Transcorrem hoje, dia 25 de julho, as celebrações do Dia Internacional das Mulheres Negras Latino-Americanas e Caribenhas, data voltada à reflexão sobre o enfrentamento ao racismo, ao sexismo e às desigualdades históricas vivenciadas por mulheres negras. No Brasil, esse grupo reúne cerca de 57 milhões de pessoas, o equivalente a 28% da população, de acordo com o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apesar de representarem o maior grupo populacional do país, as mulheres negras ainda têm participação reduzida em cargos de liderança. Segundo o estudo Desigualdade de gênero em cargos de liderança no Executivo Federal e dados do Instituto Ethos, ambos de 2024, elas ocupam 15% dos cargos de maior hierarquia no Executivo Federal e 18,6% dos assentos nos conselhos de administração das 1.100 maiores empresas brasileiras.
Em Belém, o Museu das Amazônias (MAZ) apresenta um quadro de colaboradores com predominância feminina. Segundo dados do setor de Recursos Humanos da instituição, as mulheres representam 58,8% da equipe. Desse total, 70% se autodeclaram negras ou pardas.
A presença feminina está distribuída em diferentes áreas do museu. Entre as profissionais está a técnica de museografia Racquel Prudente. Para ela, integrar a equipe do museu representa a oportunidade de contribuir para uma instituição voltada à valorização da diversidade amazônica. “É gratificante contribuir para um espaço que reconhece e valoriza a diversidade dos povos amazônicos, incluindo as histórias, os saberes e a força das mulheres afro-amazônicas, a qual eu me incluo, que por muito tempo tiveram suas trajetórias invisibilizadas”, declara Racquel.
Em julho, a comunicadora paraense Camila Costa assumiu a gerência técnica do Museu das Amazônias. Natural de Belém, ela integra o Instituto de Desenvolvimento e Gestão (idg) e faz parte da equipe do museu desde sua inauguração, em outubro de 2024. Segundo Camila, assumir a nova função representa um marco em sua trajetória profissional.
“Como mulher preta, amazônida e paraense, ocupar um espaço de liderança em uma instituição que tem a missão de contar as histórias das Amazônias também é reafirmar que nossas perspectivas precisam estar presentes em todos os lugares. A diversidade fortalece a gestão cultural e contribui para que o museu seja cada vez mais representativo da pluralidade amazônica”, afirma.
Outra liderança da instituição é a museóloga paraense Gabriele Martins, coordenadora de programação, responsável pela agenda cultural e educativa do museu.
“Como mulher negra e amazônida, ocupar um espaço de liderança na programação do Museu das Amazônias representa, para mim, uma oportunidade de contribuir para que as vozes, os saberes e as culturas da nossa região estejam cada vez mais presentes e valorizados”, diz Gabriele.
Sobre o Museu das Amazônias
Inaugurado em outubro de 2025, o Museu das Amazônias é dedicado à valorização dos saberes, das culturas e das tecnologias amazônicas. Em seu primeiro ano de funcionamento, recebeu mais de 100 mil visitantes e alcançou a sétima posição entre os museus mais visitados do Brasil em 2025.
O MAZ é uma iniciativa da Secretaria de Estado de Cultura do Pará, do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet – Lei Federal de Incentivo à Cultura, e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, com concepção e implementação do Instituto de Desenvolvimento e Gestão (idg) e do Museu Paraense Emílio Goeldi.
O projeto é desenvolvido em parceria entre instituições públicas e privadas. A Vale atua como parceira estratégica, com apoio financeiro da Finep e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além de patrocínio internacional do CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina. O patrocínio nacional é da Hydro e da New Fortress Energy. O museu também conta com copatrocínio da Ipiranga e do Grupo Carrefour, além do apoio do Mercado Livre, da Ultracargo e do Grupo BID.