A arte urbana será instrumento de transformação social, valorização da cultura amazônica e formação de novos talentos no Pará. O Projeto Paredes Vivas: Identidade e Grafismo na Amazônia promoverá oficinas gratuitas de muralismo e grafite em seis municípios paraenses entre julho e agosto de 2026. A iniciativa transformará espaços públicos em galerias de arte.
Crianças, adolescentes e a comunidade em geral poderão participar das atividades, que ocorrerão em Marabá, Parauapebas, Canaã dos Carajás, Curionópolis, Ourilândia do Norte e Tucumã.
Um ônibus adaptado funcionará como ateliê itinerante, concentrando materiais artísticos e oferecendo espaço para experimentações. As aulas teóricas e práticas serão realizadas em escolas parceiras, culminando na entrega de um grande mural construído coletivamente pelos participantes e pelo artista visual Waldir Lisboa.
Oficinas de arte e identidade
Ao longo das oficinas, os participantes aprenderão sobre a história do muralismo e do grafite. Serão ensinadas técnicas de pintura com pincéis, rolos e sprays, incentivando o desenvolvimento de intervenções artísticas inspiradas na cultura, tradições e identidade de cada município amazônico.
O objetivo é mostrar como a arte pode fortalecer o sentimento de pertencimento e ocupar espaços públicos com mensagens de valorização cultural. O artista visual Waldir Lisboa, pioneiro do muralismo e do grafismo no Pará, destaca que a iniciativa é uma ferramenta de comunicação e expressão para os participantes.
“O objetivo é agregar a arte à vida dos estudantes, das pessoas que participam. Um dos objetivos é essa juventude poder tomar para si essa ferramenta, que é de grande importância na comunicação. Pode se comunicar com a comunidade através de um pincel, através de um spray. A cidade toda pode ficar conhecendo o pensamento dele. Eu acho isso fantástico”, ressaltou Waldir Lisboa.
Muralismo, grafite e grafismo indígena
Segundo o artista, o muralismo e o grafite, embora com origens distintas, compartilham o propósito de dialogar com a sociedade. “O muralismo revela exatamente o que comunica. Ele leva a história das cidades, da nossa natureza, da nossa cultura. O grafite muda a técnica, utilizando o spray, mas a história continua sendo praticamente a mesma. E o grafismo indígena entra nesse processo como uma escrita que reforça a identidade amazônica”, explicou Lisboa.
Com quase 65 anos dedicados às artes visuais, Waldir Lisboa também busca despertar novos talentos. Ele convida os participantes a embarcarem nesse “sonho” que promete “muita alegria, muita cor, muito conhecimento e muita amizade”.
Projeto em três pilares
Cristiano Aguiar, coordenador-geral do projeto, explica que a iniciativa se estrutura em três grandes eixos: formação artística, produção de murais e registro audiovisual. O primeiro pilar são as oficinas semanais em cada cidade para crianças, adolescentes e a comunidade.
Ao final das oficinas, será entregue um grande mural, realizado em colaboração com os participantes e Waldir Lisboa. O terceiro eixo consiste em um documentário que registrará toda a jornada, desde a adaptação do ônibus até a entrega dos murais, disponível gratuitamente para a população.
Uma equipe audiovisual documentará a circulação, com entrevistas, bastidores e depoimentos. O documentário de acesso gratuito preservará a memória da iniciativa e ampliará o alcance da experiência artística. O projeto é patrocinado pela Vale, via Lei Federal de Incentivo à Cultura - Rouanet, com apresentação do Ministério da Cultura.
Como participar do Paredes Vivas
As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até o dia de início do projeto em cada cidade. Serão disponibilizadas 30 vagas para o turno da manhã e 30 para o turno da tarde. O link para inscrição é:
Serviço: Datas e locais do Projeto Paredes Vivas
Confira a programação do Projeto Paredes Vivas: Identidade e Grafismo na Amazônia:
- Marabá
Período: 20 a 24 de julho de 2026
Local: EMEF São Félix
- Parauapebas
Período: 27 a 31 de julho de 2026
Local: Museu de Parauapebas Hilmar Harry Kluck
- Canaã dos Carajás
Período: 03 a 07 de agosto de 2026
Local: Núcleo de Iniciação Cultural (NIC)
- Curionópolis
Período: 10 a 14 de agosto de 2026
Local: Avenida Minas Gerais, 190
- Ourilândia do Norte
Período: 17 a 21 de agosto de 2026
Local: Escola Municipal Madre Carolina Friess
- Tucumã
Período: 24 a 28 de agosto de 2026
Local: Escola Estadual de Ensino Médio Thiago Gonçalves de Oliveira
As oficinas são gratuitas e destinadas a estudantes e à comunidade, com turmas nos turnos da manhã e da tarde.