Ronaldo Brasiliense conta em 'Relatos da vida real' nuances do jornalismo investigativo na Amazônia
Lançamento do livro marca 50 anos de profissão de Ronaldo será neste domingo (27), a partir das 9h, na Banca do Alvinho, na Praça da República
"Jornalismo não é profissão para covardes”. A afirmação do jornalista Ronaldo Brasiliense, um dos nomes dessa prática, notoriamente no cunho investigativo, revela o lema com que ele encarou a profissão ao longo de 50 anos de atuação. Para celebrar essa conquista e compartilhar memórias e aprendizado com o público, Ronaldo lança neste domingo (27), das 9h às 13h, na Banca do Alvinho, na Praça da República, em Belém, o livro “Relatos da Vida Real”.
Ronaldo conta que completou 50 anos como jornalista em 26 de agosto último. “Neste dia, em 1976, tive minha Carteira de Trabalho assinada pela primeira vez no jornal O Liberal, o maior da Amazônia, sob o comando, então, do visionário empresário da comunicação Romulo Maiorana”.
“Foram 50 anos de muita luta, iniciando como repórter da Editoria de Esportes, dirigida na época pelo saudoso Walmir Botelho. Percorri, então, uma carreira de repórter investigativo que começou no meio de uma ditadura militar comandada pelo general Ernesto Geisel, até chegar hoje na democracia plena dirigida pelo líder operário de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva”, destaca Ronaldo.
Escarafunchar histórias
“Relatos da vida real” é o primeiro livro de Ronaldo Brasiliense. “O livro é uma, digamos assim, ‘quase memória’, viagem histórica por episódios que marcaram minha trajetória ao longo de cinco décadas, começando pela barbárie: o assassinato do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Tomé-Açu, Benedito Alves da Silva, o Benezinho, e a posterior chacina de seus assassinos, retirados na marra de uma Delegacia de Polícia, por uma população revoltada, e mortos a pauladas numa tradução literal do milenar Código de Hamurabi: Olho por olho, dente por dente”.
“Mais do que exibir reportagens premiadas nacionalmente, o livro mostra as muitas dificuldades enfrentadas pelos jornalistas neste continente chamado Amazônia para produzir informação confiável numa região conhecida mundialmente pelos assassinatos no campo em conflitos pela posse da terra, pelas invasões das terras indígenas e suas graves consequências, como o extermínio de várias etnias; os desmatamentos sem freios na maior floresta tropical úmida do mundo, o avanço da pecuária extensiva, com a derrubada da mata virgem para o plantio de capim, e o ataque de milhares de garimpeiros em unidades de conservação, destruindo igarapés, córregos, nascentes, lagos e rios”, destaca o jornalista.
“Isso sem falar na centenária grilagem de terras públicas, na consolidação da indústria mineral e o avanço inexorável do agronegócio, principalmente com o plantio de soja e milho, devorando a floresta pelas bordas”, salienta Ronaldo.
Dessa forma, destaca-se a série de reportagens "Desastres ambientais na Amazônia", publicada em 2025 no jornal O Liberal, que ganhou o Prêmio Ampla de Jornalismo e, também, o Prêmio Sindmineral.
“ ‘Relatos da vida real’ é uma produção independente e, sobretudo, um sinal de alerta em tempos de El Nino, conclamando a união de todos para salvar a Amazônia, o maior acervo de biodiversidade do planeta. Antes que seja tarde”, pontua Ronaldo Brasiliense.
Ronaldo encerrou suas atividades no jornalismo diário em dezembro de 2025. Ele conta por que se tornou jornalista. “Entrei no jornalismo por acaso, levado para um estágio por um amigo chamado Pedro Pomar Neto, que trabalhava em O Liberal, na Editoria de Esportes, e usava outro nome, Marcos Soares, para se esconder da ditadura. Jogávamos xadrez, juntos. Gostei e nunca mais fiz outra coisa a não ser jornalismo”.
