. Juntas, elas vivem uma relação turbulenta, marcada pelo limite entre o afeto e o sufocamento.
Lúcia Rossetti (Marieta Severo) é uma colecionadora de arte que mantém controle obsessivo sobre a vida da filha, Maíra (Alice Wegmann), acamada por uma doença misteriosa. Juntas, elas vivem uma relação turbulenta, marcada pelo limite entre o afeto e o sufocamento. (Divulgação / Netflix)

Para Alice Wegmann, a trajetória da personagem e sua relação com Irina constroem uma proximidade baseada em pontos em comum, especialmente na identificação de conflitos e vivências familiares semelhantes: “Eu acho que tem um lugar que a Maíra e a Irina se encontram, que é nesse campo de ter duas figuras autoritárias muito fortes em cima delas. A Irina tem o Bóris e a Maíra tem a Lúcia. Acho que em algum lugar isso causa uma rachadura, uma ferida nas duas e elas se encontram ali, nesse lugar de vulnerabilidade, talvez, não sei. Eu acho que elas se envolvem por outros motivos e isso é quase um ímã para as duas. Mas acho essas relações todas muito simbióticas, assim, as pessoas se misturam ali dentro das duas casas, apesar das diferenças de classe social, de criação, de tudo.”

O elenco da produção reúne outros nomes do audiovisual brasileiro e internacional. O ator José de Abreu interpreta Bóris Petrov, contracenando com Luciana Paes, que dá vida a Bárbara Petrov. O núcleo de personagens inclui ainda atuações de Felipe Camargo, Laila Garin, Heloisa Jorge, Allan Souza Lima, Jonas Bloch, Yanna Lavigne, Rosanna Viegas e Rui Ricardo Diaz, no papel de Nilo, além dos atores Giovanna de Jesus, José Mata, Thiago Justino, Hamilton Dias e Laura Vick.

O paraense Phellipe Marques também integra o elenco de Dom de Iludir, interpretando um policial civil.

“Por ser uma série fechada assim você tem a enorme vantagem de já ter ela inteira na sua mão; quando você vai fazer já sabe todo o percurso do seu personagem, até onde ele vai, o que, inclusive, é revelado no final da história e que serve de motivação para a construção do personagem. Isso é que é maravilhoso para um ator ao fazer uma obra fechada, digamos, porque você vai lidar com todas as nuances, toda a complexidade, tudo o que faz parte do bojo daquele personagem”, explica Marieta.

Bóris Petrov (José de Abreu) comanda a família Petrov, que tem em Irina (Nanda Costa) a peça central dos segredos da trama, contando com o apoio de Bárbara (Luciana Paes) e Nilo (Rui Ricardo Diaz)
Bóris Petrov (José de Abreu) comanda a família Petrov, que tem em Irina (Nanda Costa) a peça central dos segredos da trama, contando com o apoio de Bárbara (Luciana Paes) e Nilo (Rui Ricardo Diaz) (Divulgação / Netflix)

“Para mim a maior surpresa foi trabalhar com essas atrizes maravilhosas, porque acho que foi o que a Marieta falou, a gente já tem o arco da nossa personagem, a gente já consegue imaginar através do texto muita coisa, mas a gente depende muito sempre do que o outro dá. E trabalhar com essas duas era sempre um atravessamento, uma surpresa, uma coisa. Tinha horas que eu estava fazendo cena com a Marieta e com a Nanda que eu esquecia que estava fazendo cena, só ficava olhando para elas”, acrescenta Alice.

Nanda Costa revelou que a velocidade em que os fatos ocorrem ao longo do roteiro traz essa vontade de saber o que vai ocorrer em seguida: “Era uma sede de querer saber, uma curiosidade gigante. E, ao mesmo tempo, depois na leitura, quando a gente faz a primeira leitura com o elenco inteiro, e ouvindo Marieta e Alice, que eu já sabia que iam arrasar muito, mas quando você escuta aquela voz, eu falei: ‘meu Deus, como é que eu vou enganar essas duas’. Porque no roteiro estava tudo certo, só que, muitas vezes, a gente se juntava, tipo, eu, o Zé de Abreu, a Luciana Paes, a gente se juntava ali, a família na quadrilha, aquela família que ia fazer essa coisa acontecer”.