O ator Alexandre Barillari esteve no início do ano em Belém e se encantou pelas belezas naturais, história e gastronomia local. Agora, ele volta à capital paraense para vivenciar o seu primeiro Círio de Nazaré. Para além da sua religiosidade, o ator quer ver de perto a manifestação cultural que inunda a cidade no próximo fim de semana.
“Se a vida fosse um filme, neste exato momento da narrativa entraria um flashback onde se vê o Alexandre tocando nas mãos da santa na porta da Basílica e pedindo a ela para que pudesse realizar o desejo de conhecer o Círio. Corte descontínuo, eu amarrando uma fitinha colorida no gradil da Basílica, ainda em obra, e me preparando para a grande festa. E aí outro corte descontínuo, eu chegando em Belém agora no próximo dia 9 e o sonho se transformou em realidade. Tenhamos sempre cuidado com tudo o que a gente pede ao universo, porque ele pode fazer o seu sonho se realizar. Como está fazendo o meu agora. A experiência na Basílica foi incrível, com uma menina que fez uma visita guiada deslumbrante e também com outra experiência imperdível, que é a objetividade e a clareza do Museu da Basílica; é uma imersão nessas salas absolutamente imersivas e, por acaso, no dia em que eu fui, já era muito tarde, já era, acho que, o último período, eu estava sozinho, de maneira que eu pude viver aquilo, quase que tocar a santa através daquela realidade virtual na Descida da Glória, mas também ficar imaginando quando Plácido acha uma santinha dentro de um tronco de taperebá. Aí, todas as vezes que, eventualmente adentrando a floresta, vejo um taperebá ou tomo um sorvete, eu fico lembrando de como as coisas podem estar encadeadas nessa vida tão cheia de mistérios”, emociona-se o ator.
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Alexandre Barillari estará em Belém a convite do projeto "Janelas da Fé". Em sua quinta edição, realizada nos dias 10 e 11 de outubro, durante as procissões da Trasladação e do Círio de Nazaré, o espaço recebe convidados na avenida Nazaré para vivenciar a imersão religiosa e cultural na rota de passagem da imagem de Nossa Senhora de Nazaré.
Com formação católica, estar no meio da romaria será uma experiência avassaladora para ele. Alexandre conta que vivenciar de perto esses momentos será de crescimento: “Eu me comovo como um menino, sendo testemunha da fé, não só da minha, quando os meus desejos se realizam ou quando os meus flagelos se atenuam, quando eu suplico por isso e as coisas acontecem, no invisível, palavra em que eu tanto insisto, eu me comovo demais. E me comovo muito e sobremaneira com a fé dos outros. A fé da gratidão me é muito persuasiva. Eu, como falei, vai ser minha primeira vez diante dessa gratidão seminal a Nossa Senhora de Nazaré. Vou ouvir mil histórias que de certo vão me comover, acho essa uma seara da vida, assim, surpreendente, sabe? Porque às vezes a gente é atropelado muito pelo dia a dia, a gente esquece que por trás disso tudo, a meu sentir, existe uma força tão grande que nos conduz, que nos move, que nos guia e tal. E às vezes a gente esquece, em geral, a gente lembra na hora da dor. É muito lindo a gente lembrar disso, não na hora da dor, mas na hora da gratidão, na hora da alegria, do sorriso. Vão ser milhares de pessoas que eu vou observar ali, cada uma com a sua história, com a sua vitória ou com a sua súplica e tal. E eu vou adorar poder ouvir mais dessas mil histórias.”
Além de atuar, Alexandre Barillari tem formação em Arquitetura. Em sua visita anterior à capital paraense, o artista observou o acervo arquitetônico do centro histórico de Belém, composto por casarões e vias urbanas integradas ao trajeto do Círio de Nazaré.
“É a Paris dos trópicos, é um prato cheio para quem tem um olhar dedicado às belezas da arquitetura como eu. Os palacetes, o Theatro da Paz... Fui fazer os circuitos desses tesouros da arquitetura paraense, da Belle Époque, do final do século XIX até o começo do século XX, que, através da borracha, produziu esses exemplares magníficos de arquitetura. Agora eu vou conhecer um pouco mais as ilhas. É claro que é sempre um terreno muito fértil, não conheço tudo ainda, mas, até por conta da movimentação do Círio em si, quando a cidade modifica a paisagem, ou pelo menos a percepção da paisagem é completamente diferente, talvez não seja o ambiente mais propício, a melhor hora para admirar essas belezas da arquitetura paraense. Mas vou admirar as ilhas, vou ao Marajó, vou a Cotijuba. Vai ser lindo como sempre é a experiência no Pará”, pontua.
Embora já conheça elementos da arquitetura, das paisagens naturais e da gastronomia local, com restrições, o ator registra que o estado do Pará dispõe de outros itinerários a serem explorados: “Esse é um ponto nevrálgico. Eu não como nada que nada, o que quer dizer, eu no Pará fico, com o perdão do trocadilho, ligeiramente desamparado, mas nem de todo, porque nessa ida a Belém, neste ano, eu pude experimentar a maniçoba e eu amei. Eu comia pratos tão fartos de maniçoba que ninguém nem acreditava. Além disso, arroz de pato eu adoro, eu adoro. Tem mil coisas, os queijos do Marajó, que eu também amo. São muitas iguarias que eu adoro, simplesmente eu não como as coisas que nadam. Por outro lado, uma das grandes coisas que eu quero conhecer é justamente a procissão fluvial, porque eu fico sempre muito abismado com o tamanho das coisas, porque infelizmente, quando eu era jovem, a gente estudava nos livros de geografia aquele mapa onde a gente não consegue detectar as coisas. E hoje em dia, com essa revolução das inteligências e tal, você pode ir abrindo os mapas, até quase dar um mergulho na foz do Amazonas e perceber como ele banha ali a costa do Marajó para efetivamente chegar no estuário do rio Amazonas até Belém. Então essa procissão fluvial, eu estou louco para conhecer, para sentir um pouco desse espírito através das águas.”
