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MÚSICA

Banda paraense Reagents lança primeiro álbum de estúdio com 13 faixas

Em “Dias de Onça”, grupo de Ananindeua aborda conflitos, perdas e recomeços e combina referências do rock com elementos da cultura amazônica

O Liberal

12 de outubro de 2026 às 14:32

Banda Reagents

Banda Reagents ( Foto: Madu Gomes )

A banda paraense Reagents lançou “Dias de Onça”, seu primeiro álbum de estúdio, já disponível nas plataformas de música. Com 13 faixas, o trabalho aborda conflitos, términos, inseguranças, perdas e decisões difíceis. Produzido de forma independente, o disco foi desenvolvido entre outubro de 2025 e agosto de 2026 e apresenta uma narrativa sobre ciclos e a busca por forças para enfrentar períodos de instabilidade.

Formado em 2017, em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, o grupo chega ao álbum após os EPs “Fuzz”, de 2024, e “Samsara”, de 2025. A banda também participou da coletânea “Marulho Vol. 1”, com as músicas “Timbó” e “Sizígia”. A formação atual tem Lusce (voz), Matheus Castro (baixo), Léo Nunes (bateria), Rafael Fiel (guitarra) e Ozéias Pinheiro (sintetizador e guitarra).

O título parte da expressão “dias de cão”, associada a períodos difíceis, mas substitui o cão pela onça, animal ligado à fauna amazônica.

Segundo Lusce, vocalista da banda, a mudança representa uma maneira mais instintiva e combativa de atravessar desafios. “É passar por todos os processos dos dias e situações difíceis, desafios e problemas de uma nova fase da vida com um olhar mais feroz e selvagem”, explica.

A onça integra a identidade visual do álbum, que também dialoga com pinturas marajoaras e outros elementos amazônicos. Na música, o grupo reúne influências de Queens of the Stone Age, My Chemical Romance, Supercombo, REO Lamos, da banda paraense Noturna e do EP “Fuzz”.

Ozéias Pinheiro cita as duas primeiras bandas entre as referências do disco, enquanto Lusce destaca a potência vocal e as características das vozes femininas paraenses.

Produção coletiva

As gravações ocorreram nos estúdios Bostas Studio, DDevil’s Room, Ozzy Studio Room e Room Of Lusce. Os integrantes participaram da pré-produção, gravação, mixagem e masterização, além da criação das artes e dos elementos visuais.

Para Rafael Fiel, guitarrista, a produção independente permitiu experimentar sem seguir uma fórmula. “Esse processo se tornou mais livre, pois todos podiam experimentar sem a pressão de alguém dizendo que estava acabando nosso tempo ou que não estávamos nos atendo a um rótulo de mercado”, afirma.

A composição foi coletiva, com participação dos cinco integrantes nas letras, nos arranjos, timbres e estruturas.

Ciclos e recomeços

As faixas acompanham um percurso que começa com “Memento Vivere”, introdução que remete ao amanhecer e ao início de um ciclo, e passa por relações encerradas, inseguranças, ambientes tóxicos, pressão por decisões, conflitos internos e luto.

“#1” aborda a necessidade de afirmação e a insegurança por trás de uma postura egocêntrica, com participação de Oli Carso, vocalista da banda Kabocos; “Caelifera” trata do fim de uma relação; e “Yaguara”, da decisão de deixar um ambiente tóxico. “Espiral” explora a confusão de pensamentos e incorpora referências ao brega e ao calypso, enquanto “Solução” traz um riff de sintetizador inspirado em Queens of the Stone Age.

A faixa-título concentra a ideia de enfrentar adversidades e encontrar forças para reagir. Já “Farewell” aborda o luto e a despedida, e “Devagar” encerra o disco retomando elementos do início. A estrutura conecta as situações retratadas nas letras à ideia de que períodos bons e ruins se sucedem, fechando o ciclo narrativo iniciado na primeira faixa.

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