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PROTAGONISMO

Dira Paes destaca arquétipo do matriarcado e sertões brasileiros em nova novela

Em coletiva, artista paraense fala sobre sua personagem em "Lá na Minha Terra", inspirações na literatura nacional e conexões com a própria infância no Pará

Bruna Dias Merabet

23 de outubro de 2026 às 12:38

Personagem de Dira Paes retrata a força da mãe solo brasileira e o resgate da própria história

Personagem de Dira Paes retrata a força da mãe solo brasileira e o resgate da própria história ( Foto: Globo/ Beatriz Damy )

A atriz paraense Dira Paes está de volta ao horário das seis da TV Globo como protagonista. A personagem, segundo ela, vai ter muita gente se reconhecendo. Em “Lá na Minha Terra”, com estreia em 9 de novembro, a atriz interpreta Rosenda Madeira, mulher que criou cinco filhos sozinha na fictícia Lavra Seca, no Nordeste do Brasil, depois que o marido, Severino (Daniel de Oliveira), foi tentar a vida em São Paulo, há mais de 15 anos, e nunca mais deu notícias.

Em coletiva de imprensa, com a presença do Grupo Liberal, a artista falou sobre as suas inspirações e sobre a sociedade matriarcal: “Esse é o arquétipo de grande parte das brasileiras, então é um arquétipo da mãe. Da mãe solo que não tem escolha, que segue o fluxo da vida, e a minha inspiração foi nessas mulheres que conheço, muitas delas de quem já estive perto. Eu consigo me conectar também dessa forma com esse olhar sobre o mundo, sobre a sociedade que é matriarcal, onde as mulheres são o alicerce da família. E, ao mesmo tempo, quando a gente vai para a literatura, esse arquétipo aparece várias vezes como a Mãe Coragem, determinada a dar conta de seus filhos e da sua própria vida.”

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Do núcleo da cidade fictícia de Lavra Seca, onde apresenta um Nordeste com estética nova, a trama traz os causos dessa pecuarista. Dira destaca que esse sertão apresentado na novela faz um paralelo não só com a região, mas com os diversos “sertões brasileiros”, incluindo a Amazônia nesse contexto.

“A gente fala de grandes obras literárias do Brasil, mas esses sertões que não são só nordestinos, são sertões desse Brasil inteiro. Quando a gente vai para Minas, a gente vê esse sertão retratado em Guimarães Rosa; quando a gente vai para o Pará, a gente vê o sertão marajoara retratado em Dalcídio Jurandir; quando a gente vai para o Nordeste, a gente tem Euclides da Cunha, a gente tem Ariano Suassuna. Então, eu vejo que também é um...”, pontua Dira.

A artista, nascida em Abaetetuba, no nordeste paraense, traz para a sua personagem essa carga. Em maio de 2026, a Universidade Federal do Pará (UFPA) concedeu a Dira Paes o título de Doutora Honoris Causa e, em 2027, ela será enredo de Carnaval da escola de samba Boêmios da Vila Famosa, com "Bravíssimo, Dira Paes!".

“Eu sinto que eu pisei na terra, nadei nos igarapés. A gente esperava a água encher, é tudo muito lindo. Que infância, que privilégio! Saber brincar de boulle com sementes, aprender a pegar os corantes naturais... Quanta coisa lúdica, foi muito lindo. Apesar dessa conexão com a terra, eu fui uma criança extremamente urbana. Eu sei que os meus traços me conectam muito com essa ludicidade que eu tive”, pontua.

“A Rosenda me reconecta com esses momentos prazerosos, do meu pé na terra. Eu, acho que ela tem os pés na terra”, acrescenta.

Na narrativa, conforme os filhos crescem e tomam seus próprios rumos, Rosenda passa a experimentar um distanciamento do papel materno e um resgate de sua individualidade, acompanhado por um sentimento de solidão. Diante do cenário, a personagem decide mudar o rumo de sua vida e parte para a capital paulista em busca do paradeiro de Severino.

"Quando a novela começa, já se passaram esses 15 anos de espera, e vamos acompanhar o despertar dessa mulher e sua busca pela verdade", finaliza a atriz.