A devoção a Nossa Senhora de Nazaré atravessa oceanos, povos, tempos e se derrama no mar de gente que todos os anos conduz a imagem da santa no Círio em homenagem à padroeira da Amazônia. Essa demonstração de fé dos paraenses tem uma relação direta com Portugal, como conta o historiador Aldrin Figueiredo, no 'Mangueirosamente', ao apresentador Ismaelino Pinto. O público pode conferir esse bate-papo a partir das 19h desta sexta-feira (20) no Canal de O Liberal no YouTube e no portal OLiberal.com.
Em Portugal, Nossa Senhora de Nazaré é chamada de Nossa Senhora da Nazaré, em função da Cidade de Nazaré, bastante conhecida por suas ondas gigantes e pelo milagre que se deu com o monarca dom Fuas Roupinho. A devoção a Nossa Senhora de Nazaré está atrelada ao início do Cristianismo, com a expansão da fé católica na Europa. Os portugueses acreditam que, no Século IV, a imagem da santa foi trazida da Galieia, tendo sido esculpida por São José. Como uma Virgem do Leite: Nossa Senhora amamentando. Mas, com a Reforma no Século XVII, essa representação foi apanada, e a imagem Nossa Senhora passou a se apresentar com o Menino Jesus, sem amamentá-lo.
Essa imagem foi trazida para Portugal. No Século VIII, a imagem está associada à tomada daquela região dos mouros. Num terceiro momento, a a devoção relaciona-se ao milagre atribuído à santa na proteção ao monarca português dom Fuas Roupinho, no Século XII, que, perto de cair de um precipício, pede socorro a Nossa Senhora e é salvo. Nesse lugar, foi construída uma ermida e, em seguida, surgem santuários.
Círios
No século XV, Portugal expande-se pelo mar, por meio da navegação. E, no Século XVII, a ordem dos jesuitas traz essa devoção para o Pará, quando surge, então, a narrativa do caboclo Plácido que encontra uma imagem da santa, narrativa essa associada a uma devoção que ocorria na região próxima a Belém e Vigia. "A devoção muito provavelmente começou em Vigia. O caboclo Plácido nasceu em Vigia. Então, ele depois vem para Belém", pontua Aldrin Figueiredo.
O historiador detalha que em Vigia existiam círios noturnos, com a imagem da santa sentada, uma antiga tradição portuguesa, diferente do Círio de Belém. "Eu acredito que a devoção começa em Vigia, mas Círio como de Belém começa aqui, ele tem data, estrutura, modelo único", diz.
Aldrin Figueiredo conta como o Círio de Belém foi se sofisticando, no Século XIX para frente, como procissões, atrativos tecnológicos e outros elementos. A devoção a Nossa Senhora de Nazaré está por onde os portugueses andaram, como frisa Aldrin. Ele salienta um estudo acerca da expansão dessa devoção à santa a partir do próprio Pará.
Na conversa com Ismaelino Pinto, Aldrin Figueiredo ainda aborda a origem dos símbolos do Círio de Nazaré, como a Belinda e a Corda; a relação dessa festa com outras religiões e outros elementos culturais que dialogam e fazem parte da festa maior dos paraenses. Mais detalhes podem ser conferidos no "Mangueirosamente" em OLiberal.com e O Liberal no YouTube, a partir das 19h desta sexta-feira (20).
