Exposição na capital paraense celebra 30 anos da queda do muro de Berlim

A alemã Barbara Wolff registrou a vida cotidiana nos lados oriental e ocidental, pouco antes da reunificação

Enize Vidigal

A exposição “Fotografias de dois Estados Alemães”, da alemã Barbara Wolff, homenageia os 30 anos da queda do muro de Berlim. A data comemorativa transcorre neste sábado, 9. O muro cortou o país ao meio por três décadas, criando os estados ocidental e oriental.

A divisão política imprimiu terror à população, com muitas pessoas tendo sido assassinadas por tentarem transpor a chamada "cortina de ferro", que era vigiada noite e dia por militares fortemente armados. Nessa mostra, Barbara retrata a vida cotidiana nos dois lados do muro, no período antes da queda, entre os anos de 1980 e 1990.

A exposição teve início na quinta-feira, 7, e permanecerá aberta à visitação até o próximo dia 27, na Galeria Ruy Meira, na Casa das Artes, das 9h às 17h, com entrada franca.

A Alemanha sob a 'cortina de ferro' foi registrada pela exposição de Bárbara Wolff (Bárbara Wolff/ Divulgação)

As lentes de Barbara Wolff revelam os traços biográficos da autora, que nasceu em 1951 e cresceu no lado oriental, mas se mudou para o ocidental em 1985, quatro anos antes da queda do muro. "Existia uma não-liberdade na parte oriental, porém, na ocidental o que regia era o capital, que, de certa forma, também deixa um sentimento de não-liberdade", descreve.

Ela não assistiu à derrubada do muro, mas vivenciou a expectativa coletiva, da qual também fazia parte, de sair da Alemanha Oriental. Segundo ela, sem esse sentimento da população, não teria havido a queda do muro. "Muita coisa mudou na Alemanha. A princípio, houve uma grande alegria em toda a parte, a reunificação foi uma grande coisa, sem intervenção militar, foi realmente uma revolução pacífica trazida pelo povo. Mas depois ficou claro que o alinhamento dos sistemas econômicos não seria rápido e o sentimento alemão de comunidade ainda deixa a desejar".

Em fotos monocromáticas, ela estampa a leitura humanista e artística de personagens da vida real na Alemanha reunificada. "O foco da minha atenção como fotógrafa não se limita ao tempo antes ou depois da queda do muro. Sempre me interessei pela vida em geral. A convivência e a relação com o ambiente.

Exposição 'Fotografias de Dois Estados Alemães' fica aberta até o dia 27 na Galeria Ruy Meira (Bárbara Wolff/ Divulgação)

A minha fotografia não é documental. Deixo que as impressões tenham um efeito sobre mim e tento processá-las à minha maneira", descreve. O peso realístico das é reforçado pelas imagens em preto e branco que , segundo ela, "tem uma abstração e leva mais ao conteúdo. Devido à falta de cor não há tanta distração nas fotos. Para mim é a forma mais honesta de fotografar".

Recém-chegada a Belém, a alemã revela - por meio de uma tradutora, já que não fala português - que ficou encantada com as mangueiras da cidade, que considerou maravilhosas. "A atmosfera cultural da cidade é muito interessante. A localização no delta do Amazonas é fantástica e eu gostaria de conhecer isso ainda mais".

Barbara também fará uma palestra e uma oficina de fotografia. Na palestra, que será na sexta-feira, 8, às 19h, ela vai falar sobre a formação e experiência profissional na Alemanha e apresentar outros trabalhos fotográficos autorais. Já na oficina, no sábado, 9, das 10h às 17h, Barbara pretende estimular os alunos a acessarem a essência individual por meio da fotografia. Durante a oficina serão produzidas, expostas e discutidas séries de auto-retratos entre os participantes com o uso de câmeras digitais ou de celular.

Parte das fotografias dessa mostra fazem parte da exposição que foi exibida há dois anos, em Berlim, e outra parte, em um festival de fotografia na França, este ano. Em Belém, a exposição é realizada pela Fundação Cultural do Pará em parceria com a Casa das Estudos Germânicos, com apoio do Goethe-Institut e da Casa das Artes.

Agende-se:

Exposição “Fotografias de dois Estados Alemães”
Visitação: até 27/11, de 9h às 17h
Local: Galeria Ruy Meira, na Casa das Artes (Praça Justo Chermont, 236, Nazaré)
Entrada franca

Cultura
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