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CULTURA

'O Agente Secreto': trilha sonora do filme ganha indicação ao Grammy Latino

Reconhecimento ao trabalho de Mateus Alves e Tomaz Alves Souza abre portas para trilhas de outros compositores brasileiros, como avalia o músico e compositor paraense Léo Chermont

Eduardo Rocha

5 de outubro de 2026 às 19:52

Mateus Alves e Tomaz Alves Souza: qualidade sonora em 'O Agente Secreto'

Mateus Alves e Tomaz Alves Souza: qualidade sonora em 'O Agente Secreto' ( Foto: Foto: Beto Figueiroa e Beatriz Didier )

O filme "O Agente Secreto", dirigido pelo cineasta Kleber Mendonça Filho, volta a brilhar no cenário internacional: a trilha sonora dessa película, assinada por Mateus Alves e Tomaz Alves Souza, acaba de ser indicada ao Grammy Latino 2026. Esse feito consagra a sonoridade do cinema brasileiro. A composição concorre na categoria Melhor Música para Mídias Visuais. A trilha pode ser escutada aqui: 

O longa-metragem "O Agente Secreto" obteve quatro indicações ao Oscar 2026 e conquistas no Festival de Cannes, Globo de Ouro e Critics Choice Awards. A indicação ao Grammy Latino 2026 confere novo fôlego da trilha na imprensa e junto ao público, reforçando o peso estético da produção.

Esse álbum instrumental, distribuído globalmente pela ONErpm, atua como um pilar fundamental do thriller ambientado no Recife da década de 70 e ajuda a traduzir o clima de vigilância, tensão e paranoia característico da Ditadura Militar no Brasil.

A dupla Mateus Alves e Tomaz Alves Souza manifestou-se acerca da indicação da trilha sonora ao Grammy. "Que surpresa maravilhosa a indicação ao Grammy Latino! A gente está muito feliz e quer dividir a indicação com todo o departamento de música d’O Agente Secreto. Agradecer especialmente a Kleber, Emilie e a toda a equipe do filme e dizer que nossa parceria continua trazendo muita alegria. Muito obrigado".

Construção criativa

A trilha de "O Agente Secreto" une o modalismo e as referências da música regional nordestina a técnicas contemporâneas da música instrumental e experimental. Na construção da atmosfera de suspense dos anos 1970, Alves e Souza utilizaram equipamentos e instrumentações da época, aliando sintetizadores analógicos a arranjos orquestrais complexos, divididos entre naipes de metais, sopros e violoncelos.

As gravações e a mixagem foram realizadas por Eelco Bakker no STMPD RCRD Studios, sob uma supervisão musical conduzida entre Recife e Amsterdã. O resultado dialoga diretamente com as canções brasileiras e internacionais que integram a pesquisa do filme, criando uma camada contínua de imersão.

Mateus e Tomaz também assinam a trilha original do aclamado "Bacurau" (2019), também de Kleber Mendonça Filho. Antes da indicação ao Grammy Latino 2026, a música de "O Agente Secreto" já havia sido premiada na categoria de Melhor Música Original no Prêmio Platino, além de receber indicações no Prêmio Grande Otelo.

Andy Vieira, Label Manager/Project Manager do projeto na ONErpm, ressalta: "A grandeza única e valor cultural imensurável que essa obra tem para a nossa música e para o nosso cinema é de se emocionar e merecia um cuidado quase que artesanal. Cuidamos de cada detalhe com o máximo rigor, garantindo que toda a riqueza da produção chegasse com fidelidade aos curadores das lojas. Embora a indicação ao Grammy Latino tenha sido recebida pelos compositores como uma grande surpresa, por aqui nós acreditávamos no potencial desde o primeiro momento. Abraçamos esse projeto com tanta entrega que dava para sentir, desde os primeiros passos, que não se tratava de um lançamento comum e havia uma força ali que anunciava que coisas incríveis estavam por vir". 

Projeção

Na avaliação do músico, compositor e produtor cultural paraense Léo Chermont, do Estúdio Floresta Sonora, que trabalha com trilhas sonoras, "essa indicação ao Grammy Latino mostra que está abrindo portas; se a gente tem agora essa indicação para a trilha de 'O Agente Secreto' isso é excelente para gente, é muito bom ver o trabalho abrindo, indo longe". "Lógico, que a gente faz esse trabalho pelo filme, pelo amor ao som, mas as premiações têm a sua importância, e é importante estar ocupando esses locais com músicos e artistas brasileiros", completa.

Léo conta que o processo dele de compor trilhas sonoras veio amadurecendo nos últimos cinco anos, ou seja, como tinha muita música instrumental, muita gente manifestava a intenção de usar músicas desse compositor em filmes. Mas, depois, Léo passou a ser chamado para assinar trilhas sonoras originais.

E, assim, ele assinou as trilhas do longa "Eu, Nirvana", do documentário "Xingu: nosso rio sagrado", e ele está como trilha sonora adicional em "O Último Azul", que conquistou o Urso de Prata em Berlim. Léo Chermont acabou de trabalhar em oito faixas da trilha de um filme mexicano "Seis Meses no Edifício Azul e Branco" e trabalha, agora, em um documentário sobre o seringueiro e líder ambiental Chico Mendes.