Antônio Carlos Belchior passou os últimos anos de vida longe dos palcos e dos holofotes, em uma trajetória marcada por deslocamentos, encontros inesperados e perguntas sobre os motivos de seu afastamento da vida pública. Os caminhos percorridos pelo cantor e compositor cearense são o ponto de partida de “Viver é Melhor que Sonhar – Os Últimos Caminhos de Belchior”, livro de Chris Fuscaldo e Marcelo Bortoloti que ganha uma segunda edição nesta segunda-feira (26), data em que o artista completaria 80 anos. A obra está disponível para compra no site da editora e terá lançamento presencial na Livraria da Travessa Botafogo, no Rio de Janeiro, às 19h.
VIAGEM
Publicado originalmente em 2021, o livro reúne os resultados de uma investigação realizada pelos autores entre 2017, ano da morte de Belchior, e 2019, quando os originais foram entregues à editora.
Durante o trabalho, Fuscaldo e Bortoloti percorreram mais de 10 mil quilômetros e entrevistaram mais de 150 pessoas que tiveram contato com o artista e sua companheira, Edna, durante o período em que viveram longe da exposição pública.
A pesquisa passou por cidades do Uruguai, como Montevidéu, San Gregorio de Polanco e Artigas, além de localidades brasileiras, entre elas Sobral, Fortaleza, São Paulo, Porto Alegre e Santa Cruz do Sul. A partir dos relatos reunidos, os autores reconstruíram parte da trajetória de Belchior, registrando as experiências de quem o recebeu em casa, conviveu com ele ou acompanhou sua passagem por diferentes lugares.
“Todos queriam saber de Belchior, mas a gente percebeu que o Antônio Carlos é quem estava vivendo tantas agruras pelos caminhos que percorreu”, afirma Chris Fuscaldo.
A jornalista explica que o livro procura ir além da curiosidade sobre o afastamento do artista e apresentar aspectos da vida do homem por trás da figura pública. “Nossa ideia era celebrar esse personagem, sua obra e contribuir para que sua memória nunca seja apagada”, diz.
Para Fuscaldo, essa dimensão da história é um dos pontos centrais do livro. Segundo ela, a investigação permite discutir questões que ultrapassam a trajetória de um artista conhecido nacionalmente, como a forma de lidar com as dificuldades pessoais, as decisões tomadas ao longo da vida e o tratamento dado pela imprensa a figuras públicas.
“Acho que a história desse homem-artista é um curso completo de vida para todos nós. E, dentro dela, há aulas sobre como o jornalismo tratou e poderia ter tratado o artista; sobre como o ser humano não pode abrir mão de uma vida sem organizar tudo antes de se exilar. Sem dúvida, as novas gerações precisam conhecer a história de um homem que atravessou o tempo tendo que aprender a lidar com ele”, afirma.
NOVA EDIÇÃO
A segunda edição mantém o conteúdo da publicação original, com a inclusão de um posfácio sobre os desdobramentos relacionados à memória de Belchior desde 2021. O livro também ganhou uma orelha assinada pela cantora Ana Cañas, intérprete de canções do compositor. A nova capa é assinada por Renan Valadares e inclui trechos de resenhas publicadas na imprensa quando a obra foi lançada.
De acordo com Chris, o livro costuma despertar perguntas de leitores em feiras e eventos ligados à música e à literatura.
“O que faz a história continuar mobilizando é o interesse por sua obra musical e a curiosidade pelo mistério. Quando estamos em eventos e feiras musicais ou literárias, não há quem não venha direto no livro e comece a fazer perguntas. Por isso, e porque a primeira edição esgotou nas lojas, decidimos fazer esta reedição, agora em uma coedição da Sonora Editora com a Garota FM Books”, explica.
A autora também destaca o cuidado adotado durante a apuração para reunir diferentes versões e reconstruir os acontecimentos sem reduzir a trajetória de Belchior às interpretações que circularam sobre seu afastamento.
“Acredito que nosso empenho nesse caminho de mais de 10 mil quilômetros e as entrevistas com mais de 150 pessoas foi para que a história de Belchior fosse contada com cuidado e respeito, e sua memória não ficasse no imaginário coletivo como aquela que a mídia tentou passar durante tantos anos”, afirma Chris.
ADAPTAÇÃO PARA O CINEMA
A obra também ganhará as telas. Segundo a jornalista, os direitos do livro foram vendidos para a produção do longa-metragem “Viver é Melhor que Sonhar”, dirigido por Eduardo Albergaria e previsto para chegar aos cinemas em dezembro de 2026. A produção integra os projetos que retomam a trajetória do compositor, cuja história também é tema de uma série biográfica exibida pelo Canal Brasil.
“Para o filme, ele nos contratou para realizar uma pesquisa, consultoria e comprou os direitos do livro. Acompanhamos as ideias dele e fomos dando sugestões, mas ainda não vimos o filme, pois ele segue sendo montado. Estamos ansiosos!”, conta Chris.
