Cantar a liberdade, o amor, a juventude, o questionamento sobre justiça social e outros temas caros a quem vive no Brasil é algo sempre necessário no contexto do país. O cantor e compositor cearense Belchior (1946-2017) fez isso com maestria. Por isso, a obra dele continua ecoando entre quem tem sensibilidade para a poesia e a música que transformam, como o cantor paraense Carlos Guthyerrez. Assim, Carlos apresentará o show "Carlos Guthyerrez, Rapaz latino-americano: 80 anos de Belchior", nesta sexta-feira (23), às 20h, no Teatro do SESI, na avenida Almirante Barroso com a Dr. Freitas, em Belém. Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do teatro ou no site do Sympla. Belchior completaria 80 anos na próxima segunda-feira (26).
Nascido em Belém e morando em Ananideua desde os 8 anos de idade, Carlos Guthyerrez diz que o show tem um formato que foi evoluindo ao longo de 12 anos. "Músicas que não cantei no primeiro como 'Brincando com a vida' e 'Pequeno mapa do tempo' foram entrando ao longo dos anos. Também inseri um poema de Fausto Fawcet", revela.
"Mas a grande novidade é a música 'Canto torto', feita por dois compositores maravilhos chamados André Macleuri, que mora em Portugal desde 2019, mas sempre nos comunicamos, e Marcelo Carvalho. Fizeram em homenagem a Belchior e a mim. A música, inclusive, está nas plataformas de streaming, gravei e lancei dia 17 de outubro só pra dar tempo de lançar no show. São aproximadamente 20 músicas no show. Clássicos como 'Como Nossos Pais', 'Coração Selvagem', 'Alucinação' e muitas outras pérolas estarão no roteiro", adianta o cantor.
Guthyerrez presta homenagem a Belchior desde 2014, ou seja, desde a estreia no Teatro Experimental Waldemar Henrique. "E de lá pra cá, faço sempre no período do aniversário de nascimento dele em 26 de outubro", diz.
Diante da pergunta sobre por que cantar Belchior, Carlos Gulthyerrez é direto: "Por que não cantar? Rsrsrsrs. As letras do Belchior não reflerem apenas um tempo. Ele reflete o ser jovem, o ser conflituoso, a admiração pela vida, a novidade das coisas quando vamos descobrindo experiências. As reflexões, a vida, em resumo, e isso acompanha a humanidade. Mas cada um evolui do seu jeito. Mas evoluir, perceber, refletir seja lá como for, é universal. É atemporal e 'obrigatório', senão você é engolido pelos contextos históricos e sociais em que você está inserido".
Carlos Guthyerrez iniciou sua carreira musical apresentando-se em bares de Ananindeua e Belém, intercalando com pequenos espetáculos musicais teatrais. Esse artista já fez apresentações para homenagear nomes como Clementina de Jesus, Carmem Miranda, Dorival Caymmi, Maria Bethânia e Nelson Gonçalves. Portanto, como se vê, trata-se de um intérprete versátil que aceita desafios.
Som e letras no tempo
As canções de Belchior falam sobre relacionamentos entre pessoas, de pessoas com a sociedade em que vivem. Desse modo, esse compositor trata dos caminhos e descaminhos do amor; de questionamento do poder, na busca por justiça social no Brasil; dos desejos da juventude do ser; da realidade autobiográfica dele, semelhante à de muitos outros brasileiros, e por aí vai. A canção "Como nossos pais", imortalizada pela inesquecível Elis Regina, traz, entre outros versos: "Eu vou ficar nesta cidade/Não vou voltar pro sertão/Pois vejo vir vindo no vento/Cheiro de nova estação/Eu sei de tudo na ferida viva/Do meu coração".
Em outra letra brilhante, a de "A Palo Seco", Belchior diz: "Se você vier me perguntar por onde andei/No tempo em que você sonhava/De olhos abertos, lhe direi/Amigo, eu me desesperava", numa escrita que brinda o leitor com uma crítica política e social contundente.
Guthyerrez afirma que aprecia muito a introspecção das letras de Belchior, "revestida pela expansividade das melodias e arranjos". E ainda bem que não é só ele quem aprecia o canto desse compositor do Brasil. Em "Sujeito De Sorte", o compositor dispara versos como: "Tenho sangrado demais/Tenho chorado pra cachorro/Ano passado eu morri/Mas esse ano eu não morro". O universo sonoro desse artista abrange, entre outras canções: "Apenas Um Rapaz Latino-Americano", "Alucinação", "Paralelas", "Coração Selvagem", "Na hora do almoço", "Velha Roupa Colorida", "Comentário a respeito de John", "Divina Comédia Humana", "Medo de Avião", "Conheço o meu lugar", "Fotografia 3 X 4", "Não Leve Flores", "Pequeno mapa do tempo", "Galos, Noites e Quintais", "Como o Diabo Gosta" e "Mucuripe".
Belchior faleceu em 30 de abril de 2017, aos 70 anos, na cidade de Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul. A causa da morte foi a ruptura de um aneurisma da aorta, a principal artéria do corpo humano.
Serviço:
Show 'Carlos Guthyerrez, Rapaz latino-americano: 80 anos de Belchior'
Em 23 de outubro de 2026, às 20h,
No Teatro do SESI, na avenida Almirante Barroso, 2540, bairro do Marco, em Belém (PA)
na esquina com a Dr. Freitas
Ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do teatro ou no site do Sympla.

