O artista visual paraense Claudio Cretti reencontra o público em Belém a partir desta quinta-feira (15) com duas exposições individuais simultâneas sobre desenhos abstratos e esculturas de objetos garimpados em um diálogo entre essas duas linguagens. Essas exposições resultam das recentes pesquisas de Cretti: "Desenhos: Uma antologia", que ocupa o Espaço Cultural Athias Soriano, e “Evocativos”, no Centro Cultural Brasil Estados Unidos (CCBEU). Cretti nasceu em 1964 e mora em São Paulo desde a infância. As duas mostras têm texto crítico de Mariano Klautau Filho.
Para Mariano, Claudio Cretti "compõe uma unidade formal singular na qual as peças encaixam-se de modo coeso; em formas delgadas que parecem arriscar-se, em muitos casos, a um exercício constante de equilíbrio provisório".
Configurações
Em “Desenhos: Uma antologia”, o público encontra trabalhos produzidos desde o início dos anos 2000, feitos a óleo ou com bastão de óleo. As obras são abstratas e se afastam da representação mimética. Linhas e cores sobrepostas sugerem formas ambíguas e orgânicas, de densidade quase corporal. O conjunto funciona como um arquivo de gestos em transformação contínua.
A seleção expõe o vínculo entre as duas linguagens do artista. Como resume o crítico Lorenzo Mammi, "os desenhos são esculturas e as esculturas são desenhos".
Já “Evocativos” reúne a produção escultórica dos últimos dez anos do artista. O ponto de partida são materiais que Cretti recolhe ao longo do tempo e das caminhadas. Há peças de feiras, oficinas e antiquários que, ao perder a função original, passam a revelar qualidades plásticas.
No ateliê, esses itens convivem com peças esculpidas do zero em granito, mármore, madeira e metal. O processo é de tentativa e ajuste, até que o artista chegue a uma configuração capaz de sustentar a forma. O resultado são assemblages de presença marcante, muitas vezes com traços antropomórficos, além de "objetos-coisa" e relações novas, criadas pela justaposição de elementos.
Claudio Cretti é escultor, desenhista, professor e cenógrafo. Estudou no Instituto de Arte e Decoração (IADE) e na Escola de Belas Artes, e em 1985 passou a integrar o Grupo de Arte Ponkã, período dedicado ao teatro e à performance. A partir de 1989 voltou-se para uma pesquisa visual em desenho e escultura, propondo intermediações entre o bi e o tridimensional.
Foi nos anos 1990 que ele produziu grandes relevos feitos de camadas de papel recobertas por pigmento, as primeiras esculturas em mármore e madeira, pequenos relevos em fibra de vidro que transitam entre pintura e objeto, e desenhos com bastão oleoso que dialogam com a escultura pela densidade da matéria. A partir dos anos 2000, suas séries ganharam contornos mais orgânicos e passaram a estabelecer um diálogo entre natureza e cultura. Nem as formas de seus trabalhos nem seus títulos, muitos extraídos da literatura, buscam nomear coisas: nomeiam as relações que elas estabelecem.
Entre as individuais, destacam-se Céu Tombado, no Paço das Artes (2004); Onde pedra a flora, na Estação Pinacoteca (2006); Luz de ouvido, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte (2008); Coisa Livre de Coisa, na Galeria Marilia Razuk (2011); e Quimeras, também na Galeria Marilia Razuk, com curadoria de Tadeu Chiarelli (2019).
Participou de coletivas no Instituto Tomie Ohtake, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, na Pinacoteca do Estado de São Paulo e no MAC-USP. Sua obra foi tema de documentário da TV Cultura e da rede SESI-SENAC (2004) e do livro "Claudio Cretti" (WF Martins Fontes, 2013). Foi fundador e professor da Escola Arco e atualmente é curador da Casa de Cultura do Parque, em São Paulo.
Serviço:
Exposição: Claudio Cretti - Desenhos: Uma antologia
Local: Espaço Cultural Athias Soriano - Av. Alcindo Cacela, 1858 - Nazaré, Belém / PA
Visitação: 15 de outubro a 18 de dezembro de 2026 - Seg à sex, 08h às 18h
Exposição: Claudio Cretti - Evocativos
Local: CCBEU – Centro Cultural Brasil Estados Unidos - Tv. Padre Eutíquio, 1309 - Batista Campos, Belém / PA
Visitação: Seg à sex, 08h às 19h / Sáb, 08h às 12h

