Os espaços internos do Centro Cultural Banco da Amazônia, localizado no bairro da Campina, em Belém, estão nos últimos preparativos para ganhar novas histórias. Nesta quinta-feira (29), a partir das 17h, será inaugurada a Mostra de Grafismo Cultura Viva, que transforma o foyer do espaço em uma galeria permanente. Gratuita, a exposição reúne sete artistas paraenses e leva arte inspirada na cultura regional para diferentes espaços do local.
Com o tema “Cultura Viva”, cada artista desenvolveu uma obra a partir de suas referências, entre elas o folclore, a musicalidade, os saberes tradicionais e personagens da cultura popular. Os trabalhos são assinados por artistas com trajetórias em áreas como caricatura, quadrinhos, murais e intervenções urbanas.
A curadoria é assinada pelo cartunista, chargista e ilustrador paraense J. Bosco, que também integra o Grupo Liberal. Segundo ele, o convite partiu do Centro Cultural, que conhecia sua experiência em curadorias.
“O Centro Cultural Banco da Amazônia me chamou para fazer a curadoria dessa mostra de grafismo, com um tema muito nobre, ‘Cultura Viva’, dentro de uma especialidade de paisagem e de artes de artistas locais, com a finalidade de mostrar a nossa cultura. Então, eu estou muito orgulhoso de ver o resultado desse trabalho”, afirma.
Referências de Belém nas paredes
Bosco também criou uma obra inspirada em Belém e na música de Dona Onete: uma garça namoradeira paquera o urubu do Ver-o-Peso, enquanto um mapinguari aparece na floresta. “A mostra tem o objetivo de enaltecer nossa cultura regional e nossos artistas amazônicos de forma colorida e lúdica. É um trabalho coletivo”, diz.

A ilustradora e quadrinista Helô Rodrigues escolheu reunir duas manifestações que acompanham sua história: o Círio de Nazaré e o Arraial do Pavulagem. Desde criança, ela participa das celebrações com a mãe.
“Tentei retratar o Círio das Águas e o Boi Pavulagem como se fosse um só. As fitas coloridas do boi viram como se fossem o rio por onde o barco com a Santinha vai passar”, explica.

Bosco conheceu o trabalho de Helô em uma oficina de quadrinhos no Centro Cultural, como relembra a artista. Para ela, representar essas manifestações é uma forma de expressar sua ligação com a cultura paraense.
“O Círio faz parte da minha vida e não consigo não representar dentro da minha arte, a mesma coisa o Arraial do Pavulagem. São manifestações com as quais tenho um laço emocional gigantesco e que resumem muito meu amor pela nossa cultura”, afirma.
O folclore como inspiração
Allen Campos escolheu o Curupira para representar na exposição. Artista há 20 anos, ele começou com caricaturas e, nos últimos dez anos, passou a se dedicar ao grafite e à pintura de murais.

“Quando fui convidado pelo J. Bosco para participar dessa exposição, com o tema Cultura Viva, pensei logo em escolher o Curupira, como forma de homenagear o folclore popular local”, conta.
Além de Bosco, Helô Rodrigues e Allen Campos, participam Ka Miranda, Luciano Meskyta, Paulo Emmanuel e Thay. As obras permanecerão nas paredes do foyer, incorporando a produção artística ao percurso cotidiano dos visitantes.
A visitação ocorre de terça a sexta-feira, das 10h às 16h. A partir de 3 de novembro, o horário será ampliado para das 10h às 18h. Aos sábados, domingos e feriados, o espaço funciona das 10h às 14h.
Serviço:
Lançamento da Mostra de Grafismo “Cultura Viva”
- Data: 29 de outubro (quinta-feira)
- Horário: 17h às 18h
- Local: Centro Cultural Banco da Amazônia, avenida Presidente Vargas, 800, Belém.
- Entrada gratuita
Visitação: terça a sexta, das 10h às 16h (a partir de 3/11, novo horário: das 10h às 18h); sábados, domingos e feriados, das 10h às 14h.
