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Doc ‘Elis & Eu’ revela nuances da arte e da intimidade da ‘Pimentinha’

Construído a partir do livro homônimo escrito por João Marcello Bôscoli, filho da cantora, longa-metragem traz depoimentos, imagens raras e registros históricos da vida e carreira de Elis Regina

Abílio Dantas e Eduardo Rocha
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Saber um pouco mais sobre Elis Regina (1945–1982), considerada por muita gente como a maior cantora do Brasil de todos os tempos, nunca é demais. Ela teve uma vida intensa em um momento de grandes transformações políticas e culturais no Brasil, desenvolvendo um trabalho artístico que virou referência para quem gosta de música. Por isso, é grande a expectativa de fãs e do público em geral sobre o lançamento do documentário “Elis & Eu” nesta terça-feira (25), disponível no Universal+ pelas plataformas Prime Video, Claro TV+, Vivo TV, Meli+ e UOL Play. Esse trabalho parte do livro homônimo escrito pelo filho mais velho dela, o produtor musical João Marcello Bôscoli. Ele conversou sobre o assunto com a Reportagem do Grupo Liberal sobre o Doc.

“Elis & Eu” traz depoimentos, além de João Marcello Bôscoli, de ícones da música brasileira sobre a convivência com a cantora, ou seja, artistas que dividiram com ela palcos, estúdios, amizades e momentos decisivos da música brasileira. Além de imagens raras de arquivo, para revelar diferentes facetas da trajetória de Elis Regina. O doc é conduzido pelas memórias de Bôscoli e possibilita o acesso do público a registros históricos e depoimentos inéditos. 

Alguns dos maiores nomes da música do Brasil que ajudaram a construir e foram transformados pelo legado da cantora: Ronaldo Bôscoli, César Camargo Mariano, Tom Jobim, Milton Nascimento, João Bosco, Rita Lee e Wanderléa.

O longa-metragem, com direção de André Bushatsky, foi inspirado no livro “Elis e Eu: 11 anos, 6 meses e 19 dias com minha mãe”, de João Marcello Bôscoli. Protagonista do espetáculo “Elis, A Musical”, a atriz Lílian Menezes  retorna ao universo da cantora para interpretar Elis Regina nas sequências dramatizadas que recriam passagens importantes de sua vida. Os atores Antônio Menqui e Victor Constantino interpretam João Marcello Bôscoli com, respectivamente, 6 e 11 anos de idade. 

Na luz de Elis

Em entrevista ao Grupo Liberal, João Marcello Bôscoli conta que Elis Regina, assim como ocorre com outras personalidades em diversas áreas, merece ser tema de documentários, obras em geral. “E no Brasil tem três livros sobre a Elis, o que é um marco, é um feito, mas eu acho que cabe muito mais. Então, quando o André (André Bushatsky) me procurou, o livro (escrito por João Marcello) já tinha sido escrito fazia um tempo, é, eu fiquei inicialmente encabulado”, revela João. 

Ele conta que escrever o livro já tinha sido algo desafiador. “Só escrevi porque são memórias e tornei público porque ajuda a entender uma faceta da Elis Regina que talvez só eu e poucas pessoas pudessem retratar”. 

No caso do audiovisual de agora, João Marcello Bôscoli destaca: “Fiquei enrolado inicialmente, mas chegou um instante em que eu falei: ‘Bom, pera aí. Eu não tenho mais o direito de ficar dessa maneira, porque são profissionais que estão na minha frente, que leram o livro e decidiram por conta própria que aqui tem uma história. E o André me explicou que seria o olhar de uma criança sobre a sua mãe, ser um olhar dessa criança, um olhar diferente. Você coloca a câmera num ponto diferente de observação dessa figura conhecida já bastante, mas esse lado não”. 

Doc 'Elis & Eu' Fotos de Arquivo Pessoal

João Marcello conta que deu um depoimento ao documentário, mas não se meteu no trabalho da equipe. E nessa sequência de livro e documentário, o longa traz novidades para o próprio Bôscoli, isto é, acrescentou algo às memórias dele. “Eu não mergulhei muito fundo no meu livro na Elis trabalhando. Quando Nathan Mark traz essa informação de que Elis em 81 escolheu ‘Nos Bailes da Vida’ e que ele sugeriu um arranjo meio na onda de 'Something' dos Beatles e que ela topou e tal, foi uma novidade para mim, mas tudo isso também me trouxe outras memórias que se isolaram como se fossem o único capítulo dessas coisas profissionais, do que ela falou de uma mixagem, do que ela achou que o arranjo deveria fazer. Enfim, deram umas destravadas na memória. Inauguraram novas alas do meu cérebro graças ao documentário.

