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CULTURA

Auto do Círio 2026 une fé e memória vivas nas ruas de Belém

Evento cultural chega a sua 32ª edição, com programação focada na defesa do patrimônio da Amazônia, a partir das 18h, nas ruas da Cidade Velha

Eduardo Rocha

8 de outubro de 2026 às 21:24

A criatividade e o talento de artistas vão ocupar as ruas de Belém, no Auto do Círio 2026

A criatividade e o talento de artistas vão ocupar as ruas de Belém, no Auto do Círio 2026 ( Foto: Foto: Carmem Helena / Arquivo O Liberal )

Ruas de diversos formatos e edificações de diferentes usos, junto a áreas verdes, constituem o cenário usual de centros urbanos na Amazônia, por onde transitam gerações de pessoas com suas histórias entre si. Para que essa interação entre gente, prédios e espaços verdes possa continuar existindo, é necessário que instituições e cidadãos em geral possam zelar pela preservação desse patrimônio. Esse cuidado com a memória, aliado à fé que se expressa ainda mais latente entre os paraenses, amazônidas, em outubro, em Belém, é que norteará nesta sexta-feira (9), a partir das 18h, o Auto do Círio 2026. O evento, na sua 32ª edição, ocorrerá em forma de cortejo justamente pelas ruas do bairro histórico da Cidade Velha. O Auto é um programa de Extensão da Universidade Federal do Pará (UFPA), coordenado pela Escola de Teatro e Dança dessa Universidade (Etdufpa) e tem como tema este ano: “Maria, Salvai e Guardai Nosso Patrimônio Sagrado e Nossa Fé”. O reitor da UFPA, Gilmar Pereira da Silva, acompanhará, inclusive, o evento. 

Diretora-geral do Auto do Círio 2026, a professora Inês Ribeiro destaca que o evento configura-se como “um Ato de Defesa do Patrimônio Cultural e da Poética da Amazônia”. “Neste ano, reverenciamos Nossa Senhora de Nazaré a partir do tema “Maria, Salvai e Guardai Nosso Patrimônio Sagrado e Nossa Fé”. O cortejo transforma as ruas do Centro Histórico em espaço de arte, memória, fé e resistência. O público encontrará uma grande manifestação de arte pública, com a participação de artistas-devotos de Belém e de outros municípios, reunindo diferentes vozes, corpos, expressões e cores da nossa terra”.

Inês diz que “a proposta é ocupar poeticamente o Centro Histórico e chamar a atenção para a necessidade urgente de preservar o nosso patrimônio material e imaterial”. “O Auto transforma as ruas em palco e reafirma que a cultura é um direito humano fundamental”, reitera. Nesse sentido, a mensagem do 32º Auto do Círio é que “ ‘salvar e guardar’ não é um pedido passivo, mas um compromisso ativo com a salvaguarda da nossa identidade”.

“Queremos lembrar que proteger o patrimônio é também proteger as histórias, as tradições, a fé e as manifestações culturais que constituem a identidade amazônica paraense. Nossa fé e nossa memória precisam permanecer vivas e ocupar as ruas da cidade”, enfatiza a diretora-geral do Auto.

Arte nas ruas 

O Auto do Círio 2026 começará às 18h desta sexta-feira (9), com a saída do cortejo da Praça do Carmo, no Centro Histórico de Belém. O cortejo percorrerá as ruas da Cidade Velha, levando para o espaço público essa celebração que une o sagrado e o profano, a arte e a fé, a memória e a resistência, como ressalta Inês Ribeiro. O percurso envolve, depois da Praça do Carmo, a passagem (paradas) pela frente da Catedral Metropolitana, no Largo da Sé, pelo Instituto Histórico e Geográfico do Pará (IHGP) e tem seu encerramento na frente do Museu do Estado do Pará (MEP). O acesso do público ao evento é gratuito.

“Chegar à 32ª edição significa reafirmar a força de uma tradição que permanece viva e necessária. O Auto do Círio nasceu como uma forma de ocupar artisticamente as ruas e, neste ano, recupera inclusive uma proposta inicial pensada por Zélia Amador de Deus e Margareth Refkalefsky, olhando para o presente e para os desafios atuais da cidade”, destaca a professora Inês. “É uma história construída por artistas, devotos, pesquisadores, comunidades e pelo público. Hoje, o Auto reafirma seu papel como espaço de memória, celebração, resistência e defesa do patrimônio cultural”, acrescenta.

Está confirmada no Auto a participação da atriz paraense Dira Paes, homenageada com o título de Doutora Honoris Causa da UFPA em 7 de maio de 2026. Dira é a embaixadora do Auto do Círio 2026. Ela receberá uma homenagem ao final do cortejo, no Museu do Estado do Pará.

Um nome que não poderia ficar de fora da programação do Auto do Círio 2026 é o da professora Zélia Amador de Deus. Zélia faleceu aos 76 anos de idade em 8 de setembro deste ano. “Zélia Amador de Deus está presente na própria concepção desta edição. Recuperamos a proposta inicial pensada por ela, atualizando-a para o presente. Teremos uma ala em sua homenagem, além de um momento muito especial com a sua família no palco final (no MEP)”, destaca Inês Ribeiro. “Sua contribuição faz parte da memória e da história do Auto do Círio e permanece como referência para pensar a cultura, a diversidade e a ocupação artística das ruas de Belém”, complementa. O Auto do Círio mobiliza cerca de 500 artistas-devotos de Belém e de outros municípios paraenses. 

Serviço:

Auto do Círio 2026

Em 9 de outubro de 2026, às 18h

Saída da Praça do Carmo, na Cidade Velha, 

em Belém (PA)

Acesso gratuito

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