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RESULTADOS

Acordos possíveis: negociações durante a COP 30 apresentam resultados emblemáticos

Ainda assim, líderes mundiais não chegam a consenso sobre o fim do uso de combustíveis fósseis

Ize Sena - Especial para O Liberal

1 de dezembro de 2025 às 08:00

Plenária de encerramento da COP 30: busca por um futuro sustentável

Plenária de encerramento da COP 30: busca por um futuro sustentável ( Foto: Ueslei Marcelino/COP30 )

Após duas semanas de debates e negociações, a COP 30 chegou ao fim com a aprovação de mais de uma dezena de textos. Alguns acordos entre representantes de 195 países foram possíveis, mas não sem antes uma pausa na plenária de encerramento para o questionamento de algumas partes, entre eles, a Colômbia. Não houve consenso sobre o fim do uso de combustíveis fósseis, mas a Conferência registrou avanços em relação à adaptação.

A série de decisões compõem o pacote final da COP 30. Entre os textos aprovados está o documento político central da conferência, o “Mutirão Global: Unindo a humanidade em uma mobilização global contra a mudança do clima”, que define estruturas que ampliam a agenda de cooperação, organizam debates e inclui a meta de triplicar o financiamento para adaptação até 2035.

Esse compromisso, aliás, apesar de não trazer valores claros, é visto por especialistas como um avanço, porque reconhece a urgência de investir mais em adaptação. Os detalhes ficam para 2026, antes da COP 31.

O Mutirão também reafirma que a transição global para um desenvolvimento de baixas emissões é irreversível e que o Acordo de Paris “está funcionando”, mas precisa ir “mais longe e mais rápido”. Também foi lançado o Acelerador Global de Implementação e estabelece que países devem trilhar caminhos alinhados ao limite de 1,5°C.

Vitória inédita

Pela primeira vez, as populações afrodescendentes foram incluídas em quatro textos da UNFCCC. São eles: o Mutirão Global; os indicadores do Objetivo Global de Adaptação (GGA); o Plano de Ação de Gênero de Belém; e o Programa de Trabalho sobre Transição Justa.

Outra vitória significativa foi para o movimento indígena com o reconhecimento na decisão Mutirão dos direitos dos povos indígenas, incluindo seus direitos à terra.

“A COP 30 marca um divisor de águas: reconhece que a ação climática vai além das salas formais da UNFCCC. A distância entre a força social e as páginas frágeis do acordo mostra que as soluções vêm das pessoas e dos territórios. É um sinal claro das limitações da governança global, mas também um convite para um futuro de luta, colaboração e esperança. Acho impossível não se emocionar com tudo o que aconteceu nas últimas duas semanas, independentemente do resultado formal das negociações. Muitas vitórias das que realmente importam, como a inclusão de afrodescendentes no texto e a menção aos direitos territoriais dos povos indígenas e ao CLPI (Consulta Livre, Prévio e Informado), são passos históricos que ajudam a garantir direitos”, destaca Tatiana Oliveira, líder de estratégia internacional do WWF-Brasil.

Sem mapa do caminho

Apesar do esforço do Brasil, a grande aposta sobre o plano para o fim do uso de combustíveis fósseis ficou de fora do texto final, uma vez que não tinha consenso, apesar de que criar um roteiro, o chamado “Mapa do Caminho”, para o fim do uso dessas fontes de energia virou um dos temas centrais da conferência.

Debates foram liderados pelo presidente da COP 30, André Correa do Lago
Debates foram liderados pelo presidente da COP 30, André Correa do Lago (Ueslei Marcelino/COP30)

O “Mapa do caminho” ou road-map (em inglês) é o termo usado em negociações internacionais para designar planos de ação que estabelecem etapas, prazos e metas concretas rumo a um objetivo comum.

Segundo o presidente da COP30, André Correa do Lago, o mapa do caminho não será abandonado. Ao contrário, o documento segue sendo trabalhado ao longo deste ano. De acordo com a presidência, serão dois documentos para apresentar antes da COP 31: um sobre combustíveis fósseis e outro sobre desmatamento.

“Sabemos que muitos de vocês tinham mais ambição para alguns temas e que a sociedade vai exigir mais. Eu prometo que vou tentar não desapontar vocês. Nós precisamos de mapas para que possamos ultrapassar a dependência dos fósseis de forma ordenada e justa. Eu vou criar dois mapas: um para reverter desmatamento e fazer transição para longe dos fósseis”, anunciou o presidente.