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ARTE

Miguel Chikaoka traz outros modos de olhar e existir em 'Fluxos'

A exposição "Fluxos", do fotógrafo Miguel Chikaoka, abre ao público nesta sexta-feira, 30, às 10h, nas galerias 2 e 3 do Centro Cultural Banco da Amazônia, em Belém

O Liberal

29 de outubro de 2026 às 11:37

Para Miguel Chikaoka, a mostra é "mais uma reflexão sobre o nosso gesto cotidiano de estar no mundo"

Para Miguel Chikaoka, a mostra é "mais uma reflexão sobre o nosso gesto cotidiano de estar no mundo" ( Foto: Luciana Medeiros )

A exposição "Fluxos", do fotógrafo Miguel Chikaoka, será inaugurada nesta sexta-feira, 30, às 10h, nas galerias 2 e 3 do Centro Cultural Banco da Amazônia, em Belém. A mostra, com entrada gratuita, propõe uma reflexão sobre a presença humana no mundo e a reconstrução de relações com a natureza e o outro, permanecendo em cartaz até 14 de fevereiro de 2027.

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Referência na fotografia contemporânea brasileira e na formação de gerações de fotógrafos na Amazônia, Chikaoka apresenta uma experiência que vai além de uma retrospectiva. A exposição articula arte, natureza, educação e convivência, propondo novas maneiras de perceber o mundo por meio de instalações e experiências sensoriais com luz, água, sombras, sementes e pigmentos naturais.

Reflexão sobre o Cotidiano

Para Miguel Chikaoka, a mostra é "mais uma reflexão sobre o nosso gesto cotidiano de estar no mundo". Ele compartilha "esse sentimento também de urgência, mas não no atropelo". O realinhamento do estar no mundo, segundo o fotógrafo, "se constrói de maneira mais coletiva, de maneira mais comunitária".

Ao longo de sua trajetória, Miguel Chikaoka ampliou a compreensão da fotografia para além da imagem capturada por uma câmera. Ele a aproxima da sensibilidade e das relações com o ambiente. "Não estou falando de fotografia somente naquela perspectiva da matéria, da imagem capturada por um dispositivo, mas sim daquilo que a gente captura como ser sensível", detalha o artista.

Essa perspectiva atravessa "Fluxos", que convida o visitante a perceber os processos de transformação da natureza e sua participação na existência coletiva. Com curadoria de Alexandre Sequeira, pesquisa de Marisa Mokarzel, expografia de Nando Lima e coordenação de Makiko Akao, da Kamara Kó Galeria, a mostra tem como fundamento a Pedagogia dos Fluxos, desenvolvida por Chikaoka.

Entre as experiências oferecidas, destaca-se a produção coletiva de tataki-zomé, uma técnica de impressão botânica. Nela, pigmentos vegetais são transferidos para tecidos. Esse trabalho foi realizado em encontros em Belém, Colares, Joanes, no Marajó, e Ilha do Capim, em Abaetetuba, reunindo saberes e experiências de diferentes territórios.

Mensagem do Artista

Mais do que provocar inquietações, o artista espera que a exposição desperte um sentimento de pertencimento à rede de existências do universo. "O meu desejo seria que as pessoas saíssem com um sentimento de comunhão, de que nós somos uma comunidade que vive imersa nesse fluxo existencial cósmico", afirma Miguel Chikaoka. Ele acrescenta: "Nós fazemos parte disso. Nós somos, nós viemos de um fluxo, estamos como fluxos e iremos com os fluxos".

A reflexão também questiona a exploração dos recursos naturais e o distanciamento entre humanidade e natureza. "Acho que é importante que a gente tenha em mente para não continuar com esse processo de exploração e destruição daquilo que é a nossa casa comum", ressalta Chikaoka.

Programação Formativa

A exposição contará com uma programação formativa gratuita. Estão previstas oficinas, palestras, encontros e visitas mediadas, incluindo atividades acessíveis em Língua Brasileira de Sinais (Libras).

A programação começa no sábado, 31 de outubro de 2026, das 10h às 13h, com a oficina "A escuta das sementes – Encontro pra Criar", conduzida pela artista Valéria Scornaienchi. Há 20 vagas disponíveis para pessoas a partir de 15 anos. "As sementes são uma revolução silenciosa", comenta a artista.

No domingo, 1º de novembro de 2026, das 10h às 12h, Valéria Scornaienchi também apresenta a palestra "A escuta do mundo – Arte e vida em processos criativos", com oferta de 100 vagas.

Em novembro de 2026, no dia 28, Marisa Mokarzel ministra "Navegante em Fluxos". Em 12 de dezembro de 2026, Alexandre Sequeira e Nando Lima participam do encontro "Processo Curatorial".

Em janeiro de 2027, Nando Lima conduz a oficina "Luz, Rizoma e Percurso", nos dias 23 e 24. Miguel Chikaoka encerra o ciclo com "Câmera obscura: pinhole e com lente", em 31 de janeiro do mesmo ano.

As atividades são gratuitas e possuem vagas limitadas. As inscrições serão divulgadas nos perfis @fluxos_exposicao e @kamarako_galeria, no Instagram.

Serviço

  • Exposição: Fluxos – Miguel Chikaoka
  • Abertura: 30 de outubro de 2026, às 10h
  • Visitação: até 14 de fevereiro de 2027
  • Horários:
    • Terça a sexta: das 10h às 16h (a partir de 3 de novembro, das 10h às 18h)
    • Sábados, domingos e feriados: das 10h às 14h
  • Local: Centro Cultural Banco da Amazônia, galerias 2 e 3
  • Endereço: Avenida Presidente Vargas, 800, Campina, Belém (PA)
  • Entrada: gratuita
  • Realização: Kamara Kó Galeria
  • Patrocínio: Banco da Amazônia e Governo do Brasil
  • Observação: Projeto selecionado pelo Edital de Ocupação do Centro Cultural Banco da Amazônia.