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CULTURA

Mostra 'Brasil Ancestral' revela em artefatos saberes originais indígenas

Exposição será aberta no SESC em Castanhal nesta segunda (19) e poderá ser visitada até 11 de novembro

Eduardo Rocha

19 de outubro de 2026 às 08:00

Artefatos indígenas compõem a mostra 'Brasil Ancestral' promovida pelo Sesc em Castanhal

Artefatos indígenas compõem a mostra 'Brasil Ancestral' promovida pelo Sesc em Castanhal ( Foto: Fotomontagem com fotos de divulgação )

Um objeto pode revelar nuances da trajetória de um povo ou povos muito mais do que se possa rotineiramente imaginar. Isso porque a construção desse objeto ou objetos traz em si muito da cultura e da história de grupos que habitam com sua própria identidade territórios diversos. É o que o público poderá ver de perto na exposição "Brasil Ancestral: povos originários em diálogo", a ser aberta nesta segunda-feira (19), a partir das 14h, no SESC em Castanhal. Nesse caso, toda a beleza e praticidade de objetos confeccionados e utilizados por integrantes de etnias indígenas da Amazônia. A mostra tem como foco valorizar a memória, a arte e os saberes indígenas. 

A exposição conta com a curadoria da escritora, multiartista, doutora e pós-doutora em Linguística, Márcia Wayna Kambeba, do povo Omágua/Kambeba. A mostra possibilita o acesso do público a artefatos de diferentes povos originários da Amazônia brasileira, colombiana e peruana. O evento vem, então, propor um encontro entre cultura, ancestralidade e educação.

Desse modo, os espectadores da mostra acessarão a um conjunto de artefatos indígenas que expressam a diversidade cultural, os conhecimentos ancestrais e as relações dos povos originários com seus territórios. 

Márcia Kambeba: objetos revelam a trajetória de povos
Márcia Kambeba: objetos revelam a trajetória de povos (Divulgação)

Olhar aprofundado

A intenção dos organizadores do evento é ampliar o olhar da sociedade sobre as culturas indígenas, reconhecendo seus conhecimentos, suas expressões artísticas e suas contribuições para a formação da sociedade brasileira.

Mais do que objetos destinados à contemplação, os artefatos presentes na mostra carregam histórias, memórias, técnicas e conhecimentos transmitidos entre gerações. Cada peça revela formas próprias de compreender e habitar o mundo, evidenciando as relações entre arte, natureza, espiritualidade, território e vida coletiva.

"Brasil Ancestral: povos originários em diálogo" busca aproximar estudantes, professores e a comunidade em geral da diversidade dos povos indígenas. Para isso, a exposição pretende contribuir para o enfrentamento de esteriótipos e para a valorização das culturas originárias na contemporaneidade por meio de palestras, rodas de conversa e atividades formativas.

Para a curadora Márcia Kambeba, os artefatos indígenas não pertencem apenas ao passado, eles fortalecem o presente. “Cada artefato guarda uma memória, um conhecimento e uma relação com o território. Quando olhamos para essas peças, precisamos compreender que existem povos, histórias e saberes que continuam vivos. A exposição é um convite à escuta, ao respeito e ao reconhecimento da diversidade indígena que constitui o Brasil”.

Sob esse prisma, a exposição traduz uma proposta de circulação cultural e formação educativa, buscando estabelecer diálogos entre os conhecimentos ancestrais indígenas e diferentes públicos. Assim, o público pode participar de uma visitação guidada à mostra de segunda a sexta-feira no horário comercial  no SESC em Castanhal. 

Como diz Márcia Kambeba, as peças reunidas na exposição não são apresentadas apenas por sua forma ou beleza. "Cada materialidade pode guardar gestos, técnicas, relações com a floresta, com as águas, com o corpo, com a vida comunitária e com os saberes transmitidos entre gerações. Ao colocar diferentes povos em diálogo, a exposição não pretende apagar suas singularidades". 

"Ao contrário: busca evidenciar que a diversidade dos povos originários se expressa também nas matérias escolhidas, nos grafismos, nos trançados, nos adornos, nos instrumentos, nos utensílios e nas formas de compreender o território. Olhar para essas peças exige, portanto, mais do que contemplação. Exige escuta", enfatiza. Márcia ressalta que "os objetos também contam histórias - histórias de mãos que fazem, de conhecimentos que circulam e de territórios que permanecem vivos na memória".

No texto de apresentação da mostra, Márcia Kambeba destaca: "Há conhecimentos que chegam pela palavra e há conhecimentos que permanecem inscritos na matéria. Uma fibra trançada, uma madeira talhada, uma pena cuidadosamente disposta, um grafismo ou um instrumento carregam escolhas, técnicas, memórias e relações construídas ao longo do tempo". 

"Em uma perspectiva de escuta, a materialidade não é silenciosa. Ela comunica. O gesto de fazer também é linguagem. A peça pode revelar modos de aprender com o território, reconhecer matérias, respeitar tempos de coleta e de preparo e transmitir conhecimentos pela observação e pela prática", ressalta. Daí, a compreensão de os objetos à mostra devem ser compreendidos em relação direta com as pessoas e com os povos que produzem e mantêm esses saberes", acrescenta a curadora. 

" 'Brasil Ancestral' propõe esse encontro sem transformar a diversidade em uma imagem única de indigeneidade. Cada povo possui história, língua, territorialidade e conhecimentos próprios. O diálogo acontece justamente porque existem diferenças", arremata Márcia Kambeba. 


Serviço:
Exposição: 'Brasil Ancestral: povos originários em diálogo'

Curadoria, organização, montagem e fotografia: Márcia Wayna Kambeba
Abertura prevista: 19 de Outubro de 2026
Encerramento previsto: 11 de novembro de 2026
Local: Sesc em Castanhal/PA
Atividades: Exposição de artefatos indígenas, palestras, rodas de conversa e ações educativas