Entre desaparecimentos, segredos, amizades e descobertas, o suspense e o thriller têm encontrado espaço entre leitores jovens. A circulação de indicações literárias pelas redes sociais ampliou a divulgação de títulos e aproximou autores e leitores, especialmente no segmento young adult (YA), voltado principalmente ao público adolescente e jovem adulto. É nesse cenário que a escritora paraense Beatriz Vieira Rocha, de 25 anos, lançou seu primeiro livro, “O Último Verão no Lago”, um suspense que acompanha quatro amigas diante de um acontecimento que muda a trajetória do grupo. VEJA MAIS 'Domingueira' reúne cultura e lazer gratuitos neste domingo em Icoaraci; veja as atrações Vem pro Rolê, Nega Lora, Mariza Black, Banda Mega Pop Show e DJ Dieguinho estão entre as atrações da programação Evento Multiverso Geek + Conecta 2026 traz artistas e comunicadores de cultura pop a Belém nspirado no conceito de “Expansão de Domínio”, popularizado pelo anime Jujutsu Kaisen, o evento visa transformar a capital paraense em um território dedicado à cultura pop Michel Pinho realiza aula pública sobre a história do Círio neste domingo (27) O percurso de aproximadamente 1h30 vai abordar a origem da devoção mariana e espaços históricos relacionados à celebração Morando há dois anos em São Paulo, Beatriz chegou às livrarias com uma história voltada para leitores de aproximadamente 14 a 20 anos. Na trama, Clara, Rafa, Lívia e Bianca, em 2005, enterram uma cápsula do tempo às margens de um lago. Poucos dias depois, durante uma festa de fim de ano, Nina desaparece. Dez anos mais tarde, o reencontro das amigas faz com que lembranças, culpas e segredos voltem à superfície. A história se desenvolve a partir de fitas, bilhetes e acontecimentos do passado que precisam ser reconstruídos pelas personagens. Para Beatriz, o suspense permite tratar de questões comuns à adolescência sem precisar apresentá-las de maneira direta. “A adolescência é uma fase cheia de segredos, inseguranças, amizades que mudam, primeiras experiências e situações que, naquele momento, parecem enormes. O mistério acaba funcionando muito bem para representar isso”, explica. Entre mistério e vida real Antes de transformar histórias em livros, Beatriz começou a escrever por diversão. O incentivo à leitura veio da família e, durante a adolescência, ela passou a produzir fanfics. Foi nesse período que percebeu o interesse pela criação de personagens e narrativas. A ideia do livro de estreia, no entanto, surgiu a partir de outra referência: o jogo “Lost Records: Bloom & Rage”, que despertou na autora ideias relacionadas a amizade, memórias e um acontecimento capaz de mudar a vida de um grupo de garotas. “Eu não queria escrever apenas uma história de mistério em que os personagens servissem como peças para descobrir quem fez o quê. Eu queria que eles tivessem uma vida além do mistério”, afirma Beatriz. Segundo ela, essa construção aproxima a narrativa da experiência dos jovens porque os acontecimentos não aparecem isolados das demais questões da vida. “Ao mesmo tempo em que alguma coisa pode estar acontecendo, você continua lidando com amigos, escola, família e sentimentos”, diz. Para a escritora, o suspense também permite que situações extremas funcionem como ponto de partida para discutir sentimentos presentes na vida cotidiana. “Em um thriller, por exemplo, você pode ter um desaparecimento ou um segredo como parte da história, mas, ao mesmo tempo, está falando sobre confiança, culpa, amizade, medo e sobre as consequências das escolhas”, afirma. Leitores nas redes A relação com o público também acontece fora das páginas. Beatriz mantém contato com leitores pelas redes sociais e utiliza esses espaços para mostrar o processo de escrita, conversar sobre os livros e acompanhar as reações às histórias. “Hoje você consegue apresentar seu livro para pessoas que talvez nunca encontrassem o seu trabalho em uma livraria. TikTok, Instagram e outras plataformas ajudam muito nesse sentido, porque permitem que o próprio autor mostre não só o livro, mas também quem está por trás dele”, afirma. O contato com os leitores acompanha uma trajetória que já começa a ganhar novos capítulos. “O Último Verão no Lago” chegou à semifinal do Prêmio Aberst de Literatura, e Beatriz prepara um segundo livro para novembro deste ano. Do suspense ao romance O novo livro, “Intercâmbio com Meu Ídolo”, será um romance jovem adulto ambientado entre intercâmbio, Nova York, fotografia, música e uma boyband que marcou a adolescência da protagonista. A história acompanha Maya, que viaja para Nova York com a melhor amiga para passar um ano estudando. Durante o período, ela recebe a oportunidade de fotografar justamente a banda que admirava na adolescência. A narrativa mantém o foco no público jovem, mas deixa o suspense de lado para explorar relações amorosas e novas experiências. “É um livro mais leve e romântico, apesar de ainda ter conflitos e algumas situações que mexem bastante com os personagens”, adianta Beatriz.