SEG · 19 OUT 2026Assine
O Liberal 80 anos

CINEMA

Documentário sobre Davi Kopenawa destaca a defesa da Amazônia

O trailer do filme foi divulgado na última sexta-feira, 16

O Liberal

19 de outubro de 2026 às 11:23

Live é baseada em livro de Davi Kopenawa

Live é baseada em livro de Davi Kopenawa ( Foto: Reprodução )

O trailer do documentário “Kopenawa: Sonhar a Terra-Floresta”, que explora o pensamento e a trajetória do líder indígena Davi Kopenawa Yanomami, foi divulgado na última sexta-feira, 16. Dirigido por Tainá De Luccas e Marco Altberg, o filme tem estreia nacional marcada para 26 de novembro nos cinemas brasileiros.

A produção cinematográfica percorre os diferentes momentos da vida do líder, filósofo e xamã, reunindo entrevistas que datam desde o início de sua atuação como ativista até a atualidade. Ao longo de sua jornada, Kopenawa consolidou-se como uma voz internacional na defesa da preservação ambiental e dos direitos dos povos originários.

Reflexões sobre a sociedade contemporânea

O filme propõe uma profunda reflexão sobre a sociedade contemporânea sob a perspectiva de Kopenawa, que descreve a civilização ocidental como o “povo de mercadoria”. A obra aborda a intrínseca relação da humanidade com a natureza, a floresta e os próprios seres humanos, apresentando uma espécie de antropologia reversa, onde o olhar indígena questiona os valores e hábitos da sociedade não indígena.

A diretora Tainá De Luccas explica que o documentário traz indagações que promovem a reflexão sobre o modo de vida ocidental, a relação com a natureza e com as pessoas. Segundo ela, Kopenawa compartilha conhecimentos e a sabedoria da floresta, considerados essenciais para a compreensão dos desafios globais relacionados à continuidade da vida no planeta.

O diretor Marco Altberg ressalta a urgência das questões abordadas pelo filme, especialmente diante das ameaças crescentes aos territórios indígenas. Ele destaca que os alertas de Kopenawa, feitos há anos sobre a crise ambiental e o papel vital dos povos originários na preservação das florestas, tornam-se ainda mais relevantes com o avanço do garimpo ilegal e a degradação de rios e matas.

Altberg menciona que a produção do longa-metragem coincidiu com o início da pandemia de Covid-19, um período que agravou a crise humanitária enfrentada pelo povo Yanomami. Esse contexto reforçou a importância de documentar e disseminar as reflexões do líder indígena sobre a proteção da floresta e de seus habitantes.

Participações especiais e reconhecimento internacional

“Kopenawa: Sonhar a Terra-Floresta” conta com depoimentos e participações de personalidades como Ailton Krenak, Gilberto Gil, José Celso Martinez Corrêa, Bruce Albert e Camila Pitanga. O documentário também incorpora registros fotográficos de Claudia Andujar, parceira de longa data de Kopenawa, que documentou diversos momentos de sua trajetória.

Antes de chegar ao circuito comercial brasileiro, o filme teve um percurso de sucesso em festivais nacionais e internacionais, com sua estreia mundial ocorrendo no Festival do Rio 2025. Entre os reconhecimentos conquistados, destacam-se:

  • Prêmio Gaia de Melhor Filme, no Ray of Lights Awards, na Espanha;
  • Melhor Filme, no Earth Film Festival, em Nova York;
  • Melhor Roteiro, no Festival de Cuiabá.

A produção também recebeu menções honrosas no Film Festival of the International Visual Sociology Association (IVSA), no Reino Unido, e no YVY Festival de Cinema Ambiental e de Montanhas de Teresópolis. Além disso, foi selecionada para eventos como:

  • Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA);
  • Bonito CineSur;
  • Cinema Brésilien de Paris;
  • Festin Lisboa;
  • Cinema Brasilien Montreal;
  • Festival Periferias, em Portugal;
  • Festival Internazionale di Cinema Brasiliano, na Itália;
  • FASAI Cine Vídeo;
  • Festival de Cinema Brasileiro Arara Azul, entre outros.

Ficha técnica e apoio

O documentário é uma direção de Tainá De Luccas e Marco Altberg. A coprodução é assinada por Indiana Produções Cinematográficas, Agência Sapiens, Canal Futura e Canal Brasil. A produção conta com o apoio cultural da Fundação Itaú e com a parceria da RioFilme na distribuição, que é realizada pela Indiana+.