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NOVA FASE

Aos 10 anos, bailarina se prepara para deixar Belém e estudar no Bolshoi

Após chegar à semifinal em 2025, paraense voltou a participar do processo seletivo e conquistou uma das 40 vagas para o curso de Dança Clássica

Amanda Martins

23 de outubro de 2026 às 17:24

Única paraense entre os 40 aprovados na seleção nacional, Alice Luz da Cunha vai ingressar no primeiro ano do curso de Dança Clássica em 2027

Única paraense entre os 40 aprovados na seleção nacional, Alice Luz da Cunha vai ingressar no primeiro ano do curso de Dança Clássica em 2027 ( Foto: Carmem Helena / O Liberal )

O endereço ainda é a Grande Belém, mas os planos de Alice Luz da Cunha já incluem Joinville, em Santa Catarina. Aos 10 anos, a menina foi aprovada na seleção nacional da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil e se prepara para iniciar uma nova etapa de formação. Única paraense entre os 40 selecionados, ela ingressará no primeiro ano do Curso de Dança Clássica em 2027 e será a “sementinha” do Norte na turma.

Do baby class ao sonho profissional

A história da jovem bailarina com o balé começou aos dois anos e meio, quando Alice ingressou no baby class do Luz Centro de Dança, escola localizada em Ananindeua e dirigida por sua mãe, Aliny Luz, professora de dança. 

Desde então, a menina vem desenvolvendo a técnica com uma formação baseada nas diretrizes internacionais da Royal Academy of Dance (RAD), além de preparação física, mobilidade, pilates e treinamento rítmico.

Segundo Aliny, o interesse da filha pela dança cresceu junto com o comprometimento com a formação. Alice passou a se dedicar aos exames de balé clássico e buscava boas notas e distinções, reconhecidas com medalhas de ouro. A mãe também acompanha a preparação física da menina, com exercícios voltados à mobilidade e ao controle dos movimentos.

Aliny conta que a  diretora da escola foi responsável pela inscrição da filha na seleção nacional, por acreditar no potencial da aluna. 

A família de Alice participou da preparação para a seletiva e agora organiza a mudança para Joinville
A família de Alice participou da preparação para a seletiva e agora organiza a mudança para Joinville (Carmem Helena / O Liberal)

A preparação envolveu exercícios diários de musicalidade, avaliações cognitivas e atividades físicas para desenvolver postura, flexibilidade e mobilidade. “Trabalhamos musicalidade, a parte cognitiva, questões de matemática e português, além de postura, mobilidade e flexibilidade. Houve realmente toda uma preparação para que ela pudesse alcançar essa vaga tão almejada”, conta a mãe.

Para Aliny, a aprovação também representa a realização de um sonho pessoal, já que ela própria desejou seguir carreira na dança. “Eu chego a me emocionar de ver ela alçar esse voo tão pequenininha em uma escola renomada”, afirma.

Seleção reuniu candidatos de 22 estados

A aprovação veio após um processo seletivo que começou com 1.759 crianças e chegou à etapa final com cerca de 300 participantes, representantes de 22 estados brasileiros e do Distrito Federal. Realizada nos dias 16 e 17 de outubro, na sede da escola, em Joinville, a última fase reuniu candidatos interessados em ingressar na formação em dança clássica. 

Antes disso, a instituição esteve em Belém, em setembro, para realizar a pré-seleção. Entre as primeiras avaliações e a divulgação do resultado, o processo durou cerca de um mês e meio.

Família acompanhou a preparação

O apoio da família foi parte importante da preparação de Alice. Além dos treinos, os pais ajudaram a menina a lidar com a viagem e a expectativa pelo resultado. Em 2025, ela já havia participado da seleção e chegado à semifinal, mas não conseguiu a aprovação.

Para o pai, Diego Cunha, a experiência anterior ajudou a filha a compreender que seria necessário continuar tentando. “No primeiro ‘não’, ela não desistiu. Ela queria isso, foi buscar e conseguiu agora, na segunda vez”, afirma.

Com a aprovação, a família começou a organizar os próximos passos para a mudança. Antes de se estabelecer em Santa Catarina, Alice deve participar, em janeiro, de um curso com professores de diferentes regiões do Brasil. A previsão é que a família se mude para Joinville em fevereiro de 2027, com a organização da moradia e da continuidade dos estudos regulares da menina.

Planos para o futuro

Mesmo ainda pequena, Alice já tem um objetivo definido para os próximos anos: tornar-se bailarina profissional. A menina pretende continuar a formação na instituição renomada e também deseja incentivar outras crianças a perseguirem seus objetivos.

Pedro, irmão gêmeo de Alice, acompanhou de perto a dedicação da menina durante a preparação para a seleção nacional
Pedro, irmão gêmeo de Alice, acompanhou de perto a dedicação da menina durante a preparação para a seleção nacional (Carmem Helena / O Liberal)

“O meu próximo sonho é ser bailarina da Escola do Bolshoi e ser uma bailarina profissional”, diz.

O irmão gêmeo, Pedro Henrique, acompanhou de perto a dedicação da menina durante a preparação e comemora a conquista: “É um motivo de orgulho para mim”.

E o que acontece após a aprovação?

Os aprovados passam a integrar a formação de oito anos do Bolshoi no Brasil. Todos recebem bolsas integrais, que garantem acesso gratuito ao ensino técnico em dança e a serviços de apoio, como alimentação, transporte, uniformes, figurinos, assistência social, orientação pedagógica, atendimento odontológico preventivo, acompanhamento fisioterápico e nutricional, além de assistência médica de emergência e urgência pré-hospitalar.

Para a coordenadora da Seleção Nacional da Escola Bolshoi, Sylvana Albuquerque, o processo considera aspectos que vão além da técnica. 

“Muitas crianças vêm de realidades diversas, enfrentando desafios que não podemos imaginar. Elas carregam expectativas, medos e esperanças. Nossa missão é acolhê-las com respeito, empatia e carinho, independentemente de suas origens. Para muitas, essa pode ser a primeira vez que têm a chance de sonhar e o Bolshoi possibilita que esses sonhos se tornem realidade”, afirma.