“A Amazônia não nasceu pronta, ela foi acontecendo e ainda acontece”. A frase que abre uma das experiências da exposição “Amazônias no Plural” resume a proposta de uma viagem pela formação, pelos saberes e pelas diferentes manifestações culturais da região. É nesse percurso que o público poderá mergulhar a partir da próxima semana, quando o Museu das Amazônias (MAZ), em Belém, reabrirá suas portas. Na sexta-feira (30), o espaço recebeu a imprensa e convidados para uma visita guiada pela Amarílis Lage, coordenadora de exposições do MAZ, que antecipou as novidades antes da abertura oficial, marcada para quarta-feira (4), no Complexo Porto Futuro.
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A entrada no MAZ é gratuita, mediante retirada antecipada de ingresso pela Sympla. As reservas começam neste sábado (31), no site da plataforma.
Viagem pela diversidade amazônica
Com mais de 950 metros quadrados, a mostra de longa duração reúne diferentes formas de apresentar a região. Texturas, sons, cores, cheiros, fotografias, vídeos, projeções em video mapping, com participação especial da Gang do Eletro, e jogos interativos compõem o percurso, que aborda desde a formação geológica até os saberes e as tecnologias dos povos tradicionais, passando por migrações, modos de vida, alimentação e manifestações artísticas. A proposta é apresentar a diversidade amazônica para além da dimensão biológica.
“Existe uma unidade. A arquitetura conversa com esse território: a forma por onde você anda remete à arquitetura local, assim como as paredes e a tinta, produzidas com materiais da região”, explica Joice Ferreira, curadora de “Amazônias no Plural”.
A exposição foi desenvolvida a partir de mais de dois anos de pesquisa. Segundo ela, o percurso aproxima ciência, arte e criatividade. “O que vemos hoje, essa floresta tão diversa e essa diversidade cultural, é produto de uma história de mais de 60 milhões de anos”, afirma.

Cerâmica e memória ancestral
Na Sala da Oralidade, um mural de cerâmica em barro assinado pelo artista e ceramista marajoara Ronaldo Guedes reúne desenhos inspirados nos saberes, personagens e processos ligados à produção cerâmica na Ilha do Marajó e no Pará.
A obra representa as gerações que desenvolveram técnicas de transformação da argila em cerâmica e reúne referências às pessoas envolvidas na produção, à circulação da matéria-prima entre comunidades e aos tesos de terra preta. “Esse painel representa todos os que vieram antes de mim e desenvolveram a tecnologia de transformar a argila em cerâmica, ajudando a construir a história dos nossos ancestrais. É um trabalho que registra e ancora a nossa história e ressalta uma tecnologia extremamente amazônica, que é um patrimônio nosso”, explica Guedes.
O percurso inclui ainda um memorial dedicado a defensores da Amazônia, entre eles a missionária Dorothy Stang, o jornalista Dom Phillips, o indigenista Bruno Pereira e o bispo Dom José Luis Azcona.
Pantanal em imagens
Outra novidade é “Água Pantanal Fogo”, mostra-manifesto fotográfica instalada no mezanino, em uma área de 500 metros quadrados. Com imagens de Luciano Candisani e Lalo de Almeida, a exposição apresenta diferentes paisagens do Pantanal. Enquanto Candisani registra a presença da água no bioma, Almeida documenta os impactos dos incêndios de 2020 e 2024. A mostra aborda a escassez hídrica, os efeitos do fogo sobre a fauna e a flora e as relações ambientais entre o Pantanal e a Amazônia.
Após a reabertura, o museu funcionará de quinta-feira a terça-feira, das 10h às 18h, com última entrada às 17h. Às quartas-feiras, ficará fechado para manutenção. Visitas em grupo devem ser agendadas com pelo menos uma semana de antecedência pelo e-mail atendimento.maz@idg.org.br.
