Durante a procissão do Círio de Nazaré de 2026, a paraense Aline Cardoso, de 41 anos, percorreu o trajeto de 3,6 quilômetros carregando um totem em tamanho real do cantor Jungkook, integrante do grupo sul-coreano BTS. O cumprimento da promessa ocorreu em agradecimento pela conquista de ingressos para todas as datas de apresentações do grupo de K-pop em São Paulo. O deslocamento ao longo do percurso contou com a colaboração de familiares, do namorado, de amigos e de funcionários da empresa onde a devota trabalha.
O grupo sul-coreano BTS se apresentou no Brasil com a turnê mundial BTS World Tour: Arirang, realizando uma série de três shows na cidade de São Paulo. As apresentações ocorreram no Estádio do MorumBIS na quarta-feira (28), na sexta-feira (30) e no sábado (31), e Aline estava em todas as apresentações, como compartilhado nas redes sociais.
As Armys (Army é o nome oficial do fã-clube ou fandom do BTS) querem viver a emoção de fato. Assim como Aline, a empresária Elisa Santos, de 32 anos, também fez parte desse momento mais de uma vez.
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"Fui para mais um show porque sou muito fã e eles fazem parte da minha rotina diária, pois os escuto enquanto faço meus provadores, enquanto trabalho e inclusive em momentos em que não estou tão animada. Aí escuto e quando vejo já estou toda feliz cantando... Então queria assistir a dois para fixar bastante na memória, já que, somente com um show, além de que eu poderia esquecer, eu também só iria gritar e chorar (como foi)", conta a Army.
De acordo com Elisa, o fato de conseguir os ingressos foi pura sorte e disposição. Com entradas variando de R$ 340,00 a R$ 4.553,00, ela se cadastrou no ARMY Membership, que é a assinatura oficial do fã-clube do grupo BTS, para ter acesso à pré-venda: “Juntei o total de 24 aparelhos, incluindo os dos meus amigos, colaboradores e empresa, para conseguir comprar os ingressos para os dois dias.”
Junto com essa força-tarefa veio a confiança do Brasil estar na agenda da banda. Ao anunciar a turnê, Elisa começou a se programar antes mesmo de as datas serem liberadas. Depois disso, ela, que é dona de uma loja de roupas, começou a preparar os looks, porque uma Army também entrega produções.

“Como trabalho com moda feminina e queria ir bem linda para representar muitas das minhas clientes e amigas que queriam muito ir e não conseguiram ingressos, fizemos, eu e minha amiga Reyla, uma calça personalizada em um dos dias com o rosto do nosso cantor favorito, o Jungkook! E o look fez muito sucesso lá... Nos dias dos shows, acordamos bem cedo, às 8h, e às 11h já estávamos nas filas, sendo que a abertura dos portões era às 16h. Nos dois dias, entramos em média às 18h no estádio! Eu nunca tinha feito isso para assistir ao show de ninguém, porém a energia das fãs e o show, que é incrível, fazem tudo valer a pena! Eu repetiria novamente sem pensar duas vezes”, explica.
O planejamento, as horas de voo e a expectativa se justificaram na chegada de Elisa e de sua amiga ao estádio. A Army conta que a experiência de ver a estrutura e a organização da comunidade de fãs, que reúne pessoas de diversas idades, marcou a data. Ela destaca que o público trocava freebies (mimos) ao longo do evento, o que rendeu a ela mais de 60 mimos para distribuir a quem não pôde viajar.
Aproximadamente 37 a 40 horas e 2.895 km separaram a esteticista Eda Silveira, de 48 anos, de se encontrar com seus ídolos. Ao lado de outras Armys, ela encarou uma viagem de ônibus em uma excursão totalmente preparada para os fãs de BTS.
“Encarar a estrada do Pará até São Paulo foi uma experiência que exigiu muita paciência, resistência e, principalmente, confiança. Foram muitas horas de viagem, cansaço e expectativas, porque não estávamos indo apenas para São Paulo, estávamos indo realizar um sonho. Tivemos imprevistos durante o percurso, inclusive uma situação com o ônibus que atingiu sua parte superior ao passar por galhos na rota, comprometendo o traslado até o show. Nesse momento, bateu aquele medo de que todo o esforço não fosse suficiente para chegarmos a tempo”, conta.
A excursão ocorreu pela Amásia Encounter, que, de acordo com Eda, lidou com os contratempos, a logística e toda a infraestrutura para os fãs. A caravana saiu de Belém na semana passada e retorna nesta terça-feira (03).

“Foi uma sensação indescritível assistir ao show. Acho que, naquele momento, todo o cansaço da estrada, as preocupações e os imprevistos simplesmente desapareceram. Era como se tudo aquilo que vivemos durante a viagem fizesse sentido em um único instante. Ver o BTS de perto foi perceber que um sonho que parecia tão distante realmente estava acontecendo. Se eu pudesse resumir aquela noite em uma palavra, seria realização”, relembra.
O BTS é um dos maiores fenômenos globais da música pop ao redefinir a indústria internacional e quebrar recordes históricos. Originário da Coreia do Sul, o grupo destaca-se por emplacar múltiplos álbuns e faixas no topo das paradas da Billboard, como Dynamite e Butter, por lotar turnês em estádios globais e por alcançar indicações inéditas ao Grammy. Esse impacto conta com o suporte do Army, sua base global de fãs, reconhecida pelo alto engajamento digital e por mobilizações em causas sociais e beneficentes.
“Eles entraram na minha vida através da música, mas acabou se tornando muito mais do que isso. Foi uma conexão com sentimentos, momentos e experiências que marcaram minha trajetória. Ver o grupo ao vivo era um sonho que eu carregava comigo, e realizá-lo significou muito mais do que assistir a um show. Acho que a recompensa veio no instante em que percebi que finalmente estava ali, vivendo aquilo que tantas vezes imaginei. Olhar para o palco e entender que eu tinha atravessado tantos quilômetros, enfrentado tantos desafios e chegado até aquele momento foi emocionante”, finaliza Eda.
