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CULTURA

Festival Internacional de Cinema dos Povos inicia no Líbero Luxardo em Belém

Com 39 filmes, festival começa nesta quinta (15) e prossegue até 21 de outubro

Eduardo Rocha

14 de outubro de 2026 às 10:00

Escritor e ativista indígena Ailton Krenak participará do VII Fifep em Belém

Escritor e ativista indígena Ailton Krenak participará do VII Fifep em Belém ( Foto: Divulgação )

O que acontece quando povos da Amazônia e de outras regiões dentro e fora do Brasil partem para contar sua realidade por meio de filmes e, ainda, documentários são produzidos junto e não sobre essas pessoas, para abordar conhecimentos ancestrais e desafios? O resultado poderá ser conferido pelo público no VII Festival Internacional de Cinemas dos Povos (VII Fifep), a ser aberto em Belém nesta quinta-feira (15). Este ano, o evento presta homenagem aos 40 anos do projeto Vídeo nas Aldeias, uma referência histórica e cultural para o cinema e audiovisual no Brasil. O VII Fifep tem como convidados nomes relacionados ao protagonismo dos povos na arte do cinema, como Vincent Carelli, Ailton Krenak, Divino Tserewahú, Kamikia Trumai Kisedje, Rita Carelli, Tita e Ana Carvalho. Devan Bhaskar participará do festival representando o Instituto Alok, apoiador cultural do evento. A programação completa pode ser acessada em https://festivaldopara.com.br/2026/

O VII Fifep será realizado até 21 de outubro no Cine Líbero Luxardo, no Centur, reunindo pessoas que ajudaram a construir a história do audiovisual indígena brasileiro e realizadores que seguem abrindo caminhos para suas próprias imagens, como informa Alessandro Campos, coordenador do festival. Ele explica que, como essa edição homenageia os 40 anos do Vídeo nas Aldeias, Vincent Carelli, Tita e Ana Carvalho, que atuaram nesse projeto, poderão reencontrar em Belém pessoas e imagens ligadas à construção dessa experiência. Divino Tserewahú e Kamikia Pentotxi Trumai Kisedje chegam como cineastas indígenas com obras e trajetórias próprias. Rita Carelli, filha de Vincent, participa da homenagem e lança seu novo livro "O mundo fora da pedra" em Belém. O escritor Ailton Krenak, convidado especial, junta-se às conversas que atravessarão a semana.

O Vídeo nas Aldeias, idealizado por Vincent Carelli em 1986, começou com uma proposta tão simples quanto transformadora: levar imagens às aldeias e mostrá-las às próprias pessoas filmadas. O que cada comunidade via, dizia e desejava fazer a partir delas, passou a integrar o trabalho. Com os anos, vieram as oficinas, os filmes e a formação de realizadores indígenas. Quatro décadas depois, essa história pode ser contada por muitas vozes — e o Fifep quer colocá-las em diálogo diante do público de Belém.

Ao longo da semana, os convidados participarão de sessões especiais, homenagens, debates, masterclasses e oficinas. Suas presenças acompanharão uma programação que também reúne 39 filmes em competição nas mostras Jean Rouch de Cinema Etnográfico e Divino Tserewahú de Cinema Indígena.

Autoestima

Em entrevista ao Grupo Liberal, o escritor indígena Ailton Krenak destaca que "o Fifep tem uma história de muitos anos exibindo filmes etnográficos e ganhou confiança pela excelência das obras que já mostrou nessa trajetória de lançar filmes de autoria também dos realizadores indígenas premiadíssimos. Como Takumã Kuikuro e Divino Tserewahú além de autores consagrados como Vincent Carelli e Bodanzky - ambos trabalhando com temáticas dos povos da Amazônia".

Festival traz filmes e debates sobre a realidade de indígenas e outros povos no Brasil e em outros países
Festival traz filmes e debates sobre a realidade de indígenas e outros povos no Brasil e em outros países (Divulgação / VII Fifep)

Na avaliação de Krenak, os povos ancestrais terem suas vivências culturais e históricas narradas por eles mesmos no cinema "significa revelar a autoimagem, uma disposição dos povos da floresta, ribeirinhos e indígenas de fazer se presente na vida brasileira com suas visões de mundo". "Narrativas que devem ser conferidas ou vistas pelo público em geral, algo imperdível nessa edição que celebra a história do Vídeo nas Aldeias, uma escola de formação de bons realizadores e documentaristas", arremata.

Muito além da sala de cinema

Alesssandro Campos explica que o Fifep, em sua sétima edição, assume o nome Festival Internacional de Cinemas dos Povos. "O plural encontra sentido nas pessoas que estarão juntas em Belém: cada uma traz sua memória, sua obra e sua maneira de compreender o que uma imagem pode fazer. Durante o festival, essas trajetórias se encontrarão na tela e fora dela — nas conversas que começam depois dos filmes e continuam muito além da sala de cinema".

O VII Fifep apresenta-se como um espaço de encontro entre diferentes maneiras de viver, de pensar e de fazer cinema. "Nossa proposta é trazer para Belém filmes que aproximem o público das histórias, das memórias e das questões que atravessam a vida dos povos. Também queremos fortalecer uma janela de exibição para produções que nem sempre encontram espaço nas salas comerciais, especialmente o cinema indígena e o cinema etnográfico".

O Festival terá curtas, médias e longas-metragens nas mostras competitivas e nas sessões especiais. "O festival reúne produções brasileiras e internacionais sobre diferentes povos e comunidades, com atenção especial às suas próprias formas de narrar. Há filmes realizados por integrantes desses povos e filmes feitos por realizadores que constroem uma relação de diálogo com eles", pontua Campos.

"Uma das questões centrais do festival é justamente reconhecer quem produz essas imagens. Quando uma pessoa indígena assume a câmera, ela traz suas escolhas, sua língua, seus vínculos e sua maneira de compreender e querer mostrar o mundo. E essas produções mostram muito mais do que as lutas desses povos: mostram também o cotidiano, o humor, os afetos, as festas e os projetos de futuro", enfatiza Alessandro Campos.

Serviço:

VII Fifep — Festival Internacional de Cinemas dos Povos

Quando: 15 a 21 de outubro de 2026

Onde: Cine Líbero Luxardo, no Centur

Homenagem: 40 anos do Vídeo nas Aldeias

Lançamento de 'O mundo fora da pedra': sábado, 17 de outubro, às 18h, na sala do Cine Líbero Luxardo

Informações: festivaldopara.com.br

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