Ran, palavra japonesa, quer dizer caos, desordem. Esse caos pode surgir, de uma hora para outra, na vida de uma pessoa, uma família, um país. Grandes escritores e grandes cineastas debruçaram-se sobre essa temática atrelada ao poder, às relações de poder, e produziram obras emblemáticas. É o caso, por exemplo, do filme "Ran", do cineasta japonês Akira Kurosawa. Em 1985, esse nome sagrado da arte do cinema inundou as telas dos cinemas no mundo com esse trabalho apontado por muita gente como um dos principais legados de Kurosawa e um dos melhores filmes de todos os tempos. Essa película, em cópia restaurada em 4K, volta a ser exibida em uma tela de cinema, desta vez no Cine Líbero Luxardo, no Centur, no centro de Belém, às 18h30 desta quinta-feira (1º). Após a sessão, o público participa de um debate sobre o filme. Tudo como parte da Sessão Cult Debate, da Associação de Críticos de Cinema do Pará (ACCPA). A iniciativa reafirma uma das principais tradições da crítica cinematográfica paraense: estimular o público a não apenas assistir aos filmes, mas também pensá-los, debatê-los e compartilhar diferentes experiências de leitura do cinema, como repassa a ACCPA. Essa tradição remonta ao cineclube da então Associação Paraense de Críticos de Cinema (APCC), criado em 1967, que promoveu sessões, debates e cursos de cinema em diferentes espaços de Belém. A experiência cineclubista contribuiu para a formação de novos públicos e para a construção de um pensamento crítico sobre o cinema como arte. "Ran" reestreia com cópias restauradas em 4K no Brasil nesta quinta-feira (1º). O filme tem roteiro assinado por Hideo Oguni e Akira Kurosawa (livremente inspirado na tragédia "Rei Lear", de William Shakespeare. Conta com 2 horas e 42 minutos de duração e reúne no elenco principal Tatsuya Nakadai, Akira Terao, Mieko Harada e Masayuki Yui. Na trama de "Ran", um idoso e poderoso senhor da guerra, de nome Hidetora Ichimonji (Tatsuya Nakadai), chefe do clã Ichimonji, em pleno Japão feudal do século XVI, toma a decisão de abdicar do poder e dividir seus domínios entre seus três filhos: Taro Takatora (Akira Terao), Jiro Masatora (Jinpachi Nezu) e Saburo Naotora (Daisuke Ryu). Taro fica com a chefia do feudo, as terras e a cavalaria. Os outros dois, Jiro e Saburo, ficam com alguns castelos, terras e o dever de ajudar e obedecer Taro. Diante da iniciativa do pai, o filho mais novo, Saburo, alerta que a divisão é insensata e que os irmãos vão trair Hidetora. Isso acaba resultando em seu banimento imediato, e, então, irrompe uma guerra fraticida. Hidetora acaba sendo levado à loucura e à ruína por completo. Na telona " 'Ran' é um dos maiores filmes da história do cinema. Na realidade, o Akira Kurosawa é um dos grandes mestres do cinema. Desde os anos 40, ele nos brindava, digamos assim, com grandes filmes. No filme, ele fala sobre conflitos éticos, políticos, culturais em um mundo meio perdido, parecido com o nosso, a partir de uma história que acontece no Japão feudal. Então, assim, é um filme profundamente maravilhoso, visualmente maravilhoso. É um filme que foi exibido lá nos Cinemas 1 e 2, em Belém, nos anos 1980 (salas coordenadas por Alexandrino Moreira). E, naquela época, ele foi eleito um dos melhores filmes do ano pela Associação de Críticos", conta Marco Antonio Moreira, presidente da ACCPA. "O filme, durante algum tempo, rodou nas salas de cinema e, depois, ficou em DVD, no caso, VHS, DVD, e agora ele está voltando com uma cópia restaurada em 4K, dando oportunidade para muita gente que não viu o filme no cinema. 'Ran' é um filme para ser assistido no cinema; a dimensão, o tamanho, a magnitude das imagens, pede uma grande tela de cinema. Então, ele está sendo relançado em diversos países, em 4K, e, aqui, que bom que o Líbero Luxardo vai dar essa oportunidade de uma geração que não conhece o filme ou não assistiu no cinema, vai ter essa chance agora. E vamos ter o debate após a exibição do filme", arremata Marco Antonio. Serviço: Sessão Cult Debate ACCPA: 'Ran", de Akira Kurosawa' Em 1º de outubro de 2026, às 18h30 No Cine Líbero Luxardo, na av. Gentil Bittencourt, 650. Belém (PA)