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Solução

Biocosméticos de açaí impulsionam sustentabilidade e inovação no Pará

Produtos promovem preservação ambiental e geração de renda a partir dos caroços do fruto

Paloma Lobato

21 de setembro de 2025 às 10:53

O que antes ia para o lixo, se tornou insumo para a fabricação de produtos de beleza

O que antes ia para o lixo, se tornou insumo para a fabricação de produtos de beleza ( Foto: Patricia Baia/ O Liberal )

Em um estado onde o açaí move a economia e a cultura, até o que antes era descartado encontra novo valor. Os caroços do fruto, que representam mais de 70% de seu volume, estão sendo reaproveitados por marcas regionais de biocosméticos que enxergam na biodiversidade amazônica uma fonte inesgotável de inovação. Esse movimento faz do Pará não apenas o maior produtor de açaí do país, mas também referência em beleza sustentável.

Quando descartado de forma inadequada, o caroço de açaí pode sobrecarregar lixões, causar mau cheiro e atrair vetores. Ao reaproveitar os resíduos por meio de coleta, higienização e processamento, empresas e cooperativas conseguem não só reduzir impactos ambientais, mas também transformar o material em insumos de alto valor, como extratos bioativos que dão origem a produtos de beleza sustentáveis, como esfoliantes, óleos corporais, séruns, entre outros.

Um exemplo disso é a Chêro Cosméticos, uma marca genuinamente paraense que, por meio do aproveitamento do caroço de açaí na produção de biocosméticos, tem feito da bioeconomia seu alicerce. A iniciativa surgiu com o desejo de transformar a biodiversidade amazônica em inovação, tecnologia e beleza. 

"O açaí é um dos símbolos mais fortes do Pará, mas ao mesmo tempo gera toneladas de resíduos por causa dos caroços que são descartados diariamente. Eu enxerguei aí uma oportunidade: transformar esse resíduo em ativo nobre para a pele. Essa ideia nasceu do encontro entre ciência, sustentabilidade e identidade cultural", destaca a CEO da Chêro Cosméticos, Thays Sintra. 

Ao transformar caroços de açaí em bioesfoliantes, óleos corporais, séruns e produtos destinados aos cuidados com a pele, a empresa entrega ao consumidor mais que um cosmético: entrega a Amazônia em sua forma mais pura. O design dos produtos reflete a floresta, mas é nos ingredientes e no impacto socioambiental que está o verdadeiro diferencial.

"Nós trabalhamos com fornecedores locais e com cooperativas que seguem boas práticas ambientais. Todo o processo é pensado para minimizar o impacto: desde o reaproveitamento da matéria-prima, embalagens sustentáveis, até formulações limpas e veganas. A sustentabilidade é critério em cada decisão da cadeia produtiva", explica a empresária. 

Geração de renda 

A cadeia de reaproveitamento mobiliza batedores, associações e biolabs paraenses. O caroço passa a ter valor, abrindo oportunidade de renda complementar para pequenos coletores e cooperativas, ao mesmo tempo em que reduz custos de destinação de resíduos para indústrias de polpa. Esse arranjo conecta produção e pesquisa, incentiva a formalização do setor e fortalece cadeias mais curtas, reduzindo o impacto logístico.

"Esse modelo gera renda para comunidades que colhem, selecionam e processam os insumos. Envolve mão de obra local, valoriza saberes tradicionais e cria oportunidades para mulheres que participam da cadeia. Então não é só sustentabilidade ambiental, mas também social e econômica", complementa Thays Sintra.

Proposta de empresária reaproveita  caroço de açaí na produção de biocosméticos
Proposta de empresária reaproveita caroço de açaí na produção de biocosméticos (Divulgação)

Transformar caroços de açaí em ativos de beleza é mais do que tendência. É uma estratégia concreta de sustentabilidade, geração de renda e posicionamento do Pará como referência em bioeconomia, prova de que a floresta pode, sim, ser o maior laboratório de futuro do Brasil.

"Sempre senti que a Amazônia tinha muito mais a oferecer do que apenas matéria-prima bruta exportada para fora. A Amazônia também é inovação, ciência e negócios sustentáveis. Queremos apresentar o biocosmético amazônico como um exemplo concreto de economia da floresta em pé. Minha expectativa é que Belém seja vitrine mundial e que marcas como a Chêro mostrem que o futuro da beleza pode nascer aqui", finaliza Thays Sintra.