Bandas covers conquistam o público das noites paraenses

Grupos de tributo, como U2 Belém 4U, Moonchild (Iron Maiden Tribute), Bon Jovi Cover e Mojo Doors - The Doors Tribute são grandes atrações.

João Paulo Jussara*

Tocar grandes clássicos do ídolo favorito é uma terapia para muitos músicos profissionais ou amadores. Enquanto alguns fazem dessa prática um hobby, outros ganham a vida encarnando na pele grandes astros da música, inclusive tentando reproduzir as características físicas que, muitas vezes, definem a composição artística e identitária daquela personalidade. Para isso, vale copiar o penteado, o modo de se vestir, os trejeitos no palco e até mesmo a forma de cantar. Em Belém, o cenário das bandas covers vem crescendo nos últimos anos, e cada vez mais grupos de tributo ganham espaço na noite paraense.

Uma das bandas que conseguem incorporar muito bem essa experiência visual nos palcos é a "U2 Belém 4U", criada em 2010 pelos amigos Oton Rib e Lucas Borsoi, fãs da banda de rock irlandesa que se consolidou nos anos 80 como uma das mais influentes do rock mundial.

A admiração pelo U2 surgiu na vida do vocalista Oton em 1998, quando os irlandeses vieram ao Brasil apresentar a "Popmart Tour", turnê de divulgação do disco "Pop", lançado um ano antes. "Era ano de Copa do Mundo, e eles tocaram exatamente no dia do meu aniversário. Eu tinha uma namorada à época, fui à casa dela, e toda a família se reuniu para assistir ao show pela televisão. Aquela apresentação me encantou", relembra o frontman da banda paraense.

Mais de uma década depois, a banda U2 Belém 4U foi formada, apresentando-se pela primeira vez em 2010, no Studio Pub. Com o passar do tempo, a banda foi ganhando mais prestígio, fazendo shows na noite de Belém e conquistando um público cada vez mais presente, com uma sonoridade que foi se tornando bem fiel à original. Após alguns shows, o vocalista Oton foi diagnosticado com sensibilidade à luz. Foi a partir de então que o músico passou a se apresentar com óculos escuros, marca registrada de Bono.

O figurino e o penteado vieram para completar a caracterização do personagem, chamando a atenção dos fãs. "Os óculos, as roupas, o penteado, a forma de segurar o microfone, é muito legal ver isso, e é uma grande responsabilidade. Eu tento fazer de tudo para que haja, além da experiência musical, uma experiência visual para os fãs do U2", afirma. A formação atual da banda conta com Oton Rib nos vocais (Bono), Lucas Borsoi na bateria (Larry Mullen Jr.), Douglas Bonifácio na guitarra (The Edge) e Lúcio Del Rey no baixo (Adam Clayton).

Lenda do rock em solo paraense

O músico Yuri Martins também sabe muito bem como é encarnar lendas do rock em solo paraense. Vocalista das bandas "Moonchild (Iron Maiden Tribute)" e Bon Jovi Cover, o cantor passeia por dois estilos musicais diferentes, e tem a missão de reproduzir os clássicos do heavy metal cantados pela voz versátil de Bruce Dickinson, que possui uma enorme extensão vocal, atingindo notas em tons altíssimos, bem como os hits do americano Jon Bon Jovi, totalmente influenciados pela música pop oitentista. 

A banda "Moonchild - Iron Maiden Tribute" foi formada em 1992, em Belém (Divulgação)

Para o cantor, a tarefa de interpretar duas lendas do rock de estilos diferentes não é das mais simples. "São dois estilos de vocais bem distintos tecnicamente falando, e que exigem um certo cuidado a mais antes de cada show, desde um aquecimento diferente focado em drive ou falsete, até mesmo cuidados mais básicos como não tomar água gelada. Tudo isso pode alterar a performance", explica o músico.

De acordo com Martins, a responsabilidade de representar duas lendas do rock é muito maior para ele, por ser muito fã de ambos os artistas. "Eu sou muito crítico com o meu próprio trabalho, e acredito que os fãs também sejam. Mas acho que o fato de uma banda ter 8 anos e a outra 27, quer dizer que o trabalho tem sido bem feito", conclui o cantor.

O Iron Maiden Tribute faz show no dia 02 de março em Cametá, e também no festival do Studio Pub, ainda sem data confirmada. Já a banda Bon Jovi Cover também está confirmada no mesmo festival.

Referência e inspiração

O icônico Jim Morrison, vocalista da banda americana The Doors, falecido em 1971, aos 27 anos, marcou a história do rock. Sua obra continua a influenciar artistas de vários gêneros musicais, e a sua voz grave e inconfundível se eternizou como uma das mais importantes daquela geração.

O líder do The Doors morreu em 1971, com apenas 27 anos de idade (Reprodução)

Em Belém, a banda é homenageada pelo grupo "Mojo Doors - The Doors Tribute", formado por Fabrício Corrêa nos vocais, Arthur Cunha no baixo, Henrique Penna na bateria, Antônio Pires nos teclados e Luis Fernando na guitarra. 

A banda surgiu há 10 anos, a partir de influências musicais em comum entre Fabrício e Henrique. Corrêa afirma que Morrison é uma das suas maiores referências e inspirações como cantor. "Ele fazia música para gente altamente intelectualizada, transmitia experiência de uma vida inteira sendo tão jovem. A sonoridade obscura deles me fascina e conquista novos fãs mesmo nos tempos atuais", ressalta o músico.

Segundo o vocalista, o cenário das bandas covers em Belém conta com ótimos músicos já estabelecidos na cena, fazendo tributos à seus ídolos e influências. "Já é uma cultura da capital paraense", pontua.

Fabrício explica que intepretar seu maior ídolo na música é um trabalho muito especial. "É diferente de tudo que já fiz. Nós fazemos tudo com muito carinho e perfeccionismo, para ser o mais fiel possível à obra do artista. É um trabalho digno de fã para os fãs", finaliza.

*Sob a supervisão da editora Clara Costa

Cultura
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