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PODCAST

Alceu Valença abre o coração e fala sobre sucesso, ditadura militar e música

'Saí do Brasil porque era uma maneira de pelo menos respirar o ar da democracia', comentou o cantor

Redação Integrada com informações da assessoria

31 de agosto de 2019 às 15:29

( Foto: Reprodução/Instagram )

Com um forte sotaque nordestino e voz doce e brincalhona, Alceu Valença conta toda a sua trajetória, principalmente a musical, no Essenciais, podcast original da Deezer. Ao longo de quase quarenta minutos, quinze músicas são usadas como linha do tempo e fio condutor da conversa que tem mediação da jornalista Roberta Martinelli.

Alceu Valença faz uma viagem sonora: mistura e parte de muitos lugares do nosso Brasil - como Recife, Rio de Janeiro e São Paulo - e voa até o exterior, aterrissando em países como França, Portugal e Estados Unidos. Apesar do vasto conhecimento e cultura acumulados ao longo de seus 73 anos de idade, o artista encanta com sua humildade.

Apesar de ter nascido com paixão e um pézinho hereditário na música, o que realmente fez com que o garoto rodeado de familiares que tocavam viola, violão, bombardino e bandolim virasse cantor foi o deslumbramento pelo palco: aos quatro anos participou pela primeira vez em um concurso musical em São Bento do Una, em Pernambuco, sua cidade natal, cujo prêmio era uma caixa de sabonete. "Na minha alma, o que ficou real mesmo foi esse negócio do aboio, toadas, violeiro, sanfoneiro, tá entendendo? Isso é o meu São Bento do Una e a cultura popular do Recife", diz.

Alceu estudou Direito, mas somente porque seu pai não queria que fosse artista - dois de seus doze irmãos eram músicos e já tinham passado por muito perrengue na vida. Assim que terminou a faculdade, entregou o diploma na mão de seu Décio Valença, pediu o dinheiro que ele havia gastado com a festa e o anel de formatura e foi seguir seu sonho.

De estagiário no Jornal do Brasil a jogador na Seleção Pernambucana Juvenil de basquete, Alceu já era expert em networking antes mesmo da palavra entrar para o vocabulário moderno. Por causa de um colega de um time de basquete adversário, Alceu foi para a França e, lá, por meio de contatos que fez com músicos e jornalistas influentes, sua carreira decolou.

"Eu saí do Brasil também porque era a época da ditadura militar - vi muitas coisas que aconteceram aqui com amigos, tinha muita gente presa… Pô, era uma maneira de, pelo menos, respirar o ar da democracia na França. Mas eu não estava exilado, não", relata. Assim que a abertura do Brasil é retomada, Alceu retorna para tentar respirar o ar da democracia por aqui também.

O artista volta a falar na ditadura ao comentar a música 'Bobo da Corte', na qual faz referência a uma pessoa presa e torturada durante o regime militar mesmo não tendo vínculo com o assunto ou grupos procurados na época. É aqui que ele cita a frase em latim, ditada por Cícero, um advogado romano que destruiu a conspiração de Lúcio Sérgio Catilina para derrubar a república.

O ícone da MPB conta todas as outras histórias por trás de seus sucessos - dentre elas, 'Le Belle De Jour', 'Recife' 'Tropicana' e 'O Sertão Precisa É Disso', que faz parte da trilha sonora do filme que ele mesmo produziu em 2016, "A Luneta do Tempo". Não vamos dar mais nenhum spoiler para você correr e ouvir o próprio Alceu contando suas histórias - mas daremos um conselho que ele mesmo passou: "nem tão maluco, nem tão pragmático", é assim que a vida deve ser.

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