Para Ronaldo, vale a pena, sim, ser jornalista, em especial, na Amazônia. “Só me arrependo do que eu não fiz. Se pudesse viver novamente minha vida, na próxima seria repórter, de novo. Trabalhar na Amazônia é um desafio, pelas distâncias e falta de logística. De Carajás para Belém, de Boeing, gasta-se uma hora. De Belém para Santarém, mais uma hora. Resumindo: você não consegue atravessar o Pará de avião em menos de duas horas”.
Em 50 anos de profissão, o jornalismo ensinou muitas lições a Ronaldo Brasiliense. “Bom mesmo é a sensação do dever cumprido. Jornalismo não é profissão para covardes. Corre-se risco. Descobrir a corrupção, denunciar a corrupção e ver o corrupto julgado, condenado e preso é um serviço que todo jornalista comprometido com a verdade presta como fiscal da sociedade civil”, afirma ele.
Quem é Ronaldo Brasiliense
Ronaldo Brasiliense nasceu em 13 de dezembro de 1958, em Belém do Pará. Começou no jornalismo aos 17 anos como repórter esportivo no jornal O Liberal, em agosto de 1976, em Belém do Pará. Em seguida, trabalhou como repórter de esportes do jornal O Estado do Pará, do qual também foi editor, de 1978 a 1979. Atuou como repórter, chefe de reportagem e editor no jornal A Província do Pará a partir de 1980 e até 1984, quando assumiu o cargo de colunista político no Jornal O Liberal. Ainda em Belém, foi repórter e chefe da sucursal da Revista Veja na Amazônia de 1986 a 1989. De lá foi para o Distrito Federal, onde foi editor-assistente da revista na sucursal de Brasília até agosto de 1990. Contratado pelo Jornal do Brasil, exerceu as funções de repórter especial em Brasília e colunista do Informe JB, no Rio de Janeiro, de 1991 a 1995. Foi editor do Caderno de Ecologia do JB durante a Rio -92.
Ronaldo Brasiliense também foi repórter especial da Revista IstoÉ; editor-especial do jornal O Estado de S. Paulo; repórter especial e colunista político do Correio Braziliense, onde foi o titular da coluna Brasília-DF entre 1997 e 1998, e correspondente do jornal O Globo na Amazônia.
De volta a Belém, foi contratado como colunista político do jornal O Liberal, onde permaneceu até dezembro de 2025 como editor da coluna Por Dentro. Ronaldo Brasiliense foi fundador e diretor-geral do jornal O Paraense e diretor-presidente da Agência Amazônia de Notícias Ltda.
O repórter Ronaldo Brasiliense venceu duas vezes o Prêmio AMB de Jornalismo, concedido nacionalmente pela Associação dos Magistrados Brasileiros. Ganhou duas vezes o Prêmio Esso de Jornalismo. O primeiro em 1998, pela revista IstoÉ, na categoria Informação Econômica, com a matéria “A conta do Proer: Bancos dão calote de R$ 10 bilhões”. O segundo, na categoria Regional Norte, recebeu em 2003, com a matéria “A impunidade dos senhores de escravos”, no jornal O Paraense.
Também ganhou em Brasília duas vezes o Prêmio OK de Jornalismo com a série de matérias sobre desastres ambientais na Amazônia. Ganhou ainda em Belém o Prêmio Aimex de Jornalismo com a matéria “O ouro verde de Okajima”, e o Prêmio Abril em 1989 com a matéria “Especial Amazônia”, publicada na Revista Veja. Ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e o Prêmio Petrobras de Jornalismo em 2017. Foi seis vezes finalista do Prêmio Esso e cinco vezes finalista do Prêmio Embratel.
Serviço:
Lançamento do livro “Relatos da vida real”,
de Ronaldo Brasiliense
Em 27 de setembro de 2026, das 9h às 13h
Na Banca do Alvino, na Praça da República,
av. Presidente Vargas com Oswaldo Cruz, em Belém (PA)
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