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LITERATURA

Kauê Seoane lança livro de poemas inspirado na saudade de Belém

Em Experimento Poético de Rio, escritor paraense transforma memórias em poesia; lançamento será no dia 15 de outubro, na Livraria Boiúna

O Liberal

13 de outubro de 2026 às 13:59

( Foto: Jonathan Pantoja da Silva )

O livro Experimento Poético de Rio, do escritor paraense Kauê Seoane, será lançado nesta quinta-feira, 15, às 18h30, na Livraria Boiúna, em Belém. A obra poética explora o pertencimento, as memórias e a singularidade de viver na Amazônia, com foco na relação com os rios.

Embora seja o segundo livro do autor, os poemas que o compõem foram escritos entre 2014 e 2016. Nesse período, Kauê Seoane residiu em Natal, no Rio Grande do Norte, para cursar mestrado.

Longe de casa pela primeira vez, ele encontrou na distância e na saudade a matéria-prima para transformar lembranças e afetos em poesia, celebrando sua terra natal.

“A junção entre a saudade de Belém e a descoberta das obras de João de Jesus Paes Loureiro me deu o ferramental necessário para a feitura dos poemas”, conta Kauê Seoane.

Na época, os textos eram registrados em um caderno e, posteriormente, salvos em arquivos digitais. A ideia de reuni-los em uma publicação surgiu por volta de 2018.

A Água como Elemento Central da Obra

Em Experimento Poético de Rio, a água assume o protagonismo. Ela funciona como fio condutor de uma investigação poética sobre a paisagem e a identidade amazônica.

Os rios e igarapés, tão presentes na geografia e na vida dos habitantes de Belém, aparecem associados às experiências cotidianas, às lembranças e aos vínculos com o território.

A obra também revela um olhar atento à riqueza cultural e natural da região. Para Kauê, a relação com os rios envolve desde a diversidade de peixes encontrada no Ver-o-Peso.

Inclui também as experiências de lazer nas ilhas e os banhos de rio em Mosqueiro. “Certamente amadureci na forma como enxergo o rio e tudo que ele nos proporciona, essa riqueza é imensurável”, afirma.

As Inspirações Literárias do Escritor

A busca pela poesia nas coisas ordinárias é uma característica da produção literária de Kauê Seoane. Entre suas principais referências estão Manoel de Barros, João de Jesus Paes Loureiro e Adélia Prado.

Cada um desses autores contribuiu de maneira particular para a construção do seu olhar artístico e poético.

De Manoel de Barros, Kauê destaca a possibilidade de descobrir poesia no trivial e no lugar-comum.

João de Jesus Paes Loureiro o aproximou das raízes amazônicas, despertando imagens e sensações ligadas ao cotidiano regional.

A obra de Adélia Prado, por sua vez, contribuiu para sua percepção da identidade local e do sentimento de pertencimento.

“Tudo isso se soma ao crescer na Amazônia, entre rios e estradas. As férias nas ilhas e o pé de ingá da casa da minha avó que nunca nos decepcionava com deliciosos frutos.

Tudo virou matéria de poesia e inspiração para minha escrita”, relata Kauê Seoane.

Outros Trabalhos e o Olhar do Autor

O primeiro livro de Kauê, Palavras Inventadas – Invented Words, foi publicado em 2023. Foi uma parceria com a poeta paraense Jana Fitts.

A obra bilíngue, em português e inglês, reúne 50 poemas acompanhados de ilustrações do artista Michael Kalokerinos. Ela nasceu durante a pandemia.

Entre suas referências está a escrita de Manoel de Barros, especialmente os jogos de linguagem, os neologismos e a relação entre infância e vida adulta.

Apesar de ter sido lançado antes, Palavras Inventadas foi concebido após Experimento Poético de Rio.

Enquanto o primeiro explora as possibilidades inventivas da linguagem, o segundo concentra-se na experiência de ser amazônida.

Ele aborda os sentimentos despertados pela distância de Belém e os vínculos com a região.

Natural da capital paraense, Kauê Seoane é geólogo e escritor. Em sua literatura, elementos aparentemente simples ganham dimensão poética.

Exemplos são a queda de uma folha de jambeiro ou a brisa à beira do rio Guamá. Com o novo livro, o autor convida os leitores à beleza da paisagem amazônica.

Ele também os convida a reconhecerem os vínculos que as pessoas constroem com o lugar onde vivem.