Transatlânticos deixam Belém após COP 30 e moradores se despedem em praias de Outeiro
Os navios MSC Seaview e Costa Diadema ficaram por mais de duas semanas no distrito da capital paraense dando apoio na hospedagem durante o evento climático
Os dois transatlânticos que serviram de hospedagem para participantes da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP 30) deixaram Belém na manhã deste sábado (22). Após os dias de intensa movimentação na região do distrito de Outeiro, onde os navios MSC Seaview e Costa Diadema ficaram atracados por mais de duas semanas, dezenas de moradores da capital paraense foram até a praia para se despedir.
Desde cedo os tripulantes já se despediam, carregando na bagagem o carinho, a hospitalidade e a energia que receberam do povo paraense durante as semanas em que estiveram na cidade. A saída dos transatlânticos, por volta das 12h, foi acompanhada pelos moradores nas praias. Emocionadas, as pessoas acenaram enquanto os gigantes marítimos seguiam viagem, encerrando oficialmente sua participação na logística da COP 30. Já dentro dos navios, os hóspedes cantaram “Voando pro Pará”, de Joelma, e balançaram bandeiras do Brasil.
Atração
Desde a chegada, no dia 4 de novembro, os navios se tornaram uma atração à parte. Moradores e turistas lotaram as praias de Outeiro diariamente para observar a imponência das embarcações e acompanhar o movimento dos hóspedes. Já os turistas aproveitaram as noites para conhecer de perto a cultura paraense.
Vídeos que circularam nas redes sociais registraram diversos momentos de interação entre os visitantes e a comunidade. Os tripulantes e hóspedes dançando carimbó, experimentando pratos típicos, conversando com moradores e curtindo a vida noturna nos bares e estabelecimentos da região. Para muitos comerciantes, a presença dos navios representou aquecimento na economia local e um contato direto com públicos de diferentes países.
Estrutura
Segundo a Companhia Docas do Pará (CDP), a presença dos navios marcou um divisor de águas para o turismo na região. O uso do Porto de Outeiro para a atracação das embarcações é considerado um passo importante para consolidar Belém como rota internacional na Amazônia. Para receber os transatlânticos, o terminal passou por intervenções estruturais e operacionais, incluindo adaptações para embarque e desembarque, controle de bagagens e transporte dos hóspedes até os navios em vans e micro-ônibus acessíveis.
Juntos, o MSC Seaview e o Costa Diadema forneceram mais de 6 mil leitos, abrigando negociadores, observadores e integrantes de delegações. A solução de hospedagem flutuante foi apontada pelo governo federal como uma alternativa eficiente diante do grande número de participantes que estiveram em Belém durante o evento climático.
Com a partida das embarcações, fica a memória de semanas que transformaram a rotina de Outeiro e deixaram uma marca afetiva para quem viveu esse momento de perto na COP 30.
Porto de Outeiro
Localizado no distrito de Belém, o Porto de Outeiro passou por uma requalificação completa executada pela CDP para atender à demanda excepcional da COP 30 e garantir um legado permanente para o turismo de cruzeiros. As obras, que duraram cerca de seis meses, modernizaram e ampliaram todo o complexo, tornando o cais apto a receber navios de grande porte.
“Foi uma obra desafiadora. Pelo tempo, que foi muito curto, pela burocracia e pelas condições de maré da nossa baía. Mas nenhum desses desafios foi maior do que a vontade de entregar a obra”, declarou o presidente da CDP, Jardel Rodrigues da Silva. “Entregamos um terminal que hoje é considerado, pelos próprios comandantes, o mais adequado e o melhor do Brasil”, acrescentou.
A requalificação do espaço e chegada dos transatlânticos gerou efeitos imediatos para a economia local. Gerente de projetos da Secretaria Extraordinária para a COP30 (Secop), Gabriela Lima afirma o legado impulsiona de forma definitiva o setor na região. “É um legado importante, que vai ser deixado para movimentar o turismo. O ministro Celso Sabino (do Turismo) também esteve aqui e está trabalhando para que essas rotas de cruzeiro continuem e fomentem o desenvolvimento na região”, afirmou.
Thaís Akemi Cunha dos Santos, encarregada das equipes da empresa Trevo Amazônia, destacou as mudanças na Praia da Brasília. “Os ‘gigantes’, como o nosso governador denomina os transatlânticos, trouxeram uma renda maior para as pessoas, inclusive as da Praia da Brasília, que hoje ficou bem conhecida”.
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