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ESPECIAL OSCAR 2019

Chegou a hora da verdade para a Academia de Artes e Ciências Cinematrográficas

Cerimônia de entrega do Oscar vai mostrar se discurso de inclusão se traduziu em realidade

Lucas Costa

24 de fevereiro de 2019 às 10:01

A premiação do Oscar 2019 promete mudanças na escolha dos vencedores

A premiação do Oscar 2019 promete mudanças na escolha dos vencedores ( Foto: Divulgação )

Há tempos que a grande festa da indústria do cinema busca estratégias para se adequar à sociedade a sua volta e manter-se relevante. Em 2018 o impacto veio como uma resposta do próprio público, e a cerimônia de entrega do prêmio registrou a menor audiência nos Estados Unidos em toda sua história.

Para o ano de 2019, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas não economizou nas mudanças para atrair de volta telespectadores, mas algumas não foram recebidas da melhor forma. Entre elas esteve uma nova categoria, de “Melhor Filme Popular”, que gerou dúvidas e despertou debates sobre a validade de classificar separadamente filmes de grande bilheteria dos filmes de arte. A categoria, no entanto, teve sua criação vetada.

Rafael Oliveira, crítico de cinema dos sites Cineplayers e Plano Crítico, considera que a nova categoria foi um sinal de bagunça e incerteza da Academia em criar uma estratégia de inclusão. “O cinema popular é cinema, tanto quanto os filmes de arte. Então se houvesse uma separação entre esses dois ‘gêneros’, e o reconhecimento de um fosse diferente do outro, teria novamente todas as questões que vimos sobre essa separação na internet, de não enxergar esses dois nichos de filme da mesma forma. Você nota um conflito da Academia em querer incluir, mas sem deixar de lado uma postura elitizada dentro da visão artística deles”, explica.

Roma é o grande favorito na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira
Roma é o grande favorito na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira (Divulgação)

A inclusão pode ser considerada definitivamente um dos pilares da cerimônia do Oscar da noite de hoje. Mesmo com favoritos bem demarcados, alguns indicados ainda são considerados grandes novidades. Começando pela principal categoria da premiação, estão na disputa pelo título de “Melhor Filme”: “Roma”, um película em preto e branco, falada em espanhol e dialeto tradicional de povos indígenas do México; e pela primeira vez um filme de super herói, com um elenco majoritariamente negro, “Pantera Negra”.

“Roma”, de Alfonso Cuarón, também faz história de outras formas dentro da premiação: Yalitzta Aparicio é a quarta mulher latino-americana indicada ao prêmio de “Melhor Atriz”; a primeira foi a brasileira Fernanda Montenegro, por “Central do Brasil”, em 1998.

O filme também mostra que a Academia tenta agora dialogar com as produções dos serviços de streaming, já que “Roma” é distribuído pelo Netflix. Apesar de ter precisado se adequar às regras da premiação, e ser exibido em uma sala de cinema para um público pagante por uma semana, a indicação do filme mexicano mostra uma possível projeção para o futuro na Academia.

“As tantas indicações de Roma são esse reflexo da abertura que a indústria no geral está querendo conceder pra esses filmes de distribuição doméstica, para que finalmente esse tema continue a ser discutido, e que se chegue a um mínimo de concordância, porque ainda há muito conflito, em especial pelo trabalho que a Netflix tem feito, de comprar filmes que foram feitos inicialmente para um tela grande, mas acabaram no streaming, onde as pessoas podem ver em casa”, explica Rafael.

Outro episódio que resultou em uma abertura maior da Academia foi o #OscarSoWhite (‘Oscar Tão Branco’, em tradução literal), em 2016, quando artistas se juntaram em protesto a falta de negros indicados nas principais categorias da premiação. Como medida, a Academia decidiu incluir membros de outras nacionalidades e etnias entre os votantes.

Rafael explica que o reflexo disso foi perceptível em 2017, quando “Moonlight” levou o prêmio principal da noite. Este ano, a representatividade entre os votantes se refletiu também na categoria de “Melhor Direção”, que conta com três diretores estrangeiros: o grego Yorgos Lanthimos (A Favorita), o mexicano Alfonso Cuarón (Roma), e o polonês Pawel Pawalkowski (Guerra Fria).

Os grandes favoritos da noite empatam em número de indicações: “Roma” e “A Favorita”. Mas as surpresas entre as indicações, como o sucesso de bilheteria “Pantera Negra”; e “Nasce Uma Estrela”, marcado pela presença da cantora Lady Gaga; podem fazer com que a cerimônia tome rumos inesperados.

Transmissão

A cerimônia, no teatro Dolby, em Los Angeles, terá transmissão da Globo, ao vivo, após o "Big Brother Brasil". Pela 11ª vez, a apresentação será da jornalista Maria Beltrão, que terá como comentaristas a atriz Dira Paes e o jornalista e escritor Artur Xexéo - a tradução simultânea será de Anna Vianna. “Além de assistir ao maior número de filmes possível, faço um longo trabalho de pesquisa em busca de informações relevantes e detalhes que interessem ao público amplo e diversificado que acompanha a cerimônia”, conta Maria Beltrão.

A paraense Dira Paes estreia na transmissão do Oscar ao lado dos veteranos Arthur Xexéo e Maria Beltrão
A paraense Dira Paes estreia na transmissão do Oscar ao lado dos veteranos Arthur Xexéo e Maria Beltrão (Globo/ João Miguel Júnior)

Artur Xexéo, que desde 2015 comenta a cerimônia na Globo, diz que sempre tenta puxar pelo lado das curiosidades: “Aqueles profissionais que estão sendo indicados pela primeira vez, os recordistas de indicações, quem é muitas vezes indicado e nunca vence, quem vence já na primeira indicação, e por aí vai”. Dira Paes, comentarista pelo segundo ano consecutivo, considera que a escolha dos vencedores foi difícil este ano: “É uma seleção muito criteriosa até chegar aos indicados. Pensando tecnicamente, esse ano, em especial, é um dos mais badalados e instigantes dos últimos tempos”.

O Portal O Liberal também fará uma cobertura especial. Os internautas saberão os vencedores e as curiosidades da maior premiação da indústria cinematográfica americana ao vivo. A cobertura especial começará a partir das 22h, com a entrega das primeiras estatuetas.