O cantor Buchecha lançou o álbum de músicas inéditas Liberta, DJ – Vol. 1. O trabalho marca o retorno do artista ao lançamento de um repertório autoral inédito após 12 anos do álbum Adesivo (2014). Em conversa com o Grupo Liberal, o artista disse que esse projeto é um retorno ao romantismo característico do seu trabalho. “Hoje, nesta época tão atualizada, em que tudo é muito corrido, as pessoas voltaram lá atrás para regravar e fazer uma nova roupagem dessas músicas, usando o samba como exemplo. Isso não aconteceu no funk. Então, a princípio, eu me reuni com a galera que trabalha comigo para fazer um movimento similar: pegar o Claudinho & Buchecha da antiga, as coisas da dupla, e, de repente, fazer uma nova roupagem com os feats, com os novos artistas de agora e tal. Mas o meu filho e a minha filha, Giulie Oliveira e CeeJay, que são muito ligados hoje em dia ao TikTok, são influenciadores, são atores, dubladores, têm uma carreira artística também, falaram: ‘Pô, vamos fazer músicas novas, mas com as nuances da dupla, com aquelas melodias de Claudinho & Buchecha, mas com as temáticas atuais’. E chamamos artistas também da nova era para integrar o álbum. E foi assim”, disse Buchecha. O projeto Liberta, DJ será lançado em dois volumes e traz, nesta primeira etapa, parcerias com MC Maneirinho, Xamuel, Ceejay, MC GW, Puterrier e PK. A divulgação começou em agosto com o lançamento do single “O Bonde Passou”, gravado em parceria com MC Maneirinho e DJ 2F. O álbum reúne sonoridades da trajetória de Buchecha com tendências do funk contemporâneo. A faixa “Adidas com Nike”, gravada com Xamuel, retoma a vertente do funk melódico característico da dupla Claudinho & Buchecha. O trabalho traz também as faixas “Incandescente” (com Ceejay), “Libidinosa” (com MC GW), “Sapato Apertado” (com Puterrier), “Surto de Filáucia” (com PK) e a faixa solo “Incondicional(mente)”. A produção musical do álbum é assinada por Umberto Tavares, DJ 2F e pela produtora Mousik. “Primeiro, a gente vai nas pessoas que a gente, de alguma forma, ouve ou gosta, ou... A gente tem um time, né? Eu tenho uma equipe gigantesca que trabalha junto comigo na Musique e na A-B. E a gente montou esse time e esse time também vai apontando, ó, 'pô, fulano de tal é legal'. Às vezes eu nem conhecia o trabalho, o grande acervo do artista. Mas aí tem os toques, as pessoas falam: 'pô, grava fulano, fulano tem'”, aponta. Buchecha fala sobre a parceria com Xamuel, que é MC, rapper e influenciador digital brasileiro. Ele viralizou nacionalmente em 2023 por meio de batalhas de rima: “Ele é um menino quebrador de tabus, porque é do trap, do rap, é um cara da cena da música considerada underground, mas que, na verdade, já passou disso, porque está estourado. Toda a galera do trap faz shows em grandes palcos hoje em dia, mas ele veio dessa cena. E o trap, a cena do rap, tem sempre uma galera com um diálogo mais politizado, mais fechado e tal. No entanto, o Xamuel se apresenta maquiado, com delineador, e levanta essa bandeira. Ele é um cara que consegue falar para as massas para além do público do rap e do trap.” VEJA MAIS Cantor Buchecha fala sobre hit dedicado a menina de 12 anos: 'Eu tinha 15 anos' A música gerou polêmica Cantor Buchecha ganha camisa do Remo e afirma: 'Eu curto muito assistir aos jogos desse gigante' O cantor postou a foto vestindo a camisa azulina na rede social 'Nosso Sonho': Buchecha comemora produção de filme sobre ele e Claudinho A dupla se tornou conhecida nos anos 1990 em todo o Brasil Como citado por Buchecha, esse álbum vem para falar de amor com as diversas gerações, sejam as que estão ouvindo agora o artista ou as que já conhecem o trabalho dele. “O amor hoje em dia está muito revanchista, né? Hoje é assim: você me traiu, vou te trair também. E aí está uma coisa muito assim: se você não ficar comigo, eu vou para a rua beber. Está diferente. O amor hoje procura uma solução que outrora, nos anos noventa, pelo menos a gente acho que sofria um pouco mais, a gente ficava, a gente se permitia sofrer por amor. Então acho que... mas também é amor, é amor de uma outra forma, é uma reação, cada um reage à dor do seu jeito. Mas eu acho que ainda cabe, acho que o amor, de certa forma, nunca sai de moda, digamos assim. Acho que dá para a gente pegar a história de amor de Claudinho & Buchecha que a gente fazia, aquelas histórias mais românticas, e misturar hoje com esse amor mais contemporâneo. Dá para fazer um misturado, um 'bem bolado', digamos assim.” Enquanto Buchecha une referências dos anos 1990 à sonoridade atual em seu novo projeto, a canção “Nosso Sonho”, de sua autoria, voltou a ganhar destaque nas redes sociais. No TikTok, uma tendência reúne vídeos em que pessoas são abordadas de surpresa para cantar o trecho da música que cita bairros do Rio de Janeiro. “Eu comecei escrevendo essa música com um pouco da minha história com a Rosana, a minha única esposa. Quando ela tinha doze anos, eu tinha quinze. Eu era um menino começando a escrever a sua história de amor, o seu primeiro amor. Eu nunca imaginei que ela se tornasse esse sucesso. Mas, sinceramente, acho que todo esse movimento é muito por conta do filme. Em 2023, quando foi lançado o filme da dupla, Nosso Sonho, que é o nome da música em que se conta parte da nossa história com todas as licenças poéticas, esse filme foi superimportante para nós, porque colocou a dupla num patamar diferenciado. Se você for observar, nós vamos ver que poucos artistas têm, como é que se diz, a alegria e a oportunidade de ter uma cinebiografia sua sendo contada, seja num livro, num documentário ou numa sala de cinema, como foi a de Claudinho & Buchecha. A gente teve dois documentários, teve livro e teve, agora, o filme. Eu acho que esse movimento foi muito importante, e hoje rolam essas trends todas aí: ‘Eu decorei a tabuada, a tabela periódica eu não sei, mas eu sei: Na Praça da Playboy, em Niterói...’ E é muito bacana eu poder vivenciar isso no auge dos meus cinquenta e poucos anos. Estou muito feliz, mas eu não imaginava... não imaginava que a minha música, que essa canção pudesse atravessar a linha do tempo, a barreira do tempo, e pudesse me render tantos louros como hoje eu colho por ter composto essa música. Estou muito feliz. Acho que a gente estava falando de amor: o meu primeiro amor dura até hoje”, finaliza Buchecha.