Cultura paraense perde poeta, escritor e militante cultural Cláudio Cardoso para a Covid-19

Cláudio foi criador e incentivador da Academia Paraense de Literatura de Cordel (APLC) e do encontro de cordelistas da Amazônia

Redação Integrada

A cultura paraense perde mais um grande nome o poeta e escritor cordelista Cládio Cardoso faleceu na madrugada deste sábado (16) no Hospital Abelardo Santos, em Icoaraci. O escritor, que também possui uma editora, era conhecido por organizar o estande dos Escritores Paraenses na Feira do Panamazônica do Livro e foi mais uma vítima da Covid-19. O escritor foi criador e incentivador da Academia Literatura Cordelista Paraense e do encontro de cordelistas da Amazônia. Cláudio estava desde segunda-feira (11) internado no hospital de Icoaraci. O corpo de Cláudio aguarda liberação do hospital para ser levado ao crematório onde será agendada uma data para o procedimento.

Cláudio deixa dois filhos, a esposa Dhara Alhadef, o jardim com flores, que adorava cultivar com muita dedicação, e a cachorra inseparável Coralina. Nos últimos anos Cláudio lutou contra a diabetes, a hipertensão e fazia diálise no Hospital Abelardo Santos, três vezes na semana, por ser renal crônico. Mesmo com os problemas de saúde, os amigos ressaltam que Cláudio nunca desistiu de incentivar a literatura paraense de todas as formas. 

“Eu considero o Claudio um marco na história da literatura paraense. É o primeiro grande escritor, cordelista, super versátil, criativo, com capacidade para intelectual muito ativo, conseguia transformar para a linguagem popular grandes temas. Escrevia poemas, romances e músicas. De um talento inestimável. Além do talento criativo, era uma pessoa que mudou totalmente o panorama da literatura paraense e se dedicou a viabilizar a produção de grandes artistas, tanto em pequena tiragem, como em grande. Tirou muita gente do anonimato e da gaveta, artistas que tinham obras poéticas de todos os segmentos", ressalta o produtor cultural e poeta Jorge André, que é um organizadores do Sarau Multicultural de São Brás.

Cláudio Cardoso sempre esteve presente em saraus e apoiando bibliotecas comunitárias. A fundadora da biblioteca Comunitária Rosa Luxemburgo, de Ananindeua, Fátima Afonso, enfatiza que o amigo deixa uma lacuna difícil de ser preenchida na cultura paraense. “O Claudio teve toda uma história junto com as bibliotecas comunitárias. Ele teve uma papel muito importante na literatura, na militância política cultural, fora isso ele teve uma luta pela vida. Ele era diabético e teve toda uma resistência contra a doença. Ele lutou visivelmente pela vida junto com a Dhara, companheira dele. Os dois batalharam muito”, conta Fátima. "Para nós é uma lacuna muito grande que ele irá deixar na militância de leitura como direito humano", complementa.

HISTÓRIA - Cláudio Cardoso de Andrade Costa nasceu em Belém, filho de Maria de Nazaré Cardoso de Andrade Costa e Manoel da Silva Costa. Poeta, escritor e compositor, publicou o primeiro livro de forma artesanal, aproveitando as habilidades de artista gráfico. Durante toda a vida incentivou outros escritores a buscarem iniciativas mais independentes para divulgar suas obras.

Como autor participou nas antologias “Poesias reunidas pelos mortais da vida”, organizada pelo Clube do Escritor Paraense, “Poesia do Brasil” – Volume 6 e “Poeta, Mostra a tua Cara”, volume 5, publicadas pelo Congresso Brasileiro de Poesia. Publicou  “Simbiose” (poemas e pensamentos), “Filha do Oriente”, e “Sina Nordestina”.

Mais recentemente, dentro de sua trajetória, se envolveu com a literatura de cordel, como escritor e declamador. “Já publiquei, somente este ano, oito livretos dos mais variados assuntos, sempre primando pelo humor e pela crítica social”, disse Cláudio em uma entrevista recente. Seu Cardoso como era conhecido também foi um dos coordenadores do Estande do Escritor Paraense dentro da Feira Pan-Amazônica do Livro. Ele também foi gerente de linguagem verbal na Fundação Curro-Velho 

Cláudio junto com o movimento de escritores paraense, junto a Antônio Juraci Siqueira, Raimundo Sodré, Heliana Barriga, Alfredo Garcia, Michel Sarmento, Maciste Costa, Walcyr Monteiro, Flor de Maria e Ed Pessoato, propagou a cultura paraense para os outros continentes do mundo como Ásia, Europa e África. Organizou a banca do Escritor Paraense, montada todos os domingos na Praça da República, tornando o local em um ponto fixo para os escritores e os amantes da literatura.  

Conseguiu fundar em 2018, e presidir a Academia Paraense de Literatura de Cordel (APLC), com 40 membros, de todas as regiões do Estado. “Nosso objetivo é que este gênero literário seja reconhecido como disciplina escolar, como importante instrumento de apoio pedagógico, formador de novos escritores e leitores”, declarou na época. 

SECULT - Em nota o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, lamentou, com profundo pesar, mais uma perda no cenário cultural paraense. O escritor, poeta e cordelista Claudio Augusto Cardoso foi um expoente das letras no Estado. "Desde de 2011, Augusto colaborava com a Secult, atuando como coordenador do estante dos escritores paraenses na Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes. Reiteramos o sentimento de gratidão e solidariedade, neste momento de dor, a todos os familiares, amigos e colegas artistas."

Cultura
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