Muito mais que um clássico do terror psicológico, o filme "O Bebê de Rosemary" (1968, EUA), dirigido por Roman Polanski, é uma aula de cinema em vários sentidos. Por isso, quem gosta da chamada Sétima Arte,não pode perder a oportunidade de conferir esse trabalho em uma tela e som de cinema no Cine CCBEU (Centro Cultural Brasil-Estados Unidos), às 18h desta quinta-feira (29). Com entrada gratuita. O filme prende a atenção do começo ao fim, com direito a um desfecho desconcertante.
Tudo isso porque "O Bebê de Rosemary" possui a capacidade de, por meio de roteiro e imagens, transformar a gravidez e a vida doméstica em uma experiência crescente de paranoia, desconfiança e horror. No filme, o casal Rosemary e Guy Woodhouse, um ator em busca de reconhecimento, muda-se para um apartamento em Nova York. Até aí, tudo bem.
Mas, a aproximação de um casal de vizinhos idosos, excessivamente atenciosos e de comportamento peculiar, começa a incomodar Rosemary. Ao engravidar, ela passa a experimentar episódios perturbadores. Ela começa, então, a desconfiar de que pessoas próximas estejam envolvidas em uma conspiração sinistra relacionada ao seu bebê. Tem início, então, a luta de Rosemary, isolada e cada vez mais assustada, para descobrir a verdade.
"O Bebê de Rosemary" foi fundamentado no romance de Ira Levin, publicado em 1967. Levin ressaltou a eficácia do suspense no filme construído em torno da gestação e da expectativa pelo nascimento. A produção é de William Castle; fotografia de William A. Fraker; música de
Krzysztof Komeda e montagem de Sam O’Steen e Bob Wyman.
Na plateia
Com 2 horas e 16 minutos de duração, o filme foi lançado nos Estados Unidos em 12 de junho de 1968 e estreou no Brasil em 21 de maio de 1969. Ele legou à atriz Mia Farrow um de seus principais papeis no cinema. Mia interpreta Rosemary Woodhouse, protagonista da história, ou seja, uma jovem grávida que passa a desconfiar de todos ao seu redor, inclusive, o próprio marido.
O marido de Rosemary é Guy Woodhouse, interpretado pelo ator John Cassavetes. Na trama, Guy é um ator ambicioso cuja carreira e decisões despertam suspeitas.
A vizinha intrometida Minnie Castevet é interpretada por Ruth Gordon. Essa vizinha aparentemente solícita torna-se um dos personagens mais inquietantes do filme.
Sidney Blackmer faz Roman Castevet, o marido de Minnie e personagem central no mistério no edifício e com relação à gravidez de Rosemary.
"O Bebê de Rosemary" conquistou a crítica e o público. No Oscar de 1969, Ruth Gordon venceu na categoria de melhor atriz coadjuvante. O filme concorreu também ao prêmio de melhor roteiro adaptado, para Roman Polanski. Essa obra se consolidou como referência do terror psicológico e foi incluída no National Film Registry dos Estados Unidos, em 2014, em reconhecimento à sua importância cultural, histórica ou estética.
Um dos atrativos de "O Bebê de Rosemary" é que o medo construído por Polanski não recorre a sustos e efeitos explícitos, mas, sim, por meio de conversas ambíguas, situações cotidianas e da crescente vulnerabilidade da protagonista.
Essa construção tem como principal expoente a interpretação de todos os atores, mas, sobretudo, de Mia Farrow. Essa atriz evidencia a fragilidade, o isolamento e angústia de Rosemary, deixando a plateia na dúvida sobre o que de fato é ameaça real ou delírio.
O filme virou referência para trabalhos nas linha mais psicológica e adulta do horror. Esse trabalho transforma o ambiente de proteção, afeto e expectativa da gravidez em um clima de opressão e medo, num trabalho singular no cinema.
Serviço:
O Bebê de Rosemary'
Exibição em 29 de outubro de 2026
Às 18h
No Cine CCBEU, na Padre Eutíquio 1309,
em Belém
Curadoria: Ismaelino Pinto
Classificação: 16 anos
Ingressos gratuito pelo Sympla

