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Carnavalesco paraense Milton Cunha fala de abuso sexual cometido pelo próprio pai

Milton mistura as lembranças de sua origem na Ilha de Marajó (PA)

Bruna Lima

27 de fevereiro de 2022 às 10:20

Paraense Milton Cunha recorda da infância de abusos e preconceitos

Paraense Milton Cunha recorda da infância de abusos e preconceitos ( Foto: Reprodução Instagram )

O carnavalesco parense Milton Cunha, comentarista da TV Globo, em entrevista à editoria TAB do portal UOL, recordou das lembranças de sua origem na Ilha de Marajó e a dificuldade na infância.

"Meus dois irmãos mais velhos, héteros, iam pro jogo de futebol com meu pai. O mais novo não era assumido, ao contrário de mim, que sempre fui para a porrada, com pé na porta. Por isso apanhei muito, era castigo físico todo dia", diz.

Estudou em colégios de freiras, sempre sendo expulso de um e realocado em outro. "Só tinha medo de morrer, medo deles [meus pais] me matarem antes de eu conseguir ir embora. Mata-se muito menino gay no interior, criança viada é um problema para certas famílias. O estudo me salvou. Era bom aluno, mas endiabrado na sala de aula." Seus olhos lacrimejam, mas ele controla a emoção. Fala da convivência em casa com ar de superação.

"Todo dia era uma porrada dos irmãos ou do meu pai. Os dois mais velhos me agrediam muito! O mais novo me chantageava. Eu tinha transado com o vizinho e ele vivia naquilo de 'vou contar'. Foi uma clausura que enfrentei com deboche. Até porque a outra opção era morrer, não tinha negociação." O paraense revela que também sofreu agressões sexuais do pai. "Tinha rolado umas bolinações sexuais na infância, eu me lembro claramente. Era muito criança, no colo, ele sentava na calçada comigo e ficava pegando no meu pau. Só adulto entendi que aquilo tinha conotação sexual."