A produção artística paraense está em destaque na ART.PE 2026, feira de arte contemporânea do Nordeste, que iniciou na última quarta-feira, 14, e vai até domingo, 18, no Recife Expo Center, em Recife (PE). A Boaventura Arte, galeria de Belém, participa do evento com obras de dez artistas que abordam a Amazônia.
No estande G13, o público pode conhecer trabalhos de Carol Loução, Dannoelly Cardoso, Emily Guimarães, Geraldo Teixeira, Giovanna dos Reis, Jorge Eiró, Jordana de Matos, Luciana Lemos, Matheus Duarte e Sara Rezende.
Em sua quinta edição, a ART.PE 2026 dobrou de tamanho e ocupa 5 mil metros quadrados, reunindo cerca de 60 galerias nacionais e internacionais. A direção executiva é de Diogo Viana, e a direção artística, de Beth da Matta.
Diversidade de gerações e linguagens artísticas
A seleção da Boaventura Arte aproxima diferentes gerações e linguagens artísticas. Com trajetória consolidada, Geraldo Teixeira, de Belém, transforma a azulejaria das fachadas da capital paraense em geometrias orgânicas inspiradas no movimento das águas.
Jorge Eiró, arquiteto e professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), constrói cartografias afetivas. Suas obras unem rios, mapas, cinema e história da arte, refletindo sobre o território.
Entre as pesquisas contemporâneas, Dannoelly Cardoso, de Bragança, retrata rostos e olhares de mulheres amazônidas. Ela explora questões ligadas ao corpo feminino, à memória, ao pertencimento e à resistência em sua produção.
Desde 2025, as obras de Dannoelly Cardoso integram os acervos do Museu de Arte de Belém e do Museu de Arte da UNAMA.
A artista destaca a dimensão pessoal de sua produção: “Busquei trabalhos que carregam um pouco da minha trajetória, das minhas vivências e das questões que atravessam minha produção”, afirma Dannoelly Cardoso.
Para ela, as obras estabelecem conexões e convidam o público à reflexão, mesmo com narrativas próprias. "Somos atravessados por muitas Amazônias, e cada artista encontra sua própria forma de expressá-las”, complementa, reforçando a diversidade da arte paraense.
Olhares jovens e a pluralidade amazônica
A multiplicidade da arte paraense manifesta-se em diversas técnicas. Pinturas, fotografias, costuras e esculturas são reunidas pela galeria. Luciana Lemos investiga quintais, ervas de proteção e saberes de benzedeiras.
Giovanna dos Reis aborda espiritualidade, memória e território, enquanto Jordana de Matos explora a relação entre corpo e geometria em suas criações.
Na geração mais jovem, Emily Guimarães apresenta a série Murmúrios. Suas quatro pinturas a óleo retratam paisagens litorâneas paraenses e as mudanças entre tempestade e calmaria.
Matheus Duarte investiga identidade e representação a partir da experiência de ser um homem negro amazônico. Sara Rezende trabalha com camadas e apagamentos, e Carol Loução explora, por meio da cerâmica, dimensões biológicas, emocionais, culturais e ambientais da existência.
Mais do que apresentar uma imagem única da região, a exposição reúne diferentes formas de perceber e narrar a Amazônia. Ela abrange desde seus rios e paisagens até corpos, quintais e arquivos afetivos, promovendo uma visão verdadeiramente plural.
“Belém sempre teve uma produção artística densa e original. Nosso trabalho é levar essa produção para onde ela precisa ser vista e abrir uma rota permanente para os artistas do Norte no circuito nacional”, afirma Victor Gama, diretor da Boaventura Arte.
Fundada em Belém, a Boaventura Arte atua na representação de artistas e no acompanhamento de suas carreiras. A galeria também promove a circulação da produção do Norte do Brasil, conectando diferentes territórios e gerações.
SERVIÇO
- Evento: ART.PE 2026 — Feira de Arte Contemporânea de Pernambuco
- Galeria: Boaventura Arte — Estande G13
- Período: 14 a 18 de outubro
- Horários:
- Quarta-feira (14): das 17h30 às 21h
- Quinta-feira (15) a sábado (17): das 13h às 21h
- Domingo (18): das 12h às 19h
- Local: Recife Expo Center — Cais de Santa Rita, 446, São José, Recife (PE)
- Ingressos: Sympla, a partir de R$ 25 na pré-venda
- Informações: boaventuraart.com

