A artista indígena Posada, compositora, DJ e produtora, realiza show em Belém neste sábado, 10 de outubro de 2026, na Casa Apoena, localizada no bairro da Cidade Velha. A apresentação integra a edição de Círio de Nazaré do Baile Felina e contará com o repertório de "Flecha Envenenada", seu álbum de estreia, lançado em março.
O disco "Flecha Envenenada" possui oito faixas e é resultado de uma pesquisa musical que entrelaça carimbó, cumbia, reggae, dancehall, música eletrônica, ancestralidade, identidade indígena e memória. As referências do trabalho foram construídas ao longo da trajetória de Posada entre o Sul e o Norte do Brasil, com Belém desempenhando um papel crucial em sua formação artística e afetiva. A artista passou temporadas na capital paraense durante a juventude, experienciando festas de rua e encontros musicais.
Apresentação no Círio de Nazaré
A escolha de apresentar o álbum durante o período do Círio de Nazaré possui um significado especial para Posada. "O Círio é um momento muito importante no calendário e na vida do paraense", afirma a artista, destacando a efervescência da cidade. Para ela, a festividade representa "fé, afeto, acolhimento e comunhão, mas também de liberdade".
"Flecha Envenenada": proteção de territórios e memórias
O nome do álbum, "Flecha Envenenada", simboliza um processo de retomada identitária. A artista explica que a flecha representa a proteção de territórios e histórias. "A flecha envenenada vem na representação de um artefato que está protegendo um território, que está protegendo uma história", detalha Posada. Através da música, ela busca preservar as memórias e sonoridades que marcaram sua trajetória e experiências.
Belém: entre memórias e inspirações
As raízes colombianas de Posada se manifestam nas referências musicais da infância, quando ouvia bolero e salsa com o pai. Posteriormente, essas influências se encontraram e dialogaram com a cumbia e as diversas sonoridades descobertas no Pará.
Dentre as recordações marcantes de Belém, Posada cita as festas de Natal e Ano-Novo na Matinha, região que hoje corresponde ao bairro de Fátima. Nessas celebrações, as ruas eram ocupadas por famílias que montavam sistemas de som e DJs que animavam a vizinhança. "A cultura de estar na rua, de ocupar a rua com música, com festas, celebrações, foi uma experiência muito valiosa e que mudou muito também a minha forma de manifestação artística, popular", relata.
Essas memórias belenenses são transpostas para as faixas de "Flecha Envenenada". A música "Tenoné", que abre o álbum com ritmo de côco, resgata histórias da infância da mãe de Posada no bairro homônimo. Já "Madrugada" apresenta uma fusão de reggae, dancehall, rap e música eletrônica, e ganhou um videoclipe dirigido por Guima Neto. No clipe, Posada percorre de bicicleta locais de sua adolescência em Belém, como a Matinha, São Brás, Nando Vinil e Feira do Açaí, finalizando nas margens do rio Guamá. "É alguém que está retornando à cidade e quer viver esse dia", descreve a artista.
Baile Felina fortalece visibilidade feminina na música
O Baile Felina, idealizado pelas DJs e produtoras culturais Nat/Esquema e Gabi Matos, tem como objetivo ampliar a presença e a visibilidade de mulheres DJs no Pará. A participação de Posada no evento é uma continuidade de uma parceria iniciada em 2024, quando as artistas se apresentaram juntas. Posada celebra a oportunidade: "São parceiras que estão totalmente conectadas com os movimentos que eu faço". Nat/Esquema, nascida em Belém, é pesquisadora, DJ, produtora cultural e curadora com foco na música brasileira, paraense e cultura do vinil, e também fará parte da programação da noite.
Serviço
- Evento: Baile Felina — Edição de Círio de Nazaré
- Atrações: Posada e Nat/Esquema
- Data: 10 de outubro de 2026 (sábado)
- Horário: Das 20h às 4h
- Local: Casa Apoena
- Endereço: Rua São Boaventura, nº 171, Cidade Velha, Belém
