Moda streetwear, brechós e futebol: camisas de Remo e Paysandu ganham as ruas de Belém

Peças que antes eram usadas apenas nos estádio e nas periferias ganharam espaço na moda urbana, impulsionadas pelo crescimento dos brechós, do colecionismo e da valorização da identidade paraense

Fábio Will
fonte

Com o fim da Copa do Mundo, o futebol segue presente no dia a dia dos torcedores paraenses por meio de outra paixão: as camisas de Remo e Paysandu. Antes restritas aos estádios e aos dias de jogo, essas peças passaram a ocupar espaço na moda urbana e se tornaram itens de estilo, identidade e colecionismo.

ASSISTA

Em Belém, o movimento acompanha uma tendência que cresce no Brasil e no mundo. Impulsionadas pela cultura streetwear e pelo crescimento dos brechós físicos e virtuais, camisas das décadas de 1990 e dos anos 2000 passaram a ser disputadas por torcedores e colecionadores, transformando uniformes históricos em peças valorizadas dentro e fora do futebol.

image Camisas do Remo das décadas de 90 e anos 2000 (Amdrei Serrão / @produtorairis)

Um ensaio fotográfico realizado no centro histórico da capital paraense, com camisas clássicas de Remo e Paysandu, reforça essa relação entre futebol, moda e identidade cultural. Para entender como esse fenômeno ganhou força, O Liberal conversou com colecionadores, a designer de moda Letícia Maria e o fotógrafo Amdrei Serrão.

Moda, identidade e memória

Para Letícia Maria, as camisas de futebol deixaram de representar apenas a paixão clubística e passaram a funcionar como um elemento de expressão pessoal.

"As camisas de futebol carregam memórias ligadas à família, às amizades e ao esporte. Com o crescimento do streetwear, elas deixaram de ser usadas apenas em dias de jogo e passaram a representar identidade e referências pessoais”, comentou.

CONFIRA AS FOTOS DO ENSAIO RE-PA

Ensaio Re-Pa

Segundo a designer, o próprio visual dos uniformes ajuda a explicar essa valorização.

"A modelagem oversized, as golas em 'V', os escudos e os grafismos remetem às camisas dos anos 1990 e 2000. Esses elementos carregam identidade e fazem dessas peças um destaque na moda urbana”, disse. Ela também destaca que o mercado ainda precisa reconhecer melhor quem produz cultura nas periferias.

"A moda tem valorizado mais a criatividade periférica, mas ainda é importante abrir espaço para que artistas e designers dessas comunidades participem e liderem projetos”, contou.

image Camisas do Paysandu das décadas de 90 e anos 2000 (Amdrei Serrão / @produtorairis)

Para Letícia, esse processo exige pesquisa e respeito às referências culturais de cada cidade, local.

"Quem trabalha com regionalismo e futebol precisa entender a origem dessas referências. Quando esse cuidado existe, o resultado é mais autêntico e representativo”, explicou.

O fotógrafo Amdrei Serrão falou sobre o conceito do ensaio e como isso é algo importante para a cultura do povo paraense.

“O conceito é juntar o lado cultural e quase religioso da rivalidade entre Remo e Paysandu com lado do Streetwear trazendo essa pegada mais Street. Sempre quis fazer algo mais cultural bem nortista e resolvemos trazer um dos assuntos que mais define ser paraense que é essa rivalidade entre o Remo e Paysandu. Conseguimos fazer com várias camisas retrôs mas na pegada Streetwear foi uma idéia bem trabalhada e tirar essa ideia do papel é uma realização muito grande por todos nós”, falou.

image Remo e Paysandu está presente no cotidiano do paraense (Amdrei Serrão / @produtorairis)

A moda abre espaço para marca própria

O perfil “Zona de Khaos”, da artista Samella Cavalcante, chegou e vem tomando conta das ruas com atitude na moda streetwaer, de um acessório importante na moda, mas também na vida do paraense, que é o boné. Ela personaliza os bonés e é claro que Remo e Paysandu se fazem presentes.

“Um dos trabalhos desenvolvidos pela marca foi uma parceria que resultou na criação de uma coleção inspirada nos clubes paraenses Paysandu e Remo. As peças apresentam uma releitura artística da identidade das equipes por meio do streetwear autoral, unindo moda, arte e cultura regional. A colaboração reforça a proposta de transformar referências da cultura paraense em peças exclusivas, valorizando a criatividade, a identidade local”, falou, Samella.

image Bonés feitos pela artista Samella Cavalcante (Amdrei Serrão / @produtorairis)

Brechós impulsionam a moda e o colecionismo

Além da moda, os brechós tiveram papel importante na valorização das camisas antigas. Para o colecionador Gabriel Moraes, criador do perfil Camisa Bicolor, no Instagram, a coleção começou ainda na infância.

"Tudo começou em 2001, quando ganhei de presente a camisa número 2 do Paysandu, depois do segundo título brasileiro. A maior dificuldade hoje é encontrar modelos raros, porque quem tem dificilmente vende”, contou.

image Agasalho do Paysandu da fornecedora Finta, da década de 90, é um item de colecionador  (Amdrei Serrão / @produtorairis)

Coleção bicolor

Segundo Gabriel, muitos dos itens do acervo foram encontrados em feiras e brechós de Belém.

"Cansei de descer do ônibus quando via um brechó com camisas. Hoje, com os brechós nas redes sociais, ficou muito mais fácil encontrar peças que antes levariam anos para aparecer”, explicou.

image Camisas clássicas do Leão Azul. Todas elas do perfil Camisa Bicolor (Amdrei Serrão / @produtorairis)

Amor azulino preservado em mais de 120 camisas

Pelo lado do Remo, Leandro Tobelem, responsável pelo perfil Vestiário Azul-Marinho, conta que a coleção começou em 2012 e hoje reúne mais de 120 camisas do Leão Azul.

"Comecei comprando os lançamentos do clube. Depois passei a buscar modelos antigos e raros da história do Remo. Hoje são mais de 120 camisas”, disse.

image A camisa da fornecdora "Campeã" é uma das mais procuradas pelo torcedor do Remo (Amdrei Serrão / @produtorairis)

Coleção azulina

Os brechós também tiveram papel decisivo na construção do acervo.

"Vários modelos raros foram garimpados em brechós. Para quem coleciona, eles são fundamentais”, afirmou

Para Leandro, as camisas retrô preservam parte importante da história do clube.

"As camisas antigas carregam escudos marcantes e patrocinadores que fizeram parte da história do Remo, como Big Ben, Amazônia Celular e NBT. Elas representam a memória afetiva do torcedor”, falou.

image Camisas clássicas do Leão Azul. Todas elas do perfil Vestiário Azul-Marinho (Amdrei Serrão / @produtorairis)

Dicas de brechós para camisas antigas do Remo e do Paysandu no Instagram

1 - Mala de Ouro - @maladeouro

2 - Chuta no Gol - @chutanogolbrecho

3 - Dante’s Thrift - @dantes.thrift

4 - Arrepia, Zagueiro - @arrepia_zagueiro

5 - The North Brechó - @thenorthbrecho

6 - Lendas Futebol Shirts - @lendasfutbolshirts

7 - Garimpo dos D - @garimpodosd

8 - Garimpo Fino - @garimpofinobrecho

9 - Mídia 7 Brechó - @midia7brecho

10 - Bazar dos 87 - @bazardos87

Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞
Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱
Cultura
.
Ícone cancelar

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!

ÚLTIMAS EM CULTURA

MAIS LIDAS EM CULTURA