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AUTÓGRAFOS

Autores fazem homenagens no Dia Nacional do Livro

Paraenses vêm a falta de incentivo como um dos problemas do mercado literário

O Liberal

29 de outubro de 2018 às 07:54

( Foto: Cristino Martins/O Liberal )

“Um país que não lê, é um país sem informação”, afirma o escritor paraense Walcyr Monteiro.  Hoje (29), é celebrado o Dia Nacional do Livro, que remete ao dia de fundação da Biblioteca Nacional do Brasil, em 1810, no Rio de Janeiro, mas o incentivo à leitura ainda é pequeno no país. Apesar de uma história que teve início no século XIX, apenas 44% da população brasileira são consideradas de leitores, enquanto 30% nunca compraram um único livro, segundo dados da pesquisa Retrato da Leitura de 2015. 

Autor de mais de 30 livros, o autor vê um cenário de instabilidade. “Vejo um momento atual como se estivesse em crise. Muitas livrarias estão fechando em Belém. Não apenas como professor que fui, como jornalista e escritor, lamento muito. Precisamos ler mais. A média de leitura do brasileiro é mínima em relação ao resto do mundo”, avalia.

Para o autor, a chegada de novas mídias, aliado ao baixo incentivo, também ajuda na redução de interesse da população. “O público está muito atento à televisão, à rádio e isso faz com que não haja tanta leitura. O próprio celular tem contribuído pra isso. Se houvesse uma maior divulgação, a questão do patrocínio... Há leitores para qualquer faixa de idade, mas é necessária uma motivação. Nesse cenário, escrever é um ato de resistência cultural, com certeza”, destaca.

Para o escritor paraense Edyr Augusto Proença, a falta de incentivo é um dos maiores problemas enfrentados. “Cultura no Norte é muito difícil. Nós não temos tido nenhum tipo de fomento por parte do governo por mais de 20 anos. Apesar disso, tenho notado uma melhora saudável. Percebo a chegada de um público jovem, que de início se interessa por terror e ficção científica, que passa a conhecer os escritores paraenses”, avalia.

Curiosamente, o autor revela que passou a ser conhecido no Pará e no resto do Brasil só após fazer sucesso na França. “Passaram a me dar mais atenção. No Rio e em São Paulo foi do mesmo jeito. Mas nas livrarias daqui, na maioria, ainda sou um anônimo”, comenta. Mesmo assim, por ter conseguido uma boa editora que o divulgou internacionalmente, se considera um sortudo em um caminho com tantas dificuldades.

INCENTIVO

Hoje, tem início a Campanha Livro Viajante que tem como objetivo o estimulo ao hábito de leitura. De iniciativa do Aeroporto Internacional de Belém, a programação está na 6ª edição e dá destaque aos autores paraenses que se dedicam à literatura infantojuvenil. Na programação, cinco escritores paraenses irão participar de uma tarde de autógrafos, das 13h às 15h30, no Mezanino do terminal de passageiros. 

As obras disponibilizadas pelos escritores paraenses com foco no público infantojuvenil são: “As Casas” do autor e ilustrador de sonhos e poesias, Maciste Costa; “Onde a canção foi parar?”, audiobook escrito por Leonardo e Guto Risuenho; “Gaspar Vianna - O Legado de um Herói”, feito pela dupla de paraenses reconhecida internacionalmente: Joe Bennett e Ruy José; “HQ’s do Lucas - Um Jeito Diferente de Falar do Autismo”, de  Lucas Moura Quaresma e “Contos de Natal”, do escritor Walcyr Monteiro.  

Até o último dia da campanha, mais de dois mil livros estarão à disposição dos passageiros e serão identificados com o selo da campanha e podem ser encontrados tanto no saguão quanto na sala de embarque.

A iniciativa surgiu de um conceito nascido nos Estados Unidos, em 2004: o “BookCrossing”, que consiste na prática de deixar um livro num local público, para que outros o encontrem, leiam e voltem a “esquecê-lo” em outro ponto da cidade. Em Belém, a campanha tem parceria da Imprensa Oficial do Estado do Pará, por meio do projeto “Livro Solidário”, que doou 600 exemplares para essa edição.  

Serviço: 

Tarde de autógrafos dos autores paraenses

Data: 29/10 a 05/11

Horário: 13h às 15h30

Local:  Mezanino do terminal de passageiros

Informações: 91 9 9192-4516