Esse filho de Elis Regina dedica-se a um projeto de lançamentos de artistas, no que se assemelha, como diz o próprio Bôscolli, ao fato de que a própria Elis lançou nomes novos na música, por meio do canto. Isso ocorreu com o cantor e compositor cearense Belchior, autor do verso que dá nome à iniciativa de João. Como se pode ver, a memória de Elis Regina permanece interagindo com tudo na vida de João Marcello e de quem gosta de boa música.

“Talvez em algum momento você vá ver uma foto do pequeno Joãozinho, lá de 3 anos, dentro de um estúdio em Los Angeles, com uma bola de fita crepe, brincando pelo estúdio. Meu objetivo é ficar ali; eu queria morar naquela foto. E é o que eu tento fazer todo dia. Eu vou ao estúdio, eu vou para brincar. Eu estou com a minha mãe perto de mim; ela não está fisicamente na foto, mas está tudo ali. E é legal, eu gosto da ideia de ser um produtor que está ali o tempo inteiro trabalhando para aquela criança, até hoje. É aquela criança a quem eu sirvo, aquela criança a quem eu tenho que ser leal, porque sou eu”.

 

Conheça os nomes da música brasileira que povoam o documentário 'Elis & Eu':

Ronaldo Bôscoli - Compositor, produtor e jornalista, Ronaldo Bôscoli foi um dos grandes amores da vida de Elis Regina e pai de seu filho mais velho, João Marcello Bôscoli. Parceiro também na carreira, acompanhou uma fase de intensa projeção artística da cantora. No documentário, registros de arquivo recuperam seu olhar sobre a personalidade de Elis e sua busca incessante pela excelência.

César Camargo Mariano - Pianista, arranjador e produtor musical, César Camargo Mariano foi responsável pela direção musical de alguns dos trabalhos mais marcantes de Elis Regina e seu companheiro durante a década de 1970. Da união nasceram Pedro Mariano e Maria Rita, ambos herdeiros da vocação musical dos pais. A parceria entre César e Elis redefiniu o som da cantora, combinando sofisticação, modernidade e liberdade artística em álbuns clássicos da MPB.

Tom Jobim – A gravação do álbum Elis & Tom, realizada em Los Angeles em 1974, permanece como um dos encontros mais emblemáticos da história da música brasileira. O documentário relembra a viagem, mostrando como a convivência entre Elis Regina e Antônio Carlos Jobim resultou em um álbum que se tornou referência da Bossa Nova.

Milton Nascimento - Elis Regina e Milton Nascimento estabeleceram uma conexão musical intensa, compartilhando uma visão artística marcada pela emoção e pela inovação. Imagens de arquivo presentes em 'Elis & Eu' evidenciam o profundo respeito e a amizade que uniam dois dos maiores nomes da música brasileira.

João Bosco - Cantor, compositor e um dos grandes nomes da MPB, João Bosco teve sua obra profundamente associada à voz de Elis Regina, que ajudou a eternizar algumas de suas mais importantes composições. Ao lado do letrista Aldir Blanc, viu canções como 'O Bêbado e a Equilibrista' ganharem dimensão histórica na interpretação da cantora. Em 'Elis & Eu', a presença de João Bosco reforça a capacidade única de Elis de dar voz aos sentimentos de toda uma geração.

Rita Lee – A amizade entre Elis Regina e Rita Lee extrapolava os palcos. Um dos episódios mais emocionantes relembrados em 'Elis & Eu' é a visita que Elis fez à cantora quando ela esteve presa, em 1974, levando consigo o pequeno João Marcello. O gesto simboliza a lealdade entre duas artistas que marcaram a música brasileira de maneiras distintas, mas igualmente revolucionárias. O documentário também recupera imagens de arquivo nas quais Rita relembra o carinho e a admiração que sentia pela amiga.

Wanderléa - Grande amiga de Elis Regina, a cantora Wanderléa participa do documentário com um depoimento inédito que revela a mulher por trás da artista. Suas lembranças mostram uma Elis afetuosa, divertida e generosa, oferecendo ao público um retrato íntimo de quem conviveu com ela longe dos holofotes e testemunhou sua dedicação aos amigos e à família.














 

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