Arte Pará 2026: conheça os 25 artistas selecionados para a mostra
Seleção dos trabalhos começou na segunda (10) e foi concluída nessa quinta (13); agora, a mostra do Grupo Liberal entra em nova fase para a abertura em novembro
Esta sexta-feira (14) é um dia muito especial para as artes visuais do Estado do Pará. É que, nesta data, são conhecidos os 25 artistas participantes do Arte Pará 2026, mostra competitiva promovida pelo Grupo Liberal, cuja abertura se dará em 5 de novembro no Museu do Estado do Pará (MEP), no bairro da Cidade Velha, no centro de Belém. A seleção das obras dos artistas começou na segunda-feira (10) e foi concluída nesta quinta-feira (13), mobilizando os jurados Marisa Mokarzel, Alexandre Sequeira e Camila Costa.
O Arte Pará chega em 2026 a sua 42ª edição. Esse evento resulta historicamente do empreendedorismo de Romulo Maiorana (1922-1986), idealizador e fundador do Grupo Liberal, e da esposa dele, Déa Maiorana (1934-2026). Romulo e Déa concretizaram em 1982 a proposta de criar um espaço de divulgação e valorização das artes visuais produzidas no Estado do Pará.
A mostra é coordenada pela Fundação Romulo Maiorana, recebendo a curadoria da artista visual Keyla Sobral. O projeto do Arte Pará é viabilizado por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet). Essa mostra conta com o patrocínio da Phebo e da Vale. Este ano, o Arte Pará tem como artista homenageada a artista plástica Carmen Sousa, com uma Sala dedicada à produção dela.
Selecionados
Os 25 artistas selecionados para o Arte Pará são: Alessandro Falco, Ana Mendes, Bruno Cantuária, Caio Paixão, Carol Abreu, Dias Jr, Diego Azevedo, Emily Guimarães, Felipe Ferreira, Flori Jacamo Hurtado, Itatiane Moraes, Jo Santos, Lucia Gomes,
Luciana Lemos, Maria José Batista, Mauro Joaquim Lima, Matheus Bento, Matheus Duarte, Maurileno Sanches, Nay Jinknss, Petcho Silveira, Renee Miranda, Samir Dams, Nazas e Val Sampaio.
Tradução
"O público vai conviver com propostas e ideias, principalmente de jovens artistas capazes de pensar o mundo contemporâneo e traduzi-lo em arte". A colocação é feita pela historiadora da arte, socióloga e professora universitária aposentada Marisa Mokarzel, que atuou como jurada no Arte Pará 2026. Em sua fala, Marisa destaca o conteúdo a ser desfrutado pelos espectadores da mostra no MEP. Mokarzel atua na área das artes visuais no Pará desde que retornou a Belém, em 1998.
Essa professora discorre sobre o que observou nos trabalhos inscritos no Arte Pará 2026. "Faz mais de cinco décadas, anos de 1960/1970, que a 'arte
contemporânea' ganha historicamente esta denominação. Ela rompe várias normas da arte, diversifica as linguagens, valoriza o conceitual, o efêmero. Aproxima-se cada vez mais da vida. Atualmente, a arte lida com todos esses princípios, trabalha em interface com distintas áreas do conhecimento e faz emergir questões ambientais, de gênero, étnico-raciais. Os trabalhos inscritos no Arte Pará estão inseridos neste contexto".
Para Marisa Mokarzel, prevaleceu como critério básico da sua parte na seleção dos trabalhos "observar a qualidade e consistência referente aos princípios da arte de trabalhos inseridos no contexto contemporâneo, capazes de nos conduzir a questionamentos e reflexões próprias do mundo atual".
Campo fértil
Artista visual e professor no curso de graduação e na pós-graduação em Artes da UFPA, Alexandre Sequeira é um nome muito conhecido na cena cultural paraense. A primeira participação dele em uma exposição coletiva se deu no ano de 1977. Desse modo, Alexandre tem 49 anos (quase 50) de atuação no campo da arte.
Alexandre destaca sua avaliação dos trabalhos inscritos no Arte Pará 2026. “Por sua vasta extensão territorial e sua pluralidade cultural, o Pará se apresenta como campo fértil para discussões sobre o contexto da arte em tempos de globalização. Nesse sentido, as ideias reunidas nesta edição do Arte Pará, exclusivamente estadual, buscam contribuir para a busca por uma perspectiva enfatizadora da potência criativa do encontro entre diferenças. Em tempos de intolerância e certezas irredutíveis, a arte se apresenta como um campo de encontro entre essas diferentes formas de ver o mundo e a vida que o anima”.
Sequeira ressalta que “sem dúvida, o que mais chama minha atenção é a reunião de singularidades e diferenças que surgem de um território atravessado por múltiplas questões e que, ao invés de afirmar uma condição romantizada de cultura imutável, nos convida a perceber um mapa simbólico complexo e plural”. “Uma identidade somente se faz perceptível ao ser contrastada com outra e, por meio das comparações feitas, revelam-se atributos que lhe são diferenciadores”, acrescenta.
