Os saberes tradicionais, os ofícios e as relações das comunidades com os rios são tema da exposição fotográfica Etnocenas Fluviais: dos rios aos saberes locais da pesca em Vigia, que será aberta nesta sexta-feira (16), às 19h, no Museu da Cidade de Vigia, no nordeste do Pará. A mostra reúne fotografias de Junior Clever, com curadoria do professor e pesquisador da Universidade Federal do Pará (UFPA), Carlos Dergan.
A exposição ficará aberta ao público até 18 de dezembro de 2026 e oferece acessibilidade arquitetônica e audiodescrição. Com uma abordagem artística e antropológica, o trabalho destaca a importância social, econômica e cultural da pesca artesanal para o município.
As imagens retratam diferentes profissionais envolvidos na cadeia produtiva da pesca, como construtores de embarcações, carpinteiros, pintores de barcos, pescadores, tecedores de redes e trabalhadores responsáveis pelo transporte e pela comercialização do gelo e do pescado. Os registros percorrem espaços como estaleiros, oficinas, trapiches e mercados, evidenciando atividades que movimentam a economia local e preservam conhecimentos transmitidos entre gerações.
Fotografias mostram a relação entre os rios e a vida cotidiana
A proposta também é destacar as pessoas que constroem a história de Vigia por meio do trabalho e da relação com as águas. Além dos profissionais da pesca, as fotografias registram moradores que dependem das embarcações para se deslocar, como os habitantes da vila de Itapuá, localizada às margens de um rio.
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Para o curador Carlos Dergan, as imagens mostram como as atividades humanas ajudam a formar a paisagem cultural do município.
“Nas fotografias do multiartista vigiense, esta produção interliga os caminhos ao trapiche, às redes estendidas, os barcos ancorados e os trabalhadores em suas atividades compõem uma arquitetura social das águas. Cada elemento participa da organização da vida cotidiana e expressa as relações entre o ambiente natural e as práticas humanas”, destaca o pesquisador.

A mostra propõe, assim, uma leitura integrada dos espaços urbanos e fluviais. Os rios funcionam como vias de circulação e fontes de sustento, enquanto mercados, estaleiros, oficinas e trapiches são ambientes de trabalho, convivência e compartilhamento de conhecimentos.
Pesca artesanal como patrimônio cultural
A engenheira de pesca, professora do Instituto Federal do Pará (IFPA) e pesquisadora da Amazônia Ylana Melo também destaca a importância da atividade para a identidade das comunidades ribeirinhas.
“Como engenheira de pesca, professora do IFPA e pesquisadora da Amazônia, compreendo a pesca artesanal como muito mais do que uma atividade de importância econômica para a Amazônia. Ela representa um modo de vida, patrimônio cultural e uma relação histórica entre as comunidades e as águas. Ou seja, por trás de cada embarcação e produção, existem histórias, conhecimentos tradicionais, famílias e uma identidade territorial que precisam ser respeitados e preservados”.
A exposição evidencia que o pescado vendido nos mercados é resultado do trabalho de diferentes profissionais, desde a construção e a manutenção das embarcações até a captura, o transporte e a comercialização. Ao registrar essas etapas, Etnocenas Fluviais valoriza os trabalhadores e os conhecimentos que mantêm viva a tradição pesqueira de Vigia.

Serviço
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Exposição: Etnocenas Fluviais: dos rios aos saberes locais da pesca em Vigia
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Abertura: sexta-feira, 16 de outubro de 2026, às 19h
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Local: Museu da Cidade de Vigia
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Visitação: de 16 de outubro a 18 de dezembro de 2026
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Acessibilidade: arquitetônica e audiodescrição
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Realização: Secretaria de Cultura, Turismo, Desporto e Lazer; Prefeitura de Vigia; Sistema Nacional de Cultura; Política Nacional Aldir Blanc; Ministério da Cultura.

