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CULTURA

‘A História Sem Fim’ ganha adaptação musical sobre perda e amadurecimento

Montagem dirigida por Kleber Dümerval usa a trajetória de Bastian para abordar o luto e terá duas sessões no Centur

Amanda Martins

15 de outubro de 2026 às 18:52

Musical “A História Sem Fim” relaciona fantasia e luto em Belém

Musical “A História Sem Fim” relaciona fantasia e luto em Belém ( Foto: Divulgação )

Um garoto que encontra nos livros uma forma de lidar com a perda da mãe embarca em uma aventura fantástica que o conduz pelo caminho do luto. Essa é a jornada de Bastian Balthazar no musical “A História Sem Fim”, que chega ao Teatro Margarida Schivazappa, no Centur, em Belém, com sessões no sábado (17), às 19h30, e no domingo (18), às 19h.

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Baseada no romance homônimo do escritor alemão Michael Ende, a montagem apresenta uma adaptação autoral que combina literatura, fantasia e sucessos musicais das décadas de 1980 e 1990. Na história, Bastian encontra um livro misterioso e passa a conhecer Fantasia, um universo habitado por criaturas extraordinárias, ameaçado pelo Nada. Enquanto o guerreiro Atreyu tenta salvar a Imperatriz Criança, o protagonista também enfrenta questões relacionadas à própria vida.

A dramaturgia, escrita pelo diretor Kleber Dümerval, estabelece uma relação entre a aventura do personagem e as cinco fases do luto. Negação, raiva, barganha, depressão e aceitação são representadas ao longo da trajetória de Bastian, que encontra na imaginação um caminho para compreender a ausência da mãe. A produção é assinada pela Attuô Produções.

“Todas as fantasias que ele tem têm um reflexo da vida real dele. O espetáculo em si transmite para o público toda essa jornada de cura quando alguém está enlutado”, explica Kleber.

A abordagem também tem origem na experiência pessoal do diretor, que perdeu a mãe durante a pandemia de covid-19 e não pôde realizar a despedida devido às restrições sanitárias da época. A dificuldade de elaborar essa perda foi um dos pontos de partida para a criação do espetáculo.

“Eu não pude ter a despedida, não pude me despedir, não pude ter aquela cerimônia de velório, que é natural de toda a fase de luto. Então, eu tive que engolir, fiquei com esse nó na garganta. Esse espetáculo é uma forma poética de colocar isso para fora, de atingir tudo isso de uma maneira mais lírica e aliada à magia do teatro e da fantasia”, afirma.

Além da dimensão emocional, a montagem busca aproximar o público da obra literária original. Segundo Kleber, a adaptação não se limita à narrativa apresentada no filme lançado nos anos 1980, mas também explora elementos do livro que ficaram de fora da versão cinematográfica.

Música conduz a narrativa

A trilha sonora é outro elemento central da montagem. Sob a direção musical de Lenno Silva, que também integra o elenco, o espetáculo reúne canções das décadas de 1980 e 1990, escolhidas e adaptadas para o português de acordo com os acontecimentos da história.

O processo de seleção foi um dos principais desafios da produção, diante da quantidade de sucessos marcantes do período. A equipe precisou reduzir a lista de músicas e encontrar conexões entre as letras e as situações vividas pelos personagens.

“Quando começamos a traduzir, percebemos que as músicas já contavam, por si só, várias histórias e que muitas delas se conectavam à história do filme. A gente olhava o roteiro e via que uma música cabia no momento em que um personagem encontrava o outro. Em outro momento, a mãe do personagem principal morre, e existe uma música dos anos 80 que fala sobre isso”, relata Lenno.

SERVIÇO:

Espetáculo ‘História Sem Fim, o musical’

  • Local: Teatro Margarida Schivazappa – Centur
  • Estreia: 17 de outubro, às 19h30;
  • Segunda sessão: 18 de outubro, às 19h;
  • Os ingressos podem ser comprados pelo site da Sympla.