SEG · 12 OUT 2026Assine
O Liberal 80 anos

CULTURA

Hugo Bonèmer fala da entrega em 'Feliz Ano Velho' e outros projetos

O ano tem sido marcante para esse ator, com diversas frentes de atuação e conquista de reconhecimento do público e da crítica

O Liberal

12 de outubro de 2026 às 08:00

Hugo Bonèmer: agenda intensa e novos horizontes artísticos

Hugo Bonèmer: agenda intensa e novos horizontes artísticos ( Foto: Foto: Marcelo Auge )

Protagonizar no teatro a trama do livro "Feliz Ano Velho" (1982), do escritor Marcelo Rubens Paiva, autor do romance "Ainda Estou Aqui" (2015), que originou o longa-metragem homônimo vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2025, traduz a fase plena que o ator Hugo Bonèmer vive no momento. Hugo tem desenvolvido e está mergulhado em diversos projetos que ampliam a atuação dele no campo artístico.  

A montagem de de "Feliz Ano Velho" faz desde 19 de setembro e segue em cartaz até 22 de novembro, no Teatro Sabesp Frei Caneca (SP). Hugo Bonèmer chega ao final de 2026 com projetos que chegam a diferentes públicos em formatos diferentes. 

"Tem sido um momento maravilhoso, já estreamos e o frio na barriga a cada nova apresentação continua. A recepção do público tem sido maravilhosa. A responsabilidade não é imitar, mas sim entregar verdade. Há pessoas na plateia que conhecem essa história de perto e percebem na hora se faltar honestidade", diz o ator sobre a responsabilidade de encarnar uma figura tão reconhecida.

Bonèmer destaca o aprendizado dele e a recepção do público com relação à peça. "A resposta que mais me emociona é o silêncio na plateia nos momentos certos, porque isso mostra que a história está furando a bolha do espetáculo e chegando no corpo de quem assiste. Já saiu uma crítica colocando o musical entre os melhores espetáculos do ano, e o que mais me marca não é o elogio técnico, é ouvir gente na saída falando sobre a própria vida, sobre o próprio 'antes e depois', e claro, sobre o Marcelo. Quando a plateia sai comentando sobre ela mesma, e não só sobre o personagem, é sinal de que o trabalho está funcionando do jeito que a gente queria".

Amplitude

Além desse trabalho, Hugo recentemente esteve em uma jornada árdua também no teatro, além da sua interpretação. No início de 2026, produziu, dirigiu e protagonizou a versão brasileira de "O Talentoso Ripley", que fez temporada no primeiro semestre do ano no Rio de Janeiro. A "maratona" surtiu efeito: o espetáculo ganhou três temporadas em diferentes teatros da cidade, além de reconhecimento de público e crítica, e mais recentemente foi indicado a três Prêmios Cenym de teatro.

"É um sentimento estranho e bom ao mesmo tempo, porque 'Ripley' já tinha encerrado a temporada quando veio o reconhecimento; então, a indicação chega como um eco de um trabalho que a gente já tinha soltado das mãos. Três categorias diferentes, direção, design gráfico e montagem de texto estrangeiro, significa que o projeto foi reconhecido em camadas diferentes dele, não só na atuação. Pra mim, que dividi a direção com a Kamilla Rufino e ainda assinei produção e protagonizei, é a confirmação de que valeu o risco", diz.

Já no streaming, Hugo estará na segunda temporada da série "Amor da Minha Vida", que estreia no Disney+ dia 9 de outubro. "Fico genuinamente na torcida por essa temporada", declara. "A série já chega com o público esperando por ela, e fazer parte de um projeto com essa expectativa é bom, porque a régua já está alta antes mesmo de estrear". 

"O texto é sensível e fala muito com o mundo de agora. Interpreto Eduardo, um investidor que compra a hamburgueria de Paula (Rayssa Bratilieri) e Victor (Sérgio Malheiros), mas impõe que as coisas sejam do seu jeito", complementa sobre seu personagem.

O ator também chega em breve no telefilme "Voltei na Foto", produção da TV Globo, onde interpreta um professor que evoca memórias difíceis para o personagem Leonardo, vivido por Leandro Hassum.

Bonèmer descreve seu papel como essencial para a jornada emocional de Leonardo: "Esse professor entra bem no momento em que o Leonardo revisita a própria formação. A memória de infância tem essa coisa cruel de guardar detalhes que a gente preferia ter esquecido. Eu gosto de personagens assim, que não existem para empurrar a trama; eles reabrem feridas específicas de quem está revivendo o passado, ajudando a sustentar o peso emocional da jornada".

Já pensando em novos passos, e com um ano em que assumiu tantas novas frentes, Hugo planeja novas empreitadas que envolvam não apenas a atuação, mas também a produção e a direção. "Depois de segurar um projeto do início ao fim, fica difícil voltar a só atuar sem pensar em toda a construção por trás. Estou de olho em novas histórias pra desenvolver com esse mesmo tipo de envolvimento total, ainda sem nada fechado pra anunciar", conclui, manifestando entusiasmo por explorar novas histórias.

Assuntos relacionados