Escolas de arte ajudam a enfrentar os tempos de pandemia

Retorno de atividades artísticas, seguindo protocolos sanitários, tem levado a pessoas encararem tempos difíceis com mais leveza

Caio Oliveira

Agora, mais do que nunca, o artista Lomont Filho acredita no poder terapêutico da arte, reabrindo sua escola para receber pessoas que querem usar a pintura como instrumento de transformação pessoal nesse momento atípico que o mundo enfrenta. Artista polivalente, com dois livros publicados, Lourival Dias Monteiro Filho (nome muito longo, segundo o próprio, que resolveu encurtar para Lomont) tem uma paixão especial pelo óleo sobre tela e conta como vem trabalhando a arte como uma forma de trazer beleza e paz para seus alunos em tempo tão conturbados.

"Atualmente, eu tenho uma faixa de 12 a 15 alunas, mas isso varia a cada mês. A maioria são mulheres na faixa acima 50 anos, com algumas pessoas que têm depressão, TOC [Transtorno Obsessivo Compulsivo], descobriram uma doença, estão tendo problemas com filhos ou o marido, enfim, quase ninguém vem feliz pra cá, e nossa aula é terapêutica. Não só na atividade em si, mas nas coisas que eu falo, pois eu deixo as pessoas à vontade", disse o artista.

Escola de artes de Lomont Filho (Cristino Martins)

A equipe de O Liberal só entrou em seu ateliê/casa/escola atrás do Bosque Rodrigues Alves após passar por procedimentos sanitários feitos pelo próprio Lomont: álcool em gel nas mãos e desinfetante nas solas dos sapatos. Depois de dois anos longe, o artista voltou ao Pará para resolver assuntos pessoais e contou que não pôde deixar de reabrir sua escola, a pedido de alunos que sentiam a necessidade da volta do espaço.

"A pessoa que tá ministrando tem que saber disso [dificuldades dos alunos]. Tem gente que tem 80, 90 e poucos anos, que nem pinta mais, mas eu vou lá, ajudo, porque nem é tanto pela pintura que elas vêm aqui, e sim pela companhia. Enquanto outros são mais experientes, pintam bem e vem aqui para aprender mais. A arte faz isso: aproxima as pessoas e dá autoestima", afirmou o artista.

Escolas de Artes do Governo sem previsão de retorno

Com a edição de decretos municipais e estaduais, algumas atividades particulares artísticas e educacionais já estão retornando, após a suspensão devido à pandemia do novo coronavírus. Contudo, a retomada vem sendo feitas aos poucos, tomando precauções especiais, como redução da capacidade de lotação dos ambientes.

A assessoria de comunicação da Fundação Cultural do Pará (FCP) informou que ainda não há previsão para o retorno das aulas presenciais nas escolas públicas de arte, como o Curro Velho, a Casa das Artes e a Casa da Linguagem. Atualmente, há a opção dos cursos virtuais, cujas inscrições foram feitas em um site criado pelo Governo do Estado. As aulas do primeiro módulo ocorrerão de 21 de setembro a 2 de outubro, em ambiente digital.

São mais de 20 oficinas disponíveis, com atividades como parkour para iniciantes, violão, canto, desenho de personagem, criação de texto poético, linguagem cinematográfica e redação para o ENEM. Os instrutores foram capacitado pela FCP em um treinamento específico para a adaptação do conteúdo ministrado para o ambiente mundo virtual.

 

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