O critério que adotou na seleção dos trabalhos da mostra é explicado por ele próprio. “A avaliação se dá a partir de uma comunhão de fatores. Primeiramente, é importante compreender as motivações que suscitam a criação da obra, sobre o que ela trata e como tal questão reverbera nos dias de hoje. Nina Simone disse em uma entrevista: ‘Não acredito em um artista que não trate das questões de seu tempo’ “.
“O segundo aspecto é a capacidade da artista ou do artista em transmitir essa questão por meio de uma narrativa visual, ou seja, questões de ordem técnica e de sintaxe visual. Por fim – e não menos importante -, a poética, o modo como a questão é transmitida. Diferente de um enunciado jornalístico, por exemplo, que é pautado pela clareza e objetividade, o enunciado poético nos convida a perceber determinada questão por outras vias – nem sempre aparentes e concretas. Somos convidados a abandonar nossas certezas e experimentar uma percepção mais sensível a ponto de considerarmos que aquele enunciado também nos representa”, pondera Alexandre.
Percepções
Quem também deu sua contribuição ao Arte Pará 2026, atuando como jurada, foi a publicitária Camila Costa. “Sou publicitária e, não por acaso, acredito no poder da comunicação para criar pontes, abrir diálogos e transformar percepções. Há alguns anos, encontrei na cultura, especialmente no trabalho com museus, uma nova forma de provocar reflexões, despertar pertencimento e ampliar perspectivas”, ressalta Camila, que, hoje, atua como gerente técnica do Museu das Amazônias em Belém.
Camila Costa avalia a sua participação no Arte Pará 2026. “É uma honra participar de uma das principais iniciativas de valorização da arte na Amazônia. Também é uma oportunidade muito rica de conhecer diferentes olhares, linguagens e perspectivas sobre a produção artística contemporânea do Pará”.
Ela ressalta “a diversidade de temas e perspectivas" nos trabalhos inscritos à mostra deste ano. “Encontrei trabalhos que abordam identidade, pertencimento, memória, ancestralidade, questões raciais, gênero, território e meio ambiente. Achei interessante perceber como os artistas partem de experiências muito particulares para falar também de questões que são coletivas e muito presentes na sociedade hoje”.
Na interpretação de Camila Costa, os trabalhos selecionados contribuirão em muito com o Arte Pará 2026 no sentido de revelar criações artísticas contemporâneas de qualidade. “Acredito que a seleção contribui para apresentar um território plural, diverso e em constante transformação. Achei especialmente interessante perceber como muitos artistas dialogam com saberes ancestrais e questões contemporâneas ao mesmo tempo, mostrando que a produção artística no Pará não é uma coisa única, mas formada por muitas experiências e linguagens. Nesse sentido, o Arte Pará reafirma sua importância como espaço de visibilidade e reconhecimento dessa produção”.
Leitura
A curadora do Arte Pará, Keyla Sobral, destaca a importância da etapa dos trabalhos inscritos para se ter o conjunto de obras a ser exposto na mostra. "Recebemos uma diversidade de propostas de artistas e de modos de pensar a arte. Escolher é também construir, a partir dessa multiplicidade, uma mostra que seja capaz de revelar a força da produção artística contemporânea da Amazônia e, ao mesmo tempo, lançar novos olhares sobre o lugar de onde estamos falando".
Keyla acompanhou de perto o processo de seleção dos 25 trabalhos para a exposição. "Foram dias de muita análise cuidadosa, escuta e debate. Cada trabalho provoca uma leitura, e é justamente dessa diversidade entre perspectivas que a seleção foi se construindo. Fiquei bastante feliz, porque realizamos de maneira coletiva esse trabalho, elencando esses 25 artistas que vão compor esta edição, que, juntos, começam a formar uma paisagem possível da arte contemporânea que queremos apresentar", pontua a curadora.
Ela explica que, como parte da preparação da mostra, a partir de agora, transcorrerá um período de produção, montagem e acompanhamento muito próximo dos artistas e da equipe. "O Arte Pará 2026 começa agora a construir esse território de encontros. E esperamos que, a partir de novembro, o público possa visitar a exposição não apenas para ver obras, mas para ser atravessado por elas, a partir dessa multiplicidade".
Confira a relação dos 25 artistas selecionados para o Arte Pará 2026:
# Alessandro Falco
# Ana Mendes
# Bruno Cantuária
# Caio Paixão
# Carol Abreu
# Dias Jr
# Diego Azevedo
# Emily Guimaraes
# Felipe Ferreira
# Flori Jacamo Hurtado
# Itatiane Moraes
# Jo Santos
# Lucia Gomes
# Luciana Lemos
# Maria José Batista
# Mauro Joaquim Lima
# Matheus Bento
# Matheus Duarte
# maurileno Sanches
# Nay Jinknss
# Petcho Silveira
# Renee Miranda
# Samir Dams
# Nazas
# Val Sampaio
Palavras-chave
